<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672</id><updated>2012-01-27T10:15:36.823-08:00</updated><title type='text'>PENSAMENTO E DIALÉTICA</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>152</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-1521490840366750277</id><published>2012-01-27T10:15:00.000-08:00</published><updated>2012-01-27T10:15:36.828-08:00</updated><title type='text'>O DISCURSO DOS COLONIZADOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro “Guia politicamente Incorreto da América Latina”, dos jornalistas Leandro Narloch e Duda Teixeira, que cativou muitos leitores por sua linguagem irônica e depreciativa, não passa de uma visão estereotipada e fragmentada da história dos povos latinoamericanos e suas lutas pela descolonização. Nesse amontoado de informações, os autores assumem sem pudor sua repulsa pela cultura do continente desde México a Terra do Fogo, desmerecendo ao longo do texto a construção da identidade social dos nossos povos, não somente desvalorizando-a, senão tentando aniquilá-la por meio da alienação dos discursos típicos das elites colonizadas. O flagrante dessa distorção, manufaturada a duas mãos por meio de juízos de valor, torna-se clara no conteúdo ideológico das citações nas páginas destacadas em preto, que reforça o maniqueísmo que os próprios autores pretendem combater. Para isso destacam uma extensa bibliografia com publicações de pesquisadores progressistas, de modo a criar uma ideia de neutralidade e academicismo. A parcialidade textual desmente tal arranjo bizarro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, o livro não passa de uma crônica feita para vender. Como todo texto moldado nesses padrões literários, seu conteúdo subliminar está direcionado a criminalizar o chamado “falso herói latino-americano”. Torna-se claro que toda a parafernália historiográfica está destinada a atingir indistintamente o Che Guevara, os povos pré-colombianos, Bolívar, os Haitianos, Perón e Evita, Pancho Villa e Salvador Allende, através da exaltação da problemática dos países e os erros humanos dos seus condutores como autoflagelo e atraso do nosso continente rumo ao desenvolvimento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A soberba do desconhecimento depara-se com o simplismo que o livro retrata ao dizer que América Latina “tornou-se uma ideia vazia quanto abrangente”, surrupiando dos leitores o legado atual dos ícones culturais criados ao longo do tempo, resultado das próprias “veias abertas” da exploração e a desonra. Perante a crise atual do capitalismo, o livro citado tornou-se velho. As novas políticas públicas de inserção social dos nossos governos resgatam as melhores virtudes do populismo clássico, para desconforto e horror destes senhores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, tanto o cronista Leandro Narloch quanto Duda Teixeira (além de seu parceiro Diogo Schelp) são filhos pródigos da revista Veja, que se notabiliza por ser um veículo de desinformação. Ostentar tal currículo para criminalizar tudo aquilo que faz parte da nossa história latinoamericana, é no mínimo suspeito. Usa-se sem restrições o modelo referencial do “pensamento único” tão próprio das novas classes gerenciais que comandam o mundo depois da implosão soviética e o fracasso do socialismo real. Eu lamento que estes senhores se reflitam nesses grupos de poder. Pior ainda, essa proximidade é resultado do intento de aceitação e aproximação com uma classe social categorizada como as dos “incluídos” globalizados. Ganhar prestígio desvendado as fraquezas humanas e descontextualizá-las do momento histórico, só pode confundir aqueles que carecem de amplitude para a leitura, recorrendo a uma única fonte de informação. Basta lembrar que o livro reedita os antigos padrões da “guerra fria” bipolar. A sua intenção mais eloquente é descaracterizar o pensamento popular, tanto quanto desprezado, mas impossível de ser eliminado do imaginário coletivo dos nossos povos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;﻿&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-1521490840366750277?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/1521490840366750277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2012/01/o-discurso-dos-colonizados_27.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1521490840366750277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1521490840366750277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2012/01/o-discurso-dos-colonizados_27.html' title='O DISCURSO DOS COLONIZADOS'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-5135622307104608006</id><published>2012-01-16T20:59:00.000-08:00</published><updated>2012-01-16T21:09:42.040-08:00</updated><title type='text'>O BRASIL NORDESTINO</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Nestes últimos seis anos está acontecendo umfenômeno migratório interno que merece ser analisado. Durante muito tempo,principalmente na metade do século vinte, a imigração nordestina para oscentros urbanos do sul desenvolvido transformou-se num fluxo constante. Noentanto, os chamados “paus-de-arara” que transitavam o sertão nordestino rumo aSão Paulo, estão começando a mudar essa paisagem exatamente ao inverso. É o querevela a recente pesquisa do Departamento de Economia da Universidade deParaíba – UFPB. Entre 2002 e 2007, houve um fluxo de mais de 400 mil pessoasnessa direção, que mostra que das 862 mil pessoas que foram morar no nordeste,47,5% eram indivíduos que estavam voltando a seus locais de nascimento. Poroutro lado, apesar de que o retorno acontece, frequentemente, por falta deoportunidades em função da saturação das fronteiras agrícolas ou construçãocivil, pode-se dizer que existem outros fatores regionais que são determinantesnesse processo de migração interna em direção ao nordeste brasileiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;A razão fundamental encontra-se no crescimentoacentuado dessa região em relação às demais, provocando uma vigorosaurbanização com 70% da população nas cidades. Desse modo, a migração ruralpassa pelas pequenas localidades e vai diretamente para as grandes. Talfenômeno se expressa na opção da escolha de uma capital nordestina no lugar deSão Paulo. Ainda assim, existem outros condicionantes importantes que merecemser destacados, que são as melhorias substanciais das condições sociais nonordeste experimentado nestes últimos anos. Mais da metade das famílias pobresrecebem algum tipo de benefício federal, tanto da Previdência Social como doBolsa Família, o que funciona como um mecanismo de contenção da miséria.Segundo a pesquisa, das 14,5 milhões de famílias nordestinas, sete milhõesrecebem da Previdência e 5,6 milhões do Bolsa Família. Além disso, o saláriomínimo que contempla dois terços dos assalariados da região, tem um forteimpacto nas atividades econômicas, que redundam num processo vigoroso deinclusão social.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Todos esses componentes, aliados ao surgimento denovos pólos de desenvolvimento, fazem com que as pessoas terminem fortalecendoseus vínculos com a região, no qual o campo da ciência e a tecnologia seencontram em pleno processo de crescimento, com destaque para cidadesnordestinas que recebem reconhecimento nacional e internacional pelos seusinstitutos tecnológicos avançados. Temos o caso de Recife, que possui um pólo dedesenvolvimento de softwares, transformado numa referência mundial ereconhecido como o maior parque tecnológico do Brasil, tanto em faturamentocomo números de empresas abrigadas nesse complexo. Vale destacar CampinaGrande, no interior da Paraíba, como uma das cidades que incorporaram um modelode centro de inovação tecnológica, resultado do fortalecimento da formaçãoacadêmica por meio da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, comdestaque nas áreas de engenharia elétrica e computação. Por outro lado, cabe citaro &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Centro de Biotecnologia eTerapia Celular do Hospital São Rafael, em Salvador, que é o mais moderno eavançado centro de estudos de &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;células-tronco&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt; da &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;América Latina&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;,junto com o centro de pesquisa e desenvolvimento da neurociência em Macaíba noEstado de Rio Grande do Norte. Alguém poderia duvidar da capacidade dos nossosirmãos nordestinos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Sociólogo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-5135622307104608006?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/5135622307104608006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2012/01/o-brasil-nordestino.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/5135622307104608006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/5135622307104608006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2012/01/o-brasil-nordestino.html' title='O BRASIL NORDESTINO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-5998266785509815120</id><published>2012-01-02T15:34:00.000-08:00</published><updated>2012-01-02T15:34:22.701-08:00</updated><title type='text'>A DURA VIDA DOS ATEUS EM UM BRASIL CADA VEZ MAIS EVANGÉLICO</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Reflexão a partir de uma conversa notrânsito de São Paulo. A expansão da fé evangélica está mudando “o homemcordial”?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;O diálogo aconteceu entre uma jornalista e umtaxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping VillaLobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler ojornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como elanunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquelasexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos,estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes parapedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro“com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado.Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu queromuito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele erajovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, elasugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quemnão lia nada...”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, elaestimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogoconquistou o direito a seguir com travessões.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&amp;nbsp;- Você é evangélico? – ela perguntou.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Sou! – ele respondeu, animado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&amp;nbsp;- De que igreja?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bolade Neve.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar,mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bemlegal. De vez em quando eu vou lá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Legal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- De que religião você é?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Eu não tenho religião. Sou ateia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;.- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Deus me livre!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, masvocê não respeita a minha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- (riso nervoso).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato aspessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundoser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Por que as boas ações não salvam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Não?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, nãoserá salva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Mas eu não quero ser salva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Deus me livre!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Eu não acredito em salvação. Acredito em vivercada dia da melhor forma possível.- Acho que você é espírita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Não, já disse a você. Sou ateia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;.- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vaipegar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá mepegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, masvocê queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu porser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque éevangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;O taxista estava confuso. A passageira era ateia,mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinadopara acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esseimpasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara queo diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas,como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista pareciaviver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher queagora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação domal.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Chegaram ao destino depois de mais algumasconversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a eleum bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiuconter-se:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quandoela abria a porta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada,antes de fechá-la.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Ainda deu tempo de ouvir uma risadanervosa.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;A parábola do taxista me faz pensar em como a vidados ateus poderá ser dura num Brasil cada vez mais evangélico – ou cada vezmais neopentecostal, já que é esta a característica das igrejas evangélicas quemais crescem. O catolicismo – no mundo contemporâneo, bem sublinhado – mantémuma relação de tolerância com o ateísmo. Por várias razões. Entre elas, a deque é possível ser católico – e não praticante. O fato de você não frequentar aigreja nem pagar o dízimo não chama maior atenção no Brasil católico nemcondena ninguém ao inferno. Outra razão importante é que o catolicismo estádisseminado na cultura, entrelaçado a uma forma de ver o mundo que influenciainclusive os ateus. Ser ateu num país de maioria católica nunca ameaçou aconvivência entre os vizinhos. Ou entre taxistas e passageiros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Já com os evangélicos neopentecostais, caso dasinúmeras igrejas que se multiplicam com nomes cada vez mais imaginativos pelasesquinas das grandes e das pequenas cidades, pelos sertões e pela florestaamazônica, o caso é diferente. E não faço aqui nenhum juízo de valor sobre a fécatólica ou a dos neopentecostais. Cada um tem o direito de professar a fé quequiser – assim como a sua não fé. Meu interesse é tentar compreender como essaporção cada vez mais numerosa do país está mudando o modo de ver o mundo e omodo de se relacionar com a cultura. Está mudando a forma de ser brasileiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Por que os ateus são uma ameaça às novasdenominações evangélicas? Porque as neopentecostais – e não falo aqui nenhumanovidade – são constituídas no modo capitalista. Regidas, portanto, pelas leisde mercado. Por isso, nessas novas igrejas, não há como ser um evangélico nãopraticante. É possível, como o taxista exemplifica muito bem, pular de uma paraoutra, como um consumidor diante de vitrines que tentam seduzi-lo a entrar naloja pelo brilho de suas ofertas. Essa dificuldade de “fidelizar um fiel”, aogerir a igreja como um modelo de negócio, obriga as neopentecostais a umadisputa de mercado cada vez mais agressiva e também a buscar fatias aindainexploradas. É preciso que os fiéis estejam dentro das igrejas – e elas estãosempre de portas abertas – para consumir um dos muitos produtos milagrosos oupara serem consumidos por doações em dinheiro ou em espécie. O templo é umshopping da fé, com as vantagens e as desvantagens que isso implica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;É também por essa razão que a Igreja Católica, queem períodos de sua longa história atraiu fiéis com ossos de santos e passespara o céu, vive hoje o dilema de ser ameaçada pela vulgaridade das relaçõescapitalistas numa fé de mercado. Dilema que procura resolver de uma maneirabastante inteligente, ao manter a salvo a tradição que tem lhe garantido podere influência há dois mil anos, mas ao mesmo tempo estimular sua versão demercado, encarnada pelos carismáticos. Como uma espécie de vanguarda, quecontém o avanço das tropas “inimigas” lá na frente sem comprometer a integridadedo exército que se mantém mais atrás, padres pop star como Marcelo Rossi emovimentos como a Canção Nova têm sido estratégicos para reduzir a sangria defiéis para as neopentecostais. Não fosse esse tipo de abordagem mais agressivae possivelmente já existiria uma porção ainda maior de evangélicos no país.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Tudo indica que a parábola do taxista se tornarácada vez mais frequente nas ruas do Brasil – em novas e ferozes versões.Afinal, não há nada mais ameaçador para o mercado do que quem está fora domercado por convicção. E quem está fora do mercado da fé? Os ateus. É possívelconvencer um católico, um espírita ou um umbandista a mudar de religião. Mas ébem mais difícil – quando não impossível – converter um ateu. Para quem nãoacredita na existência de Deus, qualquer produto religioso, seja ele material,como um travesseiro que cura doenças, ou subjetivo, como o conforto da vidaeterna, não tem qualquer apelo. Seria como vender gelo para um esquimó.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Tenho muitos amigos ateus. E eles me contam que têmevitado se apresentar dessa maneira porque a reação é cada vez mais hostil. Porenquanto, a reação é como a do taxista: “Deus me livre!”. Mas percebem que ocerco se aperta e, a qualquer momento, temem que alguém possa empunhar umpunhado de dentes de alho diante deles ou iniciar um exorcismo ali mesmo, nosinal fechado ou na padaria da esquina. Acuados, têm preferido declarar-se“agnósticos”. Com sorte, parte dos crentes pode ficar em dúvida e pensar que éalguma igreja nova.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Já conhecia a “Bola de Neve” (ou “Bola de NeveChurch, para os íntimos”, como diz o seu site), mas nunca tinha ouvido falar da“Novidade de Vida”. Busquei o site da igreja na internet. Na página deabertura, me deparei com uma preleção intitulada: “O perigo da tolerância”. Otexto fala sobre as famílias, afirma que Deus não é tolerante e incita os fiéisa não tolerar o que não venha de Deus. Tolerar “coisas erradas” é o mesmo que“criar demônios de estimação”. Entre as muitas frases exemplares, uma sedestaca: “Hoje em dia, o mal da sociedade tem sido a Tolerância (em negrito eem maiúscula)”. Deus me livre!, um ateu talvez tenha vontade de dizer. Mas nemesse conforto lhe resta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Ainda que o crescimento evangélico no Brasil venhasendo investigado tanto pela academia como pelo jornalismo, é pouco para aprofundidade das mudanças que tem trazido à vida cotidiana do país. Astransformações no modo de ser brasileiro talvez sejam maiores do que possaparecer à primeira vista. Talvez estejam alterando o “homem cordial” – não nosentido estrito conferido por Sérgio Buarque de Holanda, mas no sentidoatribuído pelo senso comum.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Me arriscaria a dizer que a liberdade de credo – e,portanto, também de não credo – determinada pela Constituição está sendosolapada na prática do dia a dia. Não deixa de ser curioso que, no século XXI,ser ateu volte a ter um conteúdo revolucionário. Mas, depois que Sarah Sheeva,uma das filhas de Pepeu Gomes e Baby do Brasil, passou a pastorear mulheresvirgens – ou com vontade de voltar a ser – em busca de príncipes encantados, na“Igreja Celular Internacional”, nada mais me surpreende.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Se Deus existe, que nos livre de sermos obrigados aacreditar nele.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Eliane Brum&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Escritora e jornalista&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:TrackMoves/&gt;  &lt;w:TrackFormatting/&gt;  &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:DoNotPromoteQF/&gt;  &lt;w:LidThemeOther&gt;PT-BR&lt;/w:LidThemeOther&gt;  &lt;w:LidThemeAsian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;  &lt;w:LidThemeComplexScript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt; 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font-size: 18.0pt; line-height: 150%; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-outline-level: 2; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;PorChristiane Marcondes*&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 18.0pt; line-height: 150%; mso-bidi-font-weight: bold; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Redação do Democracy Now&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Na verdade, ele foi varrido do mapa da imprensahegemônica. Até o limite do possível, claro, até o ponto em que essa “pedra nosapato” incomodou tanto que teve de ser retirada e exposta à demanda ecuriosidade pública. O ano de 2011 foi significativo na quantidade de episódiosomitidos pela imprensa. Talvez por ter sido um ano de manifestaçõesespontâneas, de massa, pelas mais diversas causas e em variados e distanteslocais do mundo. A mobilização não cabia no enquadramento tradicional da mídiaconservadora, por isso ficou fora das lentes do seu noticiário. Mas nãodistante do conhecimento do leitor, graças à atuação energizada da chamadamídia livre, fosse digital, eletrônica ou impressa. “Ocupar Wall Street” foi umato que dividiu épocas nesses 12 meses que terminam no próximo dia 31.Amplamente coberto por emissoras de televisão alternativas, as imagens correramo mundo e mostraram a dimensão do movimento, que foi exportado para outrasregiões dos Estados Unidos e para outros países. Fez mais: deu luz a outras expressõespopulares, como a marcha dos indignados na Europa. “Ocupar” virou um comando deguerrilha, usado para dar visibilidade à causa, para congregar maismanifestantes, para tomar conta de um lugar que, legitimamente, é do cidadão,“o espaço público”. Wall Street foi abalada pelas reivindicações e atospopulares, simbolicamente, o coração econômico do mundo precisou, no mínimo, deuma ponte de safena para recuperar parte da saúde. Até hoje combalida e semprevisão de alta “médica”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;O acesso às informações livres e críticas, noentanto, também entrou em crise, porque toda produção de conteúdo exigerecursos financeiros que a banquem. E esses recursos, seguramente, estão nasmãos daqueles que são alvo das críticas da imprensa alternativa.&lt;br /&gt;Se você navegar na rede em busca de portais de notícias que contemplam averdade ou, pelo menos, se pautam por correntes da esquerda, vai ser recebidologo à entrada de alguns deles com uma mensagem como a abaixo, no DemocracyNow:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;“Você pode ter certeza de que a nossa cobertura nãoé paga pelos fabricantes de armas, pelas grandes indústrias farmacêuticas ou ascompanhias de petróleo, gás e carvão. Precisamos da sua ajuda hoje. Nós sópodemos fazer isso (cobrir eventos no mundo inteiro) com a sua ajuda. A suacontribuição de impostos para Democracy Now! hoje é um investimento em jornalismoinvestigativo verdadeiro” Na página inicial do WikiLeaks, há mais do que umpedido, há denúncia: “Fomos forçados a temporariamente parar de publicardocumentos enquanto garantimos nossa sobrevivência financeira. Não podemospermitir que corporações financeiras americanas decidam como todo o mundo deveusar seu dinheiro para votar através de doações. Nossas batalhas são caras. Enós precisamos do seu apoio para vencer essa guerra. Doe agora para oWikiLeaks.” A boa notícia é que o Brasil está atento a essa necessidade e acabade chegar à pauta do Congresso a proposta de financiamento de mídiasalternativas.&lt;br /&gt;Na véspera das férias parlamentares, comissão cria grupo de deputados paradiscutir formas de sustentação financeira de rádios comunitárias, blogs eportais na internet. Iniciativa é de deputada do PCdoB, Luciana Santos (PE),partido que sofreu com denúncias de desvio ético disparadas pela imprensatradicional. Denúncias indevidas que já foram desmentidas, importante informar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-4664116882639433265?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/4664116882639433265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/12/imprensa-alternativa-passa-o-chapeu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4664116882639433265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4664116882639433265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/12/imprensa-alternativa-passa-o-chapeu.html' title='IMPRENSA ALTERNATIVA “PASSA O CHAPÉU” PARA SOBREVIVER'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-5357908759668390068</id><published>2011-12-09T04:39:00.001-08:00</published><updated>2011-12-09T04:40:48.461-08:00</updated><title type='text'>O EMBLEMA DO CHE</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Perante certas manifestações comrelação às medidas adotadas pelo governo para estimular a economia, de modo asalvaguardar o país da crise global, principalmente aquelas que tratam taisiniciativas como inescrupulosas, argumentando que o incentivo ao crédito podeser caracterizado como um “banditismo contra os que não pensam”, parece-me umacrítica carregada de preconceitos na direção dos setores mais pobres dasociedade. Omite-se, nesse caso, que desde 2007, por causa do crescimento da economianos moldes citados, a multiplicação dos milionários no Brasil se expande àrazão de 19 por dia. Tal fato é resultado do crescimento do Produto BrutoInterno (PIB) e das taxas de consumo, que se estende a toda população. Apergunta seria: Por que os ricos podem ter acesso ao consumo e os pobres não? Éerrado diminuir os impostos para desonerar os produtos? Não era isso que apopulação reivindicava? Vou esgrimir uma resposta: a economia política não éuma ciência neutra, seus postulados teóricos, prognósticos e receitas sãofortemente influenciados pelos interesses de classe. O que orienta certoscomentários não é a ciência econômica, e sim juízos de valor que criminalizamações distributivas. Esses dias, um grande amigo meu, mas dialeticamenteopositor, me perguntou em tom de gozação por que colei o emblema do Che Guevarana caçamba da minha camionete. Na verdade, o que deveria questionar seria minhaorigem burguesa igualzinha ao Che. Nesse caso, farei a justificativa sem conotaçãoacadêmica. Será feita através de uma pequena história, sem recorrer aos“clichês” de autoajuda, bem longe da minha praia, e que todo bom entendedor poderáinterpretar. &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Uma senhora de classe média alta,professora universitária com pós-doutorado em História, estava aguardando opróximo vôo para Curitiba no aeroporto de São Paulo. Nesse intervalo comprou umpacote de bolachas para saborear na espera. Próximo dela sentou-se um rapaz demochila e bem vestido, com uma camiseta que tinha o emblema do Che Guevara. Nummomento determinado, o garoto abriu o pacote e pegou uma bolacha para comer. Aprofessora indignada observou-o atônita – Olha que desfaçatez – pensou – como épossível uma coisa dessas. Como pessoa acostumada à discrição condizente à suaclasse social, usou a alternativa de também pegar do pacote uma bolacha para comer,sem questionar a atitude de seu ocasional acompanhante. Uma situação engraçada,por sinal. Sentados lado a lado, sem olhar-se e compartilhando as guloseimas. Éclaro que o desconforto maior era da professora. Mas, nessa altura, fazer oque? E assim foi até o final.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Pela regra matemática a últimabolacha corresponderia ao rapaz descontraído. Foi assim que ele pegou a bolacha,a dividiu ao meio, deixou exatamente a metade no pacote e foi emboraalegremente. Claro que a professora ignorou a gentileza. Mas teria uma históriabastante extravagante para contar a seus colegas da universidade. Quando chegoua hora de embarcar, a professora encarou a fila rumo ao avião. Caminhou pelocorredor até localizar seu assento. Abriu o bagageiro e, quando tentou colocara bolsa no mesmo, caíram seus pertences, entre eles o pacote de bolacha intactoque tinha comprado no Café do aeroporto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&amp;nbsp;Sociólogo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-5357908759668390068?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/5357908759668390068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/12/o-emblema-do-che.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/5357908759668390068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/5357908759668390068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/12/o-emblema-do-che.html' title='O EMBLEMA DO CHE'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-7921979578794677240</id><published>2011-11-09T05:35:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T05:36:38.909-08:00</updated><title type='text'>O PODER PERMANENTE DE DERRUBAR GOVERNOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A corrupção do sistema político merece uma reflexão para além das manchetes dos jornais tradicionais. Em especial neste momento que o país vive, quando a nova democracia completou 26 anos e a política, que é a sua base de representação, se desgasta perante a opinião pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o exato momento em que os valores democráticos devem prevalecer sobre todas as discordâncias partidárias, pois chegou no limite de uma escolha: ou diagnostica e aperfeiçoa o sistema político, ou verá sucumbi-lo perante o descrédito dos cidadãos.&lt;br /&gt;Por Maria Inês Nassif (*)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O país pós-redemocratização passou por um governo que foi um fracasso no combate à inflação, um primeiro presidente eleito pelo voto direto pós-ditadura apeado do poder por denúncias de corrupção, dois governos tucanos que, com uma política antiinflacionária exitosa, conseguiram colocar o país no trilho do neoliberalismo que já havia grassado o mundo, e por fim dois governos do PT, um partido de difícil assimilação por parcela da população. Nesse período, a mídia incorporou como poder próprio o julgamento e o sentenciamento moral, numa magnitude tal que vai contra qualquer bom senso.Este é um assunto difícil porque pode ser facilmente interpretado como uma defesa da corrupção, e não é. Ou como questionamento à liberdade de imprensa, e está longe disso. O que se deve colocar na mesa, para discussão, é até onde vai à legitimidade da mídia tradicional brasileira para exercer uma função fiscalizadora que invade áreas que não lhes são próprias. Existe um limite tênue entre o exercício da liberdade de imprensa na fiscalização da política e a usurpação do poder de outras instituições da República.&lt;br /&gt;Outra questão que preocupa muito é que a discussão emocional, fulanizada, mantida pelos jornais e revistas também como um recurso de marketing, têm como maior saldo manter o sistema político tal como é. É impossível uma discussão mais profunda nesses termos: a escandalização da política e a demonização de políticos trata-os como intrinsecamente corruptos, como pessoas de baixa moral que procuram na atividade política uma forma de enriquecimento privado. Ninguém se pergunta como os partidos sobrevivem mantidos por dinheiro privado e que tipo de concessão tem que fazer ao sistema.&lt;br /&gt;Desde Antonio Gramsci, o pensador comunista italiano que morreu na masmorra de Mussolini, a expressão “nenhuma informação é inocente” tem pontuado os estudos sobre o papel da imprensa na formulação de sensos comuns que ganham a hegemonia na sociedade. Gramsci já usava o termo “jornalismo marrom” para designar os surtos de pânico promovidos pela mídia, de forma a ganhar a guerra da opinião pública pelo medo. No Brasil atual, duas grandes crises de pânico foram alimentadas pela mídia tradicional brasileira no passado recente. Em 2002, nas eleições em que o PT seria vitorioso contra o candidato do governo FHC, a mídia claramente mediou a pressão dos mercados financeiros contra o candidato favorito, Luiz Inácio Lula da Silva. Tratava-se, no início, de fixar como senso comum a referência “ou José Serra [o candidato tucano] ou o caos”. Depois, a meta era obrigar Lula e o PT ao recuo programático, garantindo assim a abertura do mercado financeiro, recém-completada, para os capitais internacionais. Em 2005, na época do chamado “mensalão”, o discurso do caos foi redirecionado para a corrupção. Politicamente, era uma chance fantástica para a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a única alternativa para se contrapor a um líder carismático em popularidade crescente era tirar de seu partido, o PT, a bandeira da moralidade. A ofensiva da imprensa, nesse caso, não foi apenas mediadora de interesses. A mídia não apenas mediava, mas pautava a oposição e era pautada por ela, num processo de retroalimentação em que ela própria [a mídia] passou a suprir a fragilidade dos partidos oposicionistas. Ao longo desse período, tornou-se uma referência de poder político, paralelo ao instituído pelo voto.&lt;br /&gt;Eleita Dilma Rousseff, a oposição institucional declinou mais ainda, num país que historicamente voto e poder caminham juntos, e ao que tudo indica a mídia assumiu com mais vigor não apenas o papel de poder político, mas de bancada paralela. Dilma está se tornando uma máquina de demitir ministros. Nas primeiras demissões, a ofensiva da mídia deu a ela um pretexto para se livrar de aliados incômodos, nas complicadas negociações a que o Poder Executivo se vê obrigado em governos de coalizão num sistema partidário como o brasileiro. Caiu, todavia, numa armadilha: ao ceder ministros, está reforçando o poder paralelo da mídia; em vez de virar refém de partidos políticos que, de fato, têm deficiências orgânicas sérias, tornou-se refém da própria mídia.&lt;br /&gt;As ondas de pânico criadas em torno de casos de corrupção, desde Collor, têm servido mais a desqualificar a política do que propriamente moralizar a nossa democracia. Mais uma vez, volto à frase de Gramsci: não existe notícia inocente. O Brasil saído da ditadura já trazia, como herança, um sistema político com problemas que remontam à Colônia. O compadrio, o mandonismo e o coronelismo são a expressão clássica do que hoje se conhece por nepotismo, privatização da máquina pública e falha separação entre o público e o privado. A política tem sido constituída sobre essas bases e, depois de cada momento autoritário e a cada período de redemocratização no país, seus problemas se desnudam, soluções paliativas são dadas e a cultura fica. Por que fica? Porque é a fonte de poderes – poderes privados que podem se sobrepor ao poder público legitimamente constituído.&lt;br /&gt;O sistema político é mantido por interesses privados, e é de interesse de gregos e troianos que assim permaneça. Segundo levantamento feito pela Comissão Especial da Câmara que analisa a reforma política, cerca de 360 deputados, em 513, foram eleitos porque fizeram as mais caras campanhas eleitorais de seus estados. Com dinheiro privado. Em sã consciência, com quem eles têm compromissos? Eles apenas tiveram acesso aos instrumentos midiáticos e de marketing políticos cada vez mais sofisticados porque foram financiados pelo poder econômico. É o interesse privado quem define se o dinheiro doado aos candidatos e partidos é lícito ou ilícito. O dinheiro do caixa dois passou a fazer parte desse sistema. Não existe nenhum partido, hoje, que consiga se financiar privadamente – como define a legislação brasileira – sem se envolver com o dinheiro das empresas; e são remotíssimas as chances de um político financiado pelo poder privado escapar de um caixa dois, porque normalmente é o caixa dois das empresas que está disponível. Num sistema eleitoral onde o dinheiro privado, lícito e ilícito, é o principal financiador das eleições, ocorre a primeira captura do sistema político pelo poder privado. E isso não acaba mais. Esse é o âmago de nosso sistema político. A democratização trouxe coisas fantásticas para a política brasileira, como o voto do analfabeto, a ampla liberdade de organização partidária e a garantia do voto. Mas falhou no aperfeiçoamento de um sistema que obrigatoriamente teria de ser revisto, no momento em que o poder do voto foi restabelecido pela Constituição de 1988.&lt;br /&gt;Num sistema como esse, por qualquer lado que se mexa é possível desenrolar histórias da promiscuidade entre o poder público e o dinheiro privado. Por que isso não entra, pelo menos, em discussão? Acredito que a situação permaneça porque, ao fim e ao cabo, ela mantém o poder político sob o permanente poder de chantagem privado. De um lado, os financiadores de campanhas se apoderam de parcela de poder. De outro, um sistema imperfeito torna facilmente capturável o poder do voto também por aparelhos privados de ideologia, como a mídia. Como nenhuma notícia é inocente, a própria pauta leva a relações particulares entre políticos e o poder econômico, ou entre a máquina pública e o partido político. A guerra permanente entre um governo eleito que tem a oposição de uma mídia dominante é alimentada pelo sistema.&lt;br /&gt;O apoderamento da imprensa é ainda maior. Se, de um lado, a pauta expressa seu imenso poder sobre a política brasileira, ela não cumpre o papel de apontar soluções para o problema. Não existe intenção de melhorá-lo, de atacar as verdadeiras causas da corrupção. Apesar da imensa caça às bruxas movida pela mídia contra os governos, em nenhum momento essa sucessão de escândalos, reais ou não, incluíram seriamente a opinião pública num debate sobre a razão pela qual um sistema inteiro é apropriado pelo poder privado, inclusive e principalmente porque não se questiona o direito de apropriação do poder público pelo poder privado. A mídia tradicional não fez um debate sério sobre financiamento de campanha; não dá a importância devida à lei do colarinho branco; colocou a CPMF, que poderia ser um importante instrumento contra o dinheiro ilícito que inclusive financia campanhas eleitorais, no rol da campanha contra uma pretensa carga insuportável de impostos que o brasileiro paga. Pode fazer isso por superficialidade no trato das informações, por falta de entendimento das causas da corrupção – mas qualquer boa intenção que porventura exista é anulada pelo fato de que é este o sistema que permite à imprensa capturar, para ela, parte do poder de instituições democráticas devidamente constituídas para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) Texto apresentado no Seminário Internacional sobre a Corrupção, dia 7 de novembro de 2011, em Porto Alegre.&lt;br /&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-7921979578794677240?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/7921979578794677240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/11/o-poder-permanente-de-derrubar-governos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7921979578794677240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7921979578794677240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/11/o-poder-permanente-de-derrubar-governos.html' title='O PODER PERMANENTE DE DERRUBAR GOVERNOS'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-4674750330676836168</id><published>2011-10-27T13:51:00.000-07:00</published><updated>2011-10-27T13:52:38.352-07:00</updated><title type='text'>O BEIJO DE JUDAS DO ANJO DA MORTE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Justiça Argentina condenou no dia 26 de outubro à noite 18 militares por crimes contra a humanidade cometida durante a ditadura militar na década de 70. A decisão ocorreu após oito anos do fim das leis de anistia. O julgamento torna-se um marco histórico na luta pelos direitos humanos em América Latina, que revive os anelos das “Mães da Praça de Maio” na procura por justiça, reunindo o maior número de militares como réus desde que as leis que anistiavam os oficiais da última ditadura argentina foram revogadas, em 2003.&lt;br /&gt;As investigações sobre os crimes cometidos na Escola de Mecânica da Armada (Esma) iniciaram-se nos anos 80, após o país ser redemocratizado. O inquérito foi arquivado com as leis do Ponto Final (1986) e da Obediência Devida (1987). As leis que anistiaram os militares acusados de torturas e homicídios foram promulgadas durante o governo do presidente Raul Alfonsín (1983-1989). No entanto, em 2003, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei do então presidente Nestor Kirchner (2003-2007) que permitiu o retorno dos julgamentos, fazendo com que a Justiça declarasse inconstitucionais os indultos dados pelo ex-presidente Carlos Menem (1989-1999) beneficiando repressores e ex-guerrilheiros.&lt;br /&gt;Durante o julgamento, os oficiais foram responsabilizados por torturas e mortes nas dependências da Esma, situada na região central de Buenos Aires, que se plasmou numa condena por crimes contra 86 pessoas, das quais 28 continuam desaparecidas e cinco assassinadas com contornos de crueldade extrema. Tal decisão por parte da Justiça foi resultado de 22 meses de investigação, com mais de 160 testemunhas. No veredito final, a Escola de Mecânica da Armada foi declarada por entidades de direitos humanos como “um dos maiores centros de detenção clandestina e de extermínio” criados pela ditadura militar em solo argentino. Na leitura da sentença, o juiz deixou muito claro que os réus foram “condenados por perseguições, homicídio qualificado e roubo de bens das vítimas”.&lt;br /&gt;Entre estes, encontra-se ex-capitão Alfredo Astiz, conhecido como “Anjo da Morte”. Em dezembro de 1977, Dona Nélida, uma “Mãe da Praça de Maio”, depois de presenciar um seqüestro de vários militantes por um grupo de tarefas da marinha, se lembrou de um rapaz loiro, Gustavo Niño, sempre próximo às mães e suposto irmão de uma desaparecida, que se despediu dela com um beijo no rosto, e que poderia ter sido seqüestrado nesse dia. Quando algum tempo depois soube através do noticiário France Press que Gustavo, além de outros vários nomes e apelidos, entre eles “O Corvo” e o “Angel Loiro”, se chamava Alfredo Astiz, membro dos Serviços de Inteligência da Marinha, infiltrado nos grupos de mães de desaparecidos, sentiu em todo seu corpo o espanto e a violência daquele beijo de Judas. Alfredo Astiz, o “Anjo da Morte”, personifica aquilo que existe de pior num ser humano. Essa figura pavorosa é apenas uma peça na máquina infernal do mundo dos torturadores. A justiça Argentina não está fazendo mais nada do que atualizar e reparar a incapacidade e conivência com os regimes da época, para que isso nunca mais aconteça no futuro.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-4674750330676836168?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/4674750330676836168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/10/o-beijo-de-judas-do-anjo-da-morte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4674750330676836168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4674750330676836168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/10/o-beijo-de-judas-do-anjo-da-morte.html' title='O BEIJO DE JUDAS DO ANJO DA MORTE'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-298843805041863513</id><published>2011-10-27T10:16:00.000-07:00</published><updated>2011-10-27T10:24:15.385-07:00</updated><title type='text'>EMIR SADER: O SIGNIFICADO DA VITÓRIA DE CRISTINA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todos os que seguem a situação argentina sabiam, desde pelo menos um ano e meio, que o governo de Cristina Kirchner havia recuperado grande apoio popular e teria continuidade. Só poderia ser “surpresa” para os que foram vítimas dos seus próprios clichês, denegrindo a imagem da Argentina e do seu governo. Agora não sabem como explicar uma vitória tão contundente, no primeiro turno, com uma diferença de mais de 8 milhões de votos para o segundo colocado.&lt;br /&gt;A vitória de Cristina tem o mesmo sentido da vitória de Dilma. Pela primeira vez, nos dois países, uma mesma corrente obtém, pelo voto popular, um terceiro mandato. Vitórias fundadas em políticas econômicas que permitiram a retomada do crescimento da economia – depois das recessões provocadas por governos neoliberais, Menem lá, FHC por aqui – articuladas estruturalmente com políticas sociais de distribuição de renda.&lt;br /&gt;No caso argentino, a crise de 2005 aqui, foi a de 2008 lá, com a reação violenta dos produtores rurais ao projeto de lei de elevação do imposto de exportação. Em aliança com a conservadora classe média de Buenos Aires, fizeram com o que o governo perdesse parte substancial do seu apoio e terminasse derrotado na votação do Congresso. Essa derrota se desdobrou numa derrota eleitoral, quando já se sentiam os efeitos da crise internacional.Tal como aqui, a oposição acreditou que havia desferido um golpe mortal nos Kirchner e se preparava já para voltar ao governo, em meio a disputas enormes entre todas as suas tendências, unidas na oposição e na ambição de sucedê-los no governo.&lt;br /&gt;Para surpresa da oposição, o governo reagiu positivamente – como aqui – diante dos efeitos da crise, com políticas anticíclicas e renovando suas políticas sociais. Os reflexos não tardaram a surgir e o governo passou a reconquistar apoio popular, até que, a partir do ano passado, tendo recuperado iniciativa, voltou a aparecer como o grande agente nacional contra a crise. Dois fatores vieram consolidar essa reação. O primeiro, as comemorações do bicentenário da independência argentina, que despertou grande fervor popular, especialmente em amplos setores da juventude, capitalizados evidentemente pelo peronismo, com sua tradicional marca nacionalista.&lt;br /&gt;O outro, foi a súbita morte de Néstor Kirchner, que alguns previram – lá e cá – que seria um golpe definitivo no kirchnerismo. Nesse momento, Cristina se assumiu como estadista à altura daquele momento crucial da historia argentina, dado que Néstor era o candidato à sua sucessão e o maior dirigente político do processo que ele mesmo havia iniciado. Cristina fez daquela perda um momento de afirmação do processo político protagonizado por Néstor e por ela, no bojo da recuperação do apoio popular, que tinha seu fundamento no sucesso das novas iniciativas de políticas sociais – bolsas para a infância, para a terceira idade, para os desempregados, entre outras iniciativas. Enquanto isso, a oposição se digladiava, conforme via a recuperação do prestígio do governo, na disputa pela sucessão presidencial, em um processo suicida, que veio complementar o cenário político que foi tornando Cristina cada vez mais favorita para triunfar, até mesmo no primeiro turno. As prévias eleitorais de agosto, finalmente, cristalizaram todas essas tendências, permitindo prever as melhores perspectivas para Cristina, que se confirmaram plenamente nas eleições de domingo (23). Cristina teve um triunfo esmagador, além de recuperar a maioria na Câmara e aumentar no Senado, e eleger oito dos nove governos estaduais em jogo.&lt;br /&gt;Ela triunfa e a oposição, dividida entre vários candidatos, sofre sua maior derrota, deixando o campo aberto para novos e grandes avanços do governo. Lá, como aqui, a segunda década do século 21 estende a vigência de um governo que busca alternativas de superação do neoliberalismo, nas condições da herança pesada que ambos receberam, avançando na direção do pós-neoliberalismo. Consolida-se o campo progressista latino-americano, confirmando que essa é a vida das forças populares para a superação das desigualdades e injustiças, para o fortalecimento da integração regional e para a afirmação de uma América Latina soberana.&lt;br /&gt;Por Emir Sader&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-298843805041863513?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/298843805041863513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/10/emir-sader-o-significado-da-vitoria-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/298843805041863513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/298843805041863513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/10/emir-sader-o-significado-da-vitoria-de.html' title='EMIR SADER: O SIGNIFICADO DA VITÓRIA DE CRISTINA'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-2007076303396068356</id><published>2011-08-09T13:28:00.000-07:00</published><updated>2011-08-09T13:29:54.895-07:00</updated><title type='text'>PLANO BRASIL MAIOR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O novo plano de política industrial apresentado na semana passada pelo governo federal foi, segundo o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) Fernando Pimentel “uma resposta contemporânea de política de desenvolvimento produtivo”´. Estas palavras encerram um conteúdo simbólico extraordinário, porque representam o epitáfio definitivo do modelo econômico neoliberal nas nossas terras nativas. O lema do Plano Brasil Maior: ”Inovar para competir, competir para crescer”, condensa o ressurgimento de um projeto nacional tantas vezes criminalizado pelos ideólogos do monetarismo e do livre mercado. A retomada do crescimento e do investimento nestes últimos anos não é consequência apenas de um processo linear e a-histórico, e sim resultado de uma constante batalha contra a competição desonesta e a desvalorização artificial do dólar, arma usada recentemente pelos Estados Unidos de forma desleal.&lt;br /&gt;O ministro foi enfático ao dizer que o sucesso da industrialização, distante do que alguns teóricos liberais pensam, não foi por causa da “mão invisível do mercado”, e sim produto do esforço dos povos na construção de “modernos estados nacionais, com poder de comando sobre seu território”. Tal capacidade permitirá ao Brasil desenvolver uma série de estímulos à competitividade da indústria nacional, tais como a desoneração de tributos e redução de impostos sobre produtos industrializados, sem necessidade de se sujeitar ao monitoramento externo ou restrições econômicas, que tradicionalmente pesaram sobre a arrecadação necessária para investimentos e geração de emprego.&lt;br /&gt;Neste contexto, o Brasil começa a desbravar o caminho para um novo salto da produtividade do trabalho por meio da inovação tecnológica. Por um lado, nosso país possui a garantia de um mercado interno em expansão, com vastos recursos energéticos e grande capacidade de compras públicas, além de um formidável vigor empresarial e força potencial de trabalho em franco desenvolvimento. &lt;br /&gt;E por outro, a proteção mais importante que Brasil e os demais países de América Latina conseguiram nestes últimos anos, foi a emergente independência das instituições financeiras tuteladas por Washington, emblematicamente caracterizada na oposição à implantação da Área de Livre Comércio das Américas, sonho corporativista dos Estados Unidos para impor um mercado assimétrico em seu próprio benefício. A profunda crise que aquele país está vivendo, em parte é resultado de haver perdido a hegemonia sobre os países pobres, usando o FMI e o Banco Mundial como forma de ganhar dinheiro fácil, à custa de dívidas eternas e impagáveis. Quando a fonte seca a crise chega de forma incontrolável. O FMI, cujo poder foi supremo nas décadas de 80 e 90, em que América Latina representava 80% da totalidade dos empréstimos dessa instituição, hoje não passa de 1%. Pior ainda, em apenas três anos, os empréstimos do FMI em todo o mundo foram reduzidos de 81 bilhões de dólares para apenas 11,8 bilhões. Ambas instituições transformaram-se em párias globais. O sacrifício descomunal de América Latina contra a extorsão dessa burocracia transnacional, finalmente rende seus frutos.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-2007076303396068356?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/2007076303396068356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/08/plano-brasil-maior.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/2007076303396068356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/2007076303396068356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/08/plano-brasil-maior.html' title='PLANO BRASIL MAIOR'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-6344852186118557671</id><published>2011-07-27T12:01:00.000-07:00</published><updated>2011-07-27T12:02:30.347-07:00</updated><title type='text'>CORRUPÇÃO &amp; DESENVOLVIMENTO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O tema da corrupção tomou conta dos principais manchetes e artigos publicados na mídia nacional – fato de grave importância, por sinal – mas que não deve deixar de lado outros acontecimentos que também afetam o cotidiano da população brasileira. Não existe qualquer justificativa para atenuar o comportamento corrupto na política nacional, porém é necessário vincular tal atitude a todo um processo histórico que compromete sucessivos governos anteriores. Só basta lembrar o processo de privatizações escandalosas que permitiram canibalizar grande parte do nosso patrimônio nacional, se for usado o tema como critério de discussão. O articulista Marco Aurélio Weissheimer, de Carta Maior, foi muito claro ao dizer que na falta de alternativas, opta-se por abraçar a bandeira da corrupção, esquecendo-se do compromisso de divulgar outras, de modo que a população possua opções de avaliação para entender a realidade social e econômica do país. Vamos citar alguns fatos recentes que estão mudando a cara do Brasil, em contraste com um mundo derrotado por um modelo inspirado em “picaretas de carteirinha”, artífices do “dreno de bilhões de dólares da economia real”, que penalizaram aqueles que vivem apenas da renda de seu trabalho.&lt;br /&gt;No entanto, apesar da crise do capitalismo globalizado, o Brasil teve em junho a menor taxa de desemprego desde o início da série histórica da pesquisa, em 2002, que corresponde a um índice de 6,2%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. De acordo com o relatório, o número de pessoas com carteira assinada no setor privado foi 10,8 milhões nesse mês. Comparado com o período do ano passado, tal aumento redunda na criação de 634 mil postos de trabalho formal. A menor curva de desemprego está relacionada ao aumento de consumo e da evolução do rendimento, que mostra um ganho real no poder de compra de pessoas com carteira assinada. Não existe mágica nisso, apenas uma melhor organização da economia, poucas vezes observada na história recente do nosso país.&lt;br /&gt;Por outro lado, tal situação se reflete na queda da desigualdade social de forma consecutiva, em relação à metade da população de miseráveis que existiam há oito anos, ou seja, 28 milhões de pessoas – que correspondem em índices a 15,32% dos brasileiros – sendo que tal resultado é consequência de investimentos diretos em educação e em programas sociais.&lt;br /&gt;Falando dos programas sociais, o Bolsa Família, uns dos pilares da luta contra a desigualdade, está sendo estudado pelo governo Chinês com o objetivo de melhorar as condições da população daquele país, tornando-se desse modo, um dos nossos melhores produtos de exportação social. Deve-se também citar o microcrédito, que é um segmento de negócios no qual o Brasil lidera na América Latina. O Banco do Nordeste do Brasil – BNB, mediante o programa Crediamigo, fomenta a inclusão da população carente no processo produtivo da economia, incluindo-os no consumo social. Esta iniciativa, é bom ressaltar, é considerada pela revista “Microfinanzas Américas”, publicada pelo BID, o melhor programa de micro-finanças da América Latina. Orgulho para o Brasil no seu esforço rumo ao desenvolvimento.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-6344852186118557671?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/6344852186118557671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/07/corrupcao-desenvolvimento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6344852186118557671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6344852186118557671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/07/corrupcao-desenvolvimento.html' title='CORRUPÇÃO &amp; DESENVOLVIMENTO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-8347735720195704718</id><published>2011-07-27T12:00:00.000-07:00</published><updated>2011-07-27T12:01:01.078-07:00</updated><title type='text'>O PODER DA MÍDIA PARTIDÁRIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na medida em que a política perde seu conteúdo ideológico, os políticos vão se apropriando desta como plataforma para seus interesses particulares. Tanto é assim, que resulta natural que a prática política se transforme e dependa da exposição mediática para a construção do prestigio eleitoral. Os meios de comunicação de massa, sobretudo a televisão, ocupam um lugar privilegiado para denunciar e produzir uma suposta agenda para o debate na sociedade, escondendo no ritual mediático a comercialização da política, na qual a promessa partidária torna-se a matéria prima da democracia formal.&lt;br /&gt;A política, esvaziada de conteúdo, resume-se a uma luta por cargos e benefícios particulares, onde a disputa dos interesses sociais concretos se dilui num marco institucional corrompido, que sempre coloca fora da discussão os interesses hegemônicos disfarçados pelo discurso progressista. É assim como as posições políticas expressadas pelos respectivos partidos que se submetem ao jogo proposto pela democracia formal, evitam basear-se no confronto de ideias em relação a uma leitura da realidade, muito menos com argumentos que defendam os interesses sociais que representam. Uma das consequências fundamentais do esvaziamento da política é o distanciamento do homem comum desta prática. Sua apatia e indiferença com os processos eleitorais, em que tais democracias condicionadas pelo poder mediático se expressam, terminam provocando o pior que pode acontecer no corpo da sociedade, a separação perigosa entre o sistema político e o coletivo social.&lt;br /&gt;Quando o interesse da população diminui em relação ao mundo da política – aprofundando a desconfiança nos representantes e limitando a filiação aos próprios partidos – os políticos precisam mais do que nunca da influência das forças mediáticas para ganhar e reter o apoio do eleitorado. Uma matéria favorável ou uma aparição na televisão, por exemplo, equivale a uma comunicação gratuita com milhares de indivíduos impactados através da mídia, que tem como resultado um efeito de convencimento maior do que a propaganda paga. Produze-se assim um ciclo realimentado entre a exclusão política e o poder crescente dos grupos mais poderosos da sociedade, que tem na classe política seus principais cúmplices.&lt;br /&gt;A questão democrática sempre foi historicamente um fato central em relação à expressão dos interesses populares. Em outras palavras, as liberdades eleitorais sempre foram, durante décadas, um risco ao continuísmo dos interesses dominantes. Nessa configuração é que devemos encontrar a resposta ao fenômeno das sucessivas ditaduras militares no continente latinoamericano. A contradição entre a democracia formal – que é a outra cara complementar do mercado – e a democracia real, de conteúdo, na qual a política não é alheia ao que sucede ao conjunto do povo, torna-se imprescindível ser entendida politicamente. Estas duas formas distintas de conceber a democracia existem, mas não são idênticas. A formal tem como condicionante o enraizamento da exclusão política. A real, por outro lado, é a que viabiliza a liberdade das maiorias de escolher um governo verdadeiramente popular e democrático.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-8347735720195704718?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/8347735720195704718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/07/o-poder-da-midia-partidaria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8347735720195704718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8347735720195704718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/07/o-poder-da-midia-partidaria.html' title='O PODER DA MÍDIA PARTIDÁRIA'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-6701697293314642614</id><published>2011-07-27T11:58:00.000-07:00</published><updated>2011-07-27T11:59:50.513-07:00</updated><title type='text'>A VOLTA DO ESTADO BENFEITOR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Durante muito tempo o povo brasileiro se alimentou de frases feitas para sentenciar qualquer tipo de evento vinculado ao comportamento humano. Os mais intelectualizados citam filósofos gregos para discutir os caminhos da ética e seus limites. Outros, sem esconder o fascínio que lhes produz o império americano, recorrem aos provérbios e citações carregados de clichês de seus sucessivos presidentes, desde Abraham Lincoln até aqueles que permearam durante décadas o imaginário coletivo latinoamericano, sedimentados em grupos com profundo complexo de “vira latas”, incapazes de sentir orgulho de seus heróis nativos.&lt;br /&gt;Não vou negar minha antipatia pelo imperialismo cultural, porém, vou aproveitar este enlace para relembrar parte do discurso de posse do falecido presidente norteamericano Ronald Reagan em 1981: “Na atual crise, o Estado não é a solução para nosso problema; o Estado é o problema”. A partir dessa conceituação, tal senhor assentou as bases de um modelo econômico mundial que, perante seu fracasso incontestável, encaminhou-se na direção de seu próprio suicídio. O capitalismo revisitado tal vez seja a única opção de sobrevivência. A falsidade da frase presidencial encontra-se exatamente no seu contrário: “O Estado não é o problema, o Estado é a solução”.&lt;br /&gt;Como iniciativa de socialização política, o liberalismo volta a colapsar historicamente, no sentido de ser oficializado como modelo organizador da sociedade, principalmente por sua incapacidade de gerenciar o mercado. Nisso consiste a atual crise do capitalismo, marcado pelo fracasso de sua proposta civilizatória, pela fraqueza de seus princípios e pela contradição de suas instituições. O caso norteamericano é um exemplo do esgotamento dos incentivos financeiros injetados nos países ricos de forma a atenuar a crise, da qual o próprio mercado desregulado é o culpável. Em 2009, o governo federal dos Estados Unidos teve um déficit fiscal de 1,5 trilhões de dólares, sendo que a Reserva Federal teve que gastar 1,5 trilhões de dólares para comprar dívidas de hipotecas, de modo a evitar o colapso do mercado. Tais políticas de estímulo para salvar o mundo capitalista de bancarrota estão cercadas por sua própria ineficiência. A explosão da dívida pública grega, não só afeta os países devedores mais vulneráveis, mas também os seus principais credores, principalmente na acumulação de ativos de crédito-lixo. Desse modo, o Estado termina comprometendo sua generosidade através das únicas opções possíveis, cortes de gastos, reduções salariais, aumentos nas taxas de juros, contração produtiva e estagnação econômica, atendendo assim as exigências dos credores globais. O pretenso modelo autorregulatorio neoliberal se desmorona na sua própria construção ideológica. Não estamos falando da volta ao século passado, quando as crises eram resolvidas de forma autoritária através da intervenção e regulação por parte do Estado todo-poderoso. No entanto, como alternativa, pode-se recorrer a medidas políticas adotadas por alguns governos latinoamericanos, que conseguiram ultrapassar a crise e criar novos horizontes econômicos para um futuro sustentável. &lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-6701697293314642614?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/6701697293314642614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/07/volta-do-estado-benfeitor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6701697293314642614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6701697293314642614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/07/volta-do-estado-benfeitor.html' title='A VOLTA DO ESTADO BENFEITOR'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-6804281577998276390</id><published>2011-07-27T11:57:00.000-07:00</published><updated>2011-07-27T11:58:25.739-07:00</updated><title type='text'>O VIGOR CRIATIVO DE AMÉRICA LATINA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em 09/05/2007 a revista Veja, com sua soberba característica, publicou um artigo intitulado “O retorno do idiota”, escrito por Álvaro Vargas Llosa, diretor do “Centro para a Prosperidade Global”, no qual fazia uma análise das políticas adotadas por alguns países da região, que explicitamente se confrontavam com as ideias da onda neoliberal vigente na época. Tal artigo tinha como objetivo ridicularizar as iniciativas econômicas dos governantes locais, dedicados, segundo o texto, a criar empecilhos com “métodos ineficazes adotados pelas novas gerações de revolucionários”, que surgiram com promessas populistas para sabotar um projeto assentado na prosperidade e oportunidade para todos. Vargas Llosa finaliza sua análise fajuta criminalizando tais iniciativas, explicando que tal comportamento era resultado do “ego fraco dos nossos povos” “profundamente ressentidos” por não ter acesso à mobilidade social. A realidade recente desmente categoricamente tal argumento, para sorte desta América Latina sofrida e humilhada durante tanto tempo.&lt;br /&gt;O articulista citado reside nos Estados Unidos, e seguramente deve-se sentir incomodado com os cerca de 14 milhões de norte-americanos desempregados, cifra que eleva para 9,1% o total de trabalhadores naquela situação no país, resultado da fraca criação de postos de trabalho por parte do setor privado. No setor público, ao mesmo tempo, foram despedidos desde 2008 cerca de 446 mil funcionários, sobretudo na Educação, além de outros 28 mil trabalhadores estatais e municipais exonerados nestes últimos meses. Junta-se ao desemprego generalizado, o flagelo das pobreza extrema, que atingiu seu auge na cidade de Nova York, que já conta com 1,4 milhões de famintos – dos quais 40% são crianças – conforme revela a Coligação Contra a Fome daquela cidade. Vale ressaltar que o índice de pobreza entre os nova-iorquinos cresceu 14,2 e 15,8% em 2008 e 2009 respectivamente. Imagino em que situação psicológica encontra-se o ego destes indivíduos, sempre confiantes na retórica neoliberal.&lt;br /&gt;Por outro lado, no momento em que escrevo, as frentes de trabalho se espalham por todos os países latinoamericanos. A Organização Internacional do Trabalho – OIT, e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe - CEPAL, indicam uma forte recuperação econômica da nossa região. Tal constatação pode ser verificada na significativa queda na taxa de desemprego urbano, situada nos 7,3%, o que a transformou no índice mais baixo dos últimos 20 anos. A “nova geração de revolucionários” – epíteto burlesco usado por Vargas Llosa – delinearam vigorosas políticas anticíclicas que permitiram enfrentar a crise financeira internacional de 2008/2009, e que foram decisivas para a redução da vulnerabilidade e a posterior recuperação econômica. Tal iniciativa teve reflexos positivos na oferta de empregos e aumento da renda, concretizando-se num aumento médio de 6% no Brasil, Uruguai, Chile e Nicarágua, e a um nível entre 3% e 5% na Costa Rica, no México, Panamá e Peru. O presidente Obama deveria enviar seus economistas a fazerem um curso intensivo nas melhores universidades de América Latina. Quem sabe assim aprendem.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-6804281577998276390?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/6804281577998276390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/07/o-vigor-criativo-de-america-latina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6804281577998276390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6804281577998276390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/07/o-vigor-criativo-de-america-latina.html' title='O VIGOR CRIATIVO DE AMÉRICA LATINA'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-4609294750808165868</id><published>2011-07-27T11:55:00.000-07:00</published><updated>2011-07-27T11:57:11.656-07:00</updated><title type='text'>O LADO ESCURO DA ECONOMIA LIBERAL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me do famoso guru da empresa de consultoria McKinsey, Kenichi Ohmae, quando afirmou, nos finais dos anos 90 que “Os estados-nações converteram-se em unidades de operações artificiais, inviáveis mesmo em uma economia mundial”, ao tempo em que num ufanismo quase religioso sentenciava e enviava para a lixeira da história as identidades nacionais, sepultadas por uma nova era utilitarista e sem ideologias. Nessa oportunidade, o próprio Peter Drucker diria no seu livro “A Sociedade Pós-Capitalista”, que a obsolescência do estado significava um novo mundo sem crenças coletivas e baseado na economia global de mercado.&lt;br /&gt;No entanto, a civilização entrou no terceiro milênio descobrindo que o processo neoliberal tanto alardeado, não passara de um despotismo estrutural que reproduz a tradição ideológica do liberalismo econômico do século 19, que sempre tentou impor as forças irresistíveis do mercado sobre a soberania política das nações. A prova reside na onda de corrupção que atingiram os estados a partir da década de 90, que coincide com a aplicação de uma estratégia neoliberal - estreito noivado entre os delinqüentes públicos e a globalização - que causaram uma violenta concentração de renda por parte de grandes grupos privados não muito longe das organizações criminosas.&lt;br /&gt;A criminalidade que se aprofundou no tecido social constituiu-se numa teia de vínculos complexos entre as elites financeiras, políticos corruptos, traficantes de drogas e quadrilhas de delinqüentes internacionais. A ampla rede de parasitismo mundial numa escala jamais vista na história da humanidade é a hospedeira de seres monstruosos incapazes de qualquer ato civilizado. No leste europeu e na antiga União Soviética, a entrada desenfreada na economia de mercado provocou uma intensa decomposição cultural que propiciou a expansão da criminalidade. Por outro lado, em menos de uma década, o complexo urbano dos países latinoamericanos passou a ser um território ocupado por criminosos tão devastadores como as antigas ditaduras militares, onde grandes contingentes da população mais carente transformaram o crime num modo de sobrevivência, enquanto os grupos mais poderosos usavam as artimanhas do roubo institucionalizado na mais gritante impunidade.&lt;br /&gt;Segundo um relatório da ONU de 2009, as atividades criminosas das redes mafiosas mundiais produziram uma renda anual de um trilhão de dólares, produto de narcotráfico, tráfico de armas, prostituição, jogo clandestino e contrabando em escala infinita. No entanto, se somarmos a esta assustadora estatística os próprios negócios legais que servem para realizar lavagem de dinheiro ilícito, chega-se a valores em torno de quatro trilhões de dólares, o que significa aproximadamente 13% do Produto Mundial Bruto.&lt;br /&gt;Enquanto milhões de seres humanos continuam esperando pelas promessas da “emancipação social” de Peter Drucker ou de Francis Fukuyama, um novo panorama começa a se esboçar na sombra autoritária do sistema financeiro global, que é a descoberta de seu viés criminoso, e que precisa ser combatido de forma honesta pelas novas gerações de políticos comprometidos com a justiça social. &lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-4609294750808165868?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/4609294750808165868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/07/o-lado-escuro-da-economia-liberal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4609294750808165868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4609294750808165868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/07/o-lado-escuro-da-economia-liberal.html' title='O LADO ESCURO DA ECONOMIA LIBERAL'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-933746751294024027</id><published>2011-06-17T14:40:00.000-07:00</published><updated>2011-06-17T14:41:30.995-07:00</updated><title type='text'>EXISTE A IMPRENSA LIVRE?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando soube que a psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo jornal conservador O Estado de São Paulo por causa do artigo intitulado “Dois pesos...”, que falava sobre a "desqualificação" dos votos dos pobres, e considerado por aquele meio como um “delito de opinião”, tal fato me conduziu a fazer o seguinte questionamento: a liberdade de imprensa dos grandes meios de comunicação existe verdadeiramente, ou beneficia aos grupos de poder em detrimento daqueles que questionam sua parcialidade?&lt;br /&gt;Minha pergunta não está atrelada a uma “teoria da conspiração”, e sim a eventos vinculados aos subsistemas da sociedade, invisíveis aos usuários e úteis ao poder mediático. Este poder, por exemplo, exalta um discurso sobre a necessidade de melhores dirigentes políticos, ao mesmo tempo em que simplifica e banaliza todos os temas, procura culpáveis e inocentes, fomentando a frivolidade e estereótipos a seguir. Raramente os meios massivos resgatam o positivo dos governantes que atuam com honestidade, utilizando uma visão maniqueísta destinada a provocar uma participação induzida, geralmente centrada em meras opiniões. Nesse sentido, na medida em que a política é esvaziada ideologicamente e os políticos se apropriam dos partidos para atender seus interesses particulares, resulta lógico que essa prática dependa cada dia mais da alternativa mediática, principalmente daquela mais poderosa. Esta, por sua vez, no lugar de ser um meio de equilíbrio na discussão multipartidária, transforma-se no verdadeiro poder, descaracterizando-se como imprensa livre de atavismos, e o que é pior ainda, erigindo-se na detentora de uma visão unilateral.&lt;br /&gt;Como se logra tal condicionante? A fórmula está centrada no impacto do mediático na política através da construção do discurso. Não apenas pelo temor do discurso inconveniente, apesar de realista, senão também porque se coloca a moderação como regra, a neutralidade ideológica como pauta, e, sobretudo, pelas concessões que devem ser feitas ao modo de dizer as coisas. Na suposta imprensa livre, livre para decidir o que é certo ou errado, o discurso dos dirigentes partidários se disfarça e torna-se refém do politicamente correto. Nunca o discurso é o mais importante, porque sempre aparece como suspeito, viciado pelo pecado emblemático da corrupção intrínseca daqueles que disputam o poder. Tal suspeita jamais atinge aos verdadeiros poderosos grupos econômicos, que, na sua onipotência jornalística, usam a mídia para radicalizar posturas polarizadas, criminalizando ou descaracterizando inimigos, simplificando ao máximo os problemas, prestigiando desse modo aqueles da sua preferência.&lt;br /&gt;Entretanto, o poder mediático vai além do condicionamento do discurso. Reserva para si a confecção da agenda, ou seja, a temática a ser tratada, eliminando aqueles que a contradizem, enquanto veiculam seus posicionamentos como se fossem próprios da “opinião pública”. Raramente optam por causas difíceis de defender, determinando ordem de prioridades que em sua maioria não respondem às necessidades reais da sociedade, e que em seu conjunto jamais coincidem com os interesses dos excluídos.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-933746751294024027?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/933746751294024027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/06/existe-imprensa-livre_17.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/933746751294024027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/933746751294024027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/06/existe-imprensa-livre_17.html' title='EXISTE A IMPRENSA LIVRE?'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-4335628602106798256</id><published>2011-06-17T14:35:00.000-07:00</published><updated>2011-06-17T14:36:28.950-07:00</updated><title type='text'>BRASIL SEM MISÉRIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O programa “Brasil sem Miséria”, lançado pela presidenta Dilma Rousseff, e que foi uma das principais promessas enquanto era candidata, tem como objetivo tirar da pobreza extrema 16,2 milhões de pessoas, incluindo-as desse modo, por meio do consumo, às atividades econômicas da sociedade. Tal iniciativa, que excede a formatação do Bolsa Família, centrado em vastos programas de transferência de renda durante o governo anterior – ação imediata para tirar 20 milhões de pessoas da miséria – estabelece uma mudança qualitativa no sentido de incorporar e ampliar o acesso aos serviços públicos, qualificação profissional e oportunidades de emprego formal. A operacionalização do programa não surge apenas de uma conceituação partidária ou voluntarista, e sim da inclusão de todos os agentes públicos, aliados ou não, de modo a criar parcerias nos diferentes Estados da União, que permitam a ampliação do programa através de ações complementares de distribuição de renda e inclusão produtiva.&lt;br /&gt;O quadro atual de pobreza no Brasil está fixado na região Nordeste, que concentra 10 milhões de brasileiros extremadamente pobres, medido através do critério de renda ou de condições de sobrevivência. Os indicadores para avaliar a situação desses indivíduos – cujos recursos não excedem os R$70 por mês – que não possuem renda e vivem em locais sem banheiro próprio ou acesso a rede de água e esgoto, e que comportam uma família com até três crianças com menos de 14 anos, são suficientes para justificar a inclusão de 800 mil famílias no programa de transferência de renda do governo até 2013. Tal iniciativa, conforme o programa destaca, está centrada no objetivo principal de permitir que os extremadamente pobres tenham oportunidade de acesso aos milhões de vagas disponíveis de trabalho no país.&lt;br /&gt;De que forma o governo pretende aplicar na prática tais medidas? Existe um mapeamento preliminar realizado pela pasta da ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, que além da qualificação da mão-de-obra dos beneficiários do programa, tem como meta incentivar na área rural o aumento da produção da agricultura familiar, atendendo os agricultores por meio de assistência técnica em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, e pagamento de uma bolsa verde de $R 2.400,00. Tal mapa de oportunidades foi elaborado a partir da constatação de que dos 8,6 milhões de indivíduos extremadamente pobres das áreas urbanas, 52% deste total vive no Nordeste e 24% na região Sudeste. De uma população de 30 milhões de brasileiros residentes no campo, 7,59 milhões encontram-se na extrema pobreza, que corresponde a 25,5% desse total. Por outro lado, a extensão do programa “Brasil sem Miséria” para os centros urbanos está vinculada ao financiamento do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, que envolve os projetos habitacionais “Minha Casa, Minha Vida” e vagas do Programa de Desenvolvimento Produtivo – PDP do governo Federal. Tal é o papel de um Estado soberano: cumprir com a tarefa de resguardar sua capacidade de resposta social, principalmente para aqueles mais desprotegidos e invisíveis aos olhos dos mais privilegiados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-4335628602106798256?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/4335628602106798256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/06/brasil-sem-miseria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4335628602106798256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4335628602106798256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/06/brasil-sem-miseria.html' title='BRASIL SEM MISÉRIA'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-2889282371886741584</id><published>2011-06-17T14:34:00.000-07:00</published><updated>2011-06-17T14:35:08.586-07:00</updated><title type='text'>OS FUNDOS ABUTRES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando criticamos a política econômica dos nossos governos, muitas vezes esquecemos que durante muito tempo estivemos sujeitos a um processo interminável de reestruturação macroeconômica, acesso restrito a créditos e dolorosos cortes de gastos públicos, com um impacto dramático para aquelas pessoas em situação de pobreza extrema. O fluxo perverso de recursos de América latina para os países ricos teve, durante a “década perdida” de 1980, uma média de U$S 500 por homem, mulher e criança do continente, resultado de ajustes estruturais insuficientes para o crescimento e para uma saída honrosa da situação de inadimplência aos quais seus países estavam submetidos.&lt;br /&gt;Pressionados por protestos públicos, entre eles aquele realizado por 70 mil participantes da campanha do Jubileu 2000, na qual foi feito um círculo humano em torno do local onde estava sendo realizada a Cúpula do G8 em Birmingham, Reino Unido – forçando estes a incluir a questão da dívida na agenda da reunião – teve como resultado o lançamento de um programa de redução da dívida para os países pobres. Tanto é que, apesar dos credores continuarem tentando controlar os termos das negociações, muitos Estados conseguiram negociar melhores condições no trato da dívida. Esse foi o caso da Argentina, que jogou muito duro com o FMI e outros credores na crise de 2002, recuperando desse modo sua economia, que lhe permitiu crescer numa rapidez sem precedentes. Assim mesmo, os setores conservadores neoliberais trataram aquele país como caloteiro. Será mesmo verdade?&lt;br /&gt;Resulta importante relatar alguns acontecimentos no trato do alívio da divida, já que este é frequentemente reduzido pelo valor que os países pobres já pagaram pelos empréstimos contraídos. Foi o caso do governo nigeriano em 2004, que originariamente tinha feito um empréstimo de U$S 17 bilhões, tinha pago U$S 18 e ainda devia U$S 34 bilhões. Em 2005 fez um acordo que cancelou significativamente sua dívida, mas que exigiu que o país pagasse um sinal de U$S 12 bilhões de dólares adicionais. Nesse tipo de tratativas surge o filhote pródigo do modelo neoliberal: os “fundos abutres”.&lt;br /&gt;Em 1999, quando o Zâmbia, país africano, tentava negociar sua dívida com a Romênia, a empresa Donegal International, com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, apareceu do nada e comprou a totalidade da dívida – avaliada com juros em U$S 30 milhões – por apenas U$S 3,3 milhões. Imediatamente, tal empresa processou o governo de Zâmbia no Reino Unido para receber a totalidade da dívida incluindo os juros, que chegava a cifra espantosa de U$S 55 milhões. Atualmente, ainda circulam no mundo mais de 60 ações desse tipo movidas por “fundos abutres” – que chegam a totalizar U$S 1,9 bilhão – contra países muito pobres e endividados. A governança global, por descaso ou incompetência, é cúmplice desse processo, que representa um sofrimento humano desnecessário, além de exacerbar as crises e aumentar a desigualdade social. Tamanha tragédia é resultado da proteção insana de bancos e instituições capitalistas, que impõem profundos sacrifícios a aqueles menos preparados para enfrentá-los e mais frágeis para continuarem vivendo dignamente.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-2889282371886741584?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/2889282371886741584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/06/os-fundos-abutres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/2889282371886741584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/2889282371886741584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/06/os-fundos-abutres.html' title='OS FUNDOS ABUTRES'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-8598393810033447166</id><published>2011-06-17T14:32:00.000-07:00</published><updated>2011-06-17T14:33:44.879-07:00</updated><title type='text'>A RECONSTRUÇÃO DO PODER</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um dos maiores interrogantes manifestados pelos poucos intelectuais que ainda sobrevivem ao ataque neoliberal é definir o lugar do indivíduo na sua relação com a natureza, principalmente aquele que discute o significado do trabalho na vida individual e social. A redefinição dos critérios de progresso e desenvolvimento deve estabelecer uma escala de prioridades, que promova novos vínculos éticos, sociais e culturais, de modo a superar o estreito espaço da racionalidade e do reducionismo linear. Tal construção intelectual no deve se expressar apenas no mundo das ideias platônicas, senão da disputa concreta de interesses, enfrentando a uma oligarquia mundial disposta a perpetuar-se por meio de todas as artimanhas disponíveis. Tal proposta conduze-nos ao tema do Estado como nação soberana. O que significa isso para nós, cidadãos brasileiros?&lt;br /&gt;A matriz histórica desde Getúlio Vargas, sempre contemplou um forte vínculo entre Estado e Povo, cuja doutrina vertia quase que implicitamente a fusão de seus componentes, no qual um dependia fortemente do outro. O Estado cumpria um papel referencial para todas as ações coletivas, chegando, segundo seus mais furiosos críticos, muito além do limite paternalista que amolecia a iniciativa social. Entretanto, nestes últimos tempos dificilmente se escutam discursos que levantem a necessidade deste vínculo. O que impera de forma devastadora é a retórica que tenta impor ideologicamente a autonomia da sociedade civil em relação ao Estado. Mas esta nova forma de atuação política, confrontado Estado e Povo, terminaram por desnudar a debilidade da sociedade civil perante o mercado, que terminou impondo-lhe sua lógica. Nessa nova discussão que ressurge após o fracasso do estelionato neoliberal, devemos pensar se somos capazes de ajudar a reconstruir um Estado que tenha o suficiente poder em afiançar-se como uma ferramenta para a proteção e promoção dos interesses populares.&lt;br /&gt;Ao contrario do que o neoliberalismo sustentava, que diminuir o Estado era aumentar a nação, na realidade é exatamente o contrário, fortalecer o Estado é fortalecer a nação. Os laços estreitos entre Estado e Povo devem constituir-se na muralha contra o vínculo sociedade civil – mercado, no qual sempre a primeira sai perdendo. A prática da democracia só pode acontecer no seio do Estado efetivo, porque o regime político democrático encontra-se assentado nessa premissa. A democratização deve ser entendida não apenas como as regras formais de gestão da vida política através dos meios que correspondem a um Estado de direito, respeitoso do pluripartidarismo, senão também na construção das relações democráticas no âmbito da vida social. Dito em outras palavras, a condição necessária para corrigir o atual sistema de dominação transnacional, é a efetiva construção de uma democracia participativa, na qual interatuem os partidos políticos, movimentos e organizações populares, e qualquer outra forma de reivindicação enquanto esta não seja contrária aos interesses comunitários. É assim que o poder do povo deve ser reconstruído para que o país ganhe o status de nação soberana.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-8598393810033447166?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/8598393810033447166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/06/reconstrucao-do-poder.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8598393810033447166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8598393810033447166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/06/reconstrucao-do-poder.html' title='A RECONSTRUÇÃO DO PODER'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-1168422622450504760</id><published>2011-06-17T14:30:00.001-07:00</published><updated>2011-06-17T14:30:59.624-07:00</updated><title type='text'>ACUMULAÇÃO PRIMITIVA DA DEMOCRACIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Preocupado ainda com os resquícios autoritários que minam o inconsciente de muitos indivíduos, que aproveitam o surto inflacionário para alertar que precisamos de candidatos “preparados e não carismáticos” com qualidades centradas no “pulso firme e na reputação” e não em função de comportamentos “populistas” que resultem em crises como a apontada recentemente, gostaria de acentuar algumas considerações. Em primeiro lugar, a definição dos problemas originados pela inflação, sempre se configuram inicialmente como um processo de politização partidária, justamente por impactar aqueles setores da sociedade que mais sofrem com tal fenômeno. No entanto, os grupos que produzem o processo inflacionário, articulam o mesmo de tal forma que possam perpetuar seus interesses durante e depois dele, sem se preocuparem em construir um Brasil desenvolvido. De acordo com a avaliação clássica dos economistas, a inflação reduz o poder de compra da população e provoca um processo de inadimplência dos setores mais desprotegidos da sociedade. Se as pessoas pagam mais caro por alimentos, por outros produtos e pelos serviços, sobra menos dinheiro para pagar os empréstimos. Por outro lado, a expectativa de menor crescimento econômico leva à redução da renda e de postos de trabalho, o que também contribui para o crescimento da inadimplência. Tal situação termina sendo o caldo de cultivo para as manifestações de alguns setores de classe média usadas para desqualificar o consumo popular.&lt;br /&gt;Os discursos enlatados em expressões do tipo “quando faço compras, pago a vista” – de modo a evitar – “os juros extorsivos embutidos no produto”, são muito comuns entre indivíduos que ocupam uma situação privilegiada na sociedade, que é a de ter acesso ao consumo sem os limites de um salário restritivo. A grande maioria do povo trabalhador, diga-se de passo, os colaboradores imediatos na construção da riqueza do país, em geral não tem condições de fazerem compras à vista. O único recurso é fazê-lo a prazo. Tal comportamento deve entrar no campo da racionalidade econômica ou naquele do “apelo ao consumo” que o próprio modelo capitalista embute na sua propaganda?&lt;br /&gt;Não obstante, a situação relatada configura alguns dados interessantes. Consultorias que atuam na área econômica, afirmam que a inadimplência neste ano não será muito significativa, estimada em torno de 8%. Tal constatação revela a nova estratégia dos consumidores das classes mais próximas da base da pirâmide social, que está assentada numa visão melhor dos apelos ao consumismo desenfreado. Tal comportamento é resultado dos primeiros intentos na aquisição de bens durante a época de créditos fartos, que levou muitos trabalhadores a se endividarem além de sua capacidade de pagamento. Hoje, esses mesmos indivíduos, depois do imenso sacrifício realizado para entrar no mercado de consumo, podem avaliar o que fazer com o único patrimônio que possuem: seu salário. Não há nenhuma razão para culpá-los por isso. Ao contrário, devemos comemorar a entrada desses setores da sociedade a uma vida exposta apenas nas propagandas, tão aneladas durante décadas de privações, e hoje realizadas.&lt;br /&gt;Ficar atentos a esses contratempos significa estar comprometidos com a mobilidade social dos mais humildes, que são os principais penalizados pelos surtos inflacionários. Deve ficar claro que esse não é o caso das classes médias de renda alta, que têm o privilégio de fazerem aplicações financeiras que dão cobertura sobre a inflação. Tal é a razão porque o Estado tem a obrigação de garantir os direitos mínimos à população, politizando a mesma para que possa ser artífice de suas próprias reivindicações, sem medo de que seus argumentos sejam desqualificados pelos chamados eleitores instruídos. Quando isso acontecer, os discursos preconceituosos daqueles que se sentem ameaçados nos seus privilégios classistas, serão substituídos pela conquista definitiva da verdadeira democracia, tantos anos em fase de acumulação nas entranhas do povo.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-1168422622450504760?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/1168422622450504760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/06/acumulacao-primitiva-da-democracia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1168422622450504760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1168422622450504760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/06/acumulacao-primitiva-da-democracia.html' title='ACUMULAÇÃO PRIMITIVA DA DEMOCRACIA'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-622430613897315820</id><published>2011-05-12T07:42:00.000-07:00</published><updated>2011-05-13T13:40:40.410-07:00</updated><title type='text'>A CORRIDA POR STATUS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Imagino que a maioria das pessoas sabe que a atividade econômica da sociedade está configurada num modelo de produção capitalista. Uma de suas características principais, além de seu objetivo intrínseco assentado na maximização dos lucros, é a existência de diferentes classes sociais, que podem ser identificadas por sua capacidade de poder econômico, político, ou profissional. Por se tratar de um modo produtivo com feições democráticas, pode ser observada nele uma forte tendência à mobilidade social, bastante visível no Brasil nestes últimos anos. Perante tal fenômeno, a sociologia estuda esse mecanismo a partir de uma perspectiva funcional, que identifica certos comportamentos em função da obtenção de um sucesso vinculado a metas futuras. Pelo fato de que tais circunstâncias não estão totalmente sob controle, pela sua própria imprevisibilidade, termina-se implantando no modelo citado um processo neurótico de ansiedade na convivência social.&lt;br /&gt;Nesse contexto, o julgamento que os indivíduos fazem de si próprios em termos de êxitos e fracassos anteriores, cria uma constante incerteza no que pode acontecer mais à frente. Quando a ansiedade corresponde a parâmetros de comportamentos normais, a mesma pode ser integrada na conduta e na personalidade do indivíduo. Mas, quando o fato ambicionado, em função de seu êxito ou fracasso, aparece carregado de incerteza e insegurança, em que a intensidade da frustração é desproporcional com relação aquele significante, surge o fenômeno da corrida desenfreada por status, muitas vezes, a qualquer custo. Normalmente, o temor e a ansiedade estão presentes nos casos de perturbações e conflitos, mas, a ansiedade unida à conquista por status, é expressa através de compulsões infundadas. Em tais casos, a explicação não reside num problema psíquico, senão nos problemas motivacionais comuns das sociedades de classes.&lt;br /&gt;A ansiedade psíquica está vinculada a um temor sem fundamentos, uma idéia fixa ou um ato involuntário que se repete incessantemente. A corrida por status entranha um conflito simbólico, que é a busca de uma meta que está sempre distante e evadida do sujeito. O objeto manifesto não faz mais do que representá-la. Serve como defesa simbólica contra a insegurança de não obter o êxito esperado. A corrida por status sempre é acompanhada de uma fuga para alguma coisa: uma meta ou várias metas a serem alcançadas. O objeto específico não é admitido conscientemente, porque foi reprimido. O propósito comum em todos os casos é evitar a ansiedade provocada pelo possível fracasso. O fracassado numa sociedade de status transforma-se num excluído social. Por esta causa, os indivíduos que convivem neste tipo de sociedade sempre estão presos aos eternos condicionantes de êxitos e fracassos.&lt;br /&gt;Entretanto, como os fracassos e os êxitos nunca são definitivos, os indivíduos convivem com a incerteza e instabilidade que rege o caráter social das comunidades de status. A ansiedade que leva à procura incessante de status é permissível numa sociedade desse tipo, oferecendo certo alívio à ansiedade criada por esse contexto. Enquanto o indivíduo corre atrás do status, não se confronta com sua ansiedade, porque o temor está dentro dele. A ansiedade não pode ser superada pelas fugas na direção das metas, porém pode ser “acalmado”. Desse modo, para que o peso da insegurança não se descarregue encima dele, o indivíduo tem que estar sempre correndo naquela direção, sem fim determinado. Com esta prática ou conduta social, logra diminuir a ansiedade e mantê-la longe da consciência. Os poderosos impulsos que existem por trás da compulsão ou obsessão estão determinados em última instância por uma aguda ansiedade social. A necessidade de sempre estar à procura de status cada vez mais elevado converte-se num meio de fuga de aquilo que se quer realmente evitar: o fracasso. Essa fuga tem uma conotação inconsciente, muito longe de ser percebida pelos atores dessa “comedia humana” de representação de papéis, tão presos ao status ambicionado, e tão distante de um projeto coletivo de ascensão social.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-622430613897315820?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/622430613897315820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/05/corrida-por-status.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/622430613897315820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/622430613897315820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/05/corrida-por-status.html' title='A CORRIDA POR STATUS'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-4200575740314388216</id><published>2011-05-12T07:39:00.000-07:00</published><updated>2011-05-13T13:40:40.504-07:00</updated><title type='text'>PLAYA GIRÓN</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Perante as guerras focalizadas que ocorrem no Oriente Médio, resulta interessante fazer um histórico das razões ocultas que existem por trás de tais acontecimentos. Os protagonistas diretos das lutas contra o colonialismo conhecem profundamente a saga dos imperialismos na sua avidez por conquistar o mundo. São as gerações atuais que precisam estar atentas à redescoberta das novas estratégias neocoloniais mascaradas com feições humanitárias. Essa é a razão pela qual quero resgatar a história a seguir.&lt;br /&gt;No começo da manhã de 17 de abril de 1961, teve início à invasão da Baía dos Porcos (Playa Girón), quando um grupo de mercenários, refugiados cubanos treinados em bases da CIA e financiados por Washington, desembarca em Cuba para tentar derrocar o governo de Fidel Castro. Nas vésperas do ataque, dois aviões B-26 mascarados com as cores de Cuba, que voaram diretamente da Nicarágua para bombardear o aeroporto cubano, evidenciaram a cumplicidade da CIA na operação paramilitar. Enquanto isso, o chefe da missão norte-americana nas Nações Unidas, Adlai Stevenson, jurava que os pilotos eram desertores da força aérea cubana que estavam lutando do lado dos invasores. Tal afirmação terminou revestindo-se de extremo ridículo, que aprofundou ainda mais o sentimento hostil aos Estados Unidos na Assembléia da ONU. A constatação da existência de forças mercenárias contra Cuba aconteceu quando foi abatido um avião militar norteamericano, que bombardeava a população civil e forças milicianas na região de Central Austrália. O cadáver do piloto Leo Francis Baker, com toda a documentação e plano de vôo, transformou-se na prova definitiva.&lt;br /&gt;A eficiência das forças militares cubanas terminou abortando os ataques aéreos mercenários. De fato, dos onze B-26 que saíram de Porto Cabezas, na Nicarágua, nove foram abatidos. Desse total, seis pilotos norteamericanos, contratados da Guarda Nacional de Alabama, além de cinco pilotos cubanos contra-revolucionários, morreram na invasão da Baía dos Porcos. &lt;br /&gt;A totalidade da força mercenária adestrada pela CIA, teve poucas chances de resistir ao heroísmo dos milicianos de Cuba. Dos 1.400 cubanos anticastristas, que faziam parte das forças invasoras, 100 morreram, cinco conseguiram escapar asilando-se na Embaixada do Brasil, e outros 14 foram resgatados por navios norteamericanos. Entretanto, o total de combatentes treinados pela CIA e mobilizados para a invasão chegava a 2.400, dos quais 1.200 não conseguiram nem sequer desembarcar, retornando às suas bases perante o intenso bombardeio das baterias antiaéreas das milícias postadas na praia. &lt;br /&gt;Conforme o Conselho Revolucionário Cubano, de acordo com o relato do historiador brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira, e publicado de forma a traçar o perfil dos invasores mercenários, o mesmo mostrou que estes recebiam um pagamento de US$ 175 por mês, além de um adicional de US$ 25 por filho. Entre eles havia 100 latifundiários, 24 grandes proprietários, 67 donos de casas e apartamentos, 112 comerciantes, 35 magnatas industriais, 195 ex-militares de alta patente do governo de Batista e alguns outros sem perfil definido, Todos tentavam lutar para recuperar 914.859 acres de terras, 9.666 casas, 70 fábricas, 5 Minas, 2 Bancos e 10 Engenhos de açúcar. Tais dados demonstram o caráter de classe da composição dos “expedicionários”, francamente em confronto com a situação da imensa maioria do povo cubano, trabalhadores pobres das cidades e “guajiros” do campo. As amplas reformas iniciadas para atender os apelos dos setores mais pobres da sociedade, em apenas dois anos de governo, deram ao governo de Castro o apoio necessário para a luta contrarevolucionária financiada pela CIA. Dos 1.189 invasores restantes, em conjunto com o alto comando da Brigada Expedicionária 2506, se renderam em massa às tropas de Fidel Castro. O comandante Che Guevara, nessa oportunidade, arrematou com seu famoso sarcasmo, que aquele fora “o único exército do mundo que se rendera sem experimentar qualquer baixa”.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-4200575740314388216?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/4200575740314388216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/05/playa-giron.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4200575740314388216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4200575740314388216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/05/playa-giron.html' title='PLAYA GIRÓN'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-8981885027776724721</id><published>2011-05-12T07:37:00.000-07:00</published><updated>2011-05-13T13:40:40.228-07:00</updated><title type='text'>A TEORIA DO PAPEL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O ser humano vive de forma coletiva no meio de uma construção cultural que se chama sociedade. Entretanto, poucos percebem que esta se manifesta como um fato objetivo. Ela existe, e sua existência desempenha uma função externa a nós. O que isso significa? Qual é a razão de sentir-nos cercados na nossa vida por todos os lados? De que forma nos situamos na sociedade? Existe um mecanismo insuspeito de controle social que nos diz como devemos modelar nosso comportamento?&lt;br /&gt;Partindo da certeza de que estamos na sociedade, nossa localização depende da pré-definição de tudo aquilo que fazemos, desde a linguagem até a forma de comportar-nos, desde nossas convicções religiosas até a probabilidade de cometer um ato de natureza anti-social. Nesse contexto, os próprios desejos nunca são levados em conta na questão da localização social. Tanto é, que tudo aquilo que a sociedade aprova ou proíbe, deve ser acatado como correto e sem questionamentos, reprimindo assim o exercício da nossa resistência intelectual a qualquer tipo de posicionamento aceito majoritariamente. Essa é a razão porque a sociedade, como fato objetivo e externo se manifesta na forma de coerção, de modo que suas instituições possam moldar nosso comportamento, e até mesmo as expectativas que tivermos em relação a qualquer iniciativa de mudança social. As sanções da sociedade são capazes de isolar-nos uns dos outros, ridicularizar-nos ou privar-nos do próprio sustento, ou, em última instância, quitar-nos até a própria vida.&lt;br /&gt;A lei e a moralidade da sociedade podem apresentar características diversas. Cada sanção sempre estará acompanhada de uma justificativa, e a grande maioria aprovará que esta seja usada contra nós como castigo por qualquer desvio cometido. Essa é a razão mais clara da nossa localização no tempo e no espaço, de um modo historicamente predeterminado e totalmente distante de qualquer biografia individual. Nossa vida é apenas um episódio no percurso do tempo, no qual a sociedade transforma-nos em reféns de sua própria história. Tal configuração mostra-nos que, conforme os mecanismos de controle impostos pelo universo social, o indivíduo e a sociedade parecem ser duas entidades antagônicas. No entanto, ter uma visão de que os seres humanos estão sujeitos a mecanismos que os forçam à total obediência, não é uma verdade absoluta. Por que a maioria de nós sente a pressão da sociedade como uma forma de coerção medianamente suave? Qual seria a razão para que isso aconteça sem que a gente experimente qualquer sofrimento?&lt;br /&gt;A resposta está situada nos mecanismos sócio-psicológicos do universo comum habitado pelos membros da sociedade. Tal organização nos conduz a um determinismo quase que congênito: sempre desejamos aquilo que a organização espera de nós. Usamos os papéis que a sociedade nos atribui. Queremos, sem querer, obedecer às regras. Por que? Porque a organização social é muito maior do que imaginamos. Esta determina não só o que realizamos, senão também o que somos. Nesse caso, a teoria do papel mostra-nos que a identidade de um indivíduo é atribuída socialmente, sustentada socialmente e modificada socialmente. Em outras palavras, estes condicionantes centrados na localização social, não apenas afeta nossa conduta, ela afeta também nosso inconsciente, transformando-o de acordo com as definições que a maioria das pessoas aceita como válidas. Um papel social pode ser definido como uma resposta modelada a uma expectativa tipificada, na qual a sociedade pré-definiu conforme essa dimensão. Usando o teatro como alegoria, pode-se dizer que a sociedade proporciona o roteiro exato para todos os personagens. Os atores apenas têm que assumir os papéis que lhes foram atribuídos antes de ser levantado o telão. Enquanto estes desempenharem seus papéis corretamente, tal qual indica o roteiro, a representação do drama social funcionará conforme o planejado. O papel, portanto, oferece ao indivíduo o padrão de comportamento que dá funcionalidade a sua identidade social. Gostemos ou não, seu sortilégio nos acompanhará até o final das nossas vidas.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-8981885027776724721?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/8981885027776724721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/05/teoria-do-papel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8981885027776724721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8981885027776724721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/05/teoria-do-papel.html' title='A TEORIA DO PAPEL'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-1033402879615606379</id><published>2011-04-13T06:41:00.000-07:00</published><updated>2011-04-13T06:42:30.819-07:00</updated><title type='text'>FAZENDO APOLOGIA DO TERROR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mais uma vez, a revista Veja na sua insaciável procura por factóides sensacionalistas, publica um artigo com conotações de exagero que beira o ridículo. Tanto é que seus leitores cativos ficam num estado de transe neurótico, imaginando o Brasil inundado por terroristas islâmicos. Não vamos entrar no mérito se há algum ou outro maluco disfarçado de Al Qaeda circulando pelas ruas de São Paulo. Mais uma rede comandada por extremistas que estendem seus tentáculos no Brasil? Parece a mesma história das FARC na época das eleições. Agora muda o endereço. Só faltava publicar nas próximas edições que a presidente Dilma namora Osama Bin Laden, ou que está sendo preparado um atentado ao Cristo Redentor com mísseis palestinos. Na entrelinhas há uma acusação velada ao comportamento da nossa diplomacia, da Polícia Federal e do Tribunal de Justiça do Brasil. Sinceramente, suspeito que os maiores assinantes da revista em questão devam ser o Pentágono, a CIA e o FBI. É possível, já que os mesmos têm centenas de agentes circulando pelo Brasil e além. Seguramente á toa, errando na previsão de seus relatórios. Os leitores acham que estou de gozação? Nada disso. Vamos fazer um pouco de história para entender porque essas agências não são muito confiáveis. A análise psicológica as enquadraria na síndrome do “surto hollywoodiano” muito usado em outras latitudes, mas incapazes de detectar ou denunciar os “inimigos íntimos” dentro do próprio país. Desde 1996, o FBI sabia que Al Qaeda poderia usar aviões em ataques suicidas contra o quartel geral da CIA ou outros grandes edifícios do governo. Nunca levou isso a sério. Bom, o Serviço de Inteligência Americano tinha certeza que no Iraque havia armas de destruição de massa. Os pobres coitados foram arrasados por causa disso. E as armas nunca foram encontradas. Para não ser tão ácido na minha crítica, vou dizer que um agente do FBI, cujo nome ainda permanece em sigilo, relatou ao Comitê do Congresso Americano que seus superiores, no dia 29 de agosto de 2001, algumas semanas antes do 11 de setembro, o proibiram de deter Khalid Al-Midhar, um dos seqüestradores do avião AA77, lançado contra o pentágono. Existem centenas de relatos de militantes islâmicos investigados durante sua estadia nos Estados Unidos, muitos deles participantes dos atentados. A própria CIA tinha o telefone e endereço de Marwan al-Shehhi, o terrorista que pilotava o avião do vôo 175 da United Airlines, que foi arremetido contra o World Trade Center. Apenas 48 horas depois do atentado, o governo norteamericano responsabilizava o saudita Osama Bin Laden como autor intelectual do ato terrorista, com uma rapidez impressionante. Tudo montado ao melhor estilo da “sétima arte”. A brutalidade do atentado do 11 de setembro, tornou propícia a declaração de guerra pelo então presidente George W. Bush, sem saber muito bem contra quem. Depois, num ato de fundamentalismo cristão, declarou que a guerra era do “bem contra o mal”. No entanto, tal acontecimento esconde uma verdade muito mais aterradora, já que isto permitiu ao governo Bush que legitimasse, através de um documento classificado como “Top Secret”, a invasão do Afeganistão e do Iraque, com a justificativa para a guerra global contra o terror. Oficializando o islamismo como o novo inimigo, abriu-se a porta para a conquista dos povos árabes, introduzindo neles, baixo o manto da democracia ocidental, a expansão capitalista. No momento em que Brasil reserva para si mesmo a definição de seus interesses nacionais, livres da tutela de quem seja, tratando de encontrar seu espaço político e econômico, buscando sua autonomia em confronto com as estruturas de poder mundial, estranhamente aparecem artigos que tentam criminalizar seu projeto de estado, enquadrando seu papel geográfico a mero receptáculo de organizações terroristas, que usam seu território para disseminar o extremismo islâmico. Só falta que o governo dos Estados Unidos, com seus olhos no Pré-sal, nos coloque na vala comum do “eixo do mal” e das incertezas futuras. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-1033402879615606379?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/1033402879615606379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/04/fazendo-apologia-do-terror.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1033402879615606379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1033402879615606379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/04/fazendo-apologia-do-terror.html' title='FAZENDO APOLOGIA DO TERROR'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-7438540954140320776</id><published>2011-04-13T06:40:00.000-07:00</published><updated>2011-04-13T06:41:20.057-07:00</updated><title type='text'>O IMPÉRIO ATACA DE NOVO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi o presidente Obama que deu o sinal verde, desde o Brasil, para atacar a Líbia. Logo continuou seu itinerário por Chile e El Salvador, cumprindo um roteiro inestimável aos interesses norteamericanos, profundamente abalados durante o governo de George H.W. Bush. Assim de simples, entre sorrisos e promessas. A resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizando ataques aéreos contra as forças de Muamar Khadafi foi aprovada com dez votos a favor e cinco abstenções. Tal iniciativa visava a criar uma zona de exclusão aérea de modo a resguardar a vida de civis indefesos. Entretanto, não foi o que realmente aconteceu, já que os ataques se entenderam além dessa limitação, destinada a favorecer os rebeldes armados até os dentes. Não por acaso a abstenção partiu por parte de nações que estão curtidas na luta contra antigos imperialismos, hoje disfarçados de democráticos e defensores dos direitos humanos. Entre eles encontram-se os países do BRIC – Brasil, Rússia, Índia, China, e mais, quem diria, a própria Alemanha. Estes países partem da ideia de que não adianta a condenação com o uso da força nas relações internacionais, e sim através do diálogo. Isso não importa para o império americano. O negócio dele é fazer guerras contra qualquer um, usando como fachada a coalizão da Organização do Atlântico Norte – OTAN, delegando a seus aliados a execução das operações militares com base na resolução do Conselho de Segurança. Uma escapatória elegante para fazer negócios sem correr o risco de reviver o fiasco do Iraque e Afeganistão. Alguns leitores devem imaginar que estou a favor do governo Líbio. Por tanto, torna-se necessário fazer a ressalva. Muamar Khadafi exibe o autoritarismo clássico dos países muçulmanos, resultado de longas disputas tribais pela hegemonia entre famílias ou monarquias. Tanto é assim, que em 2006 os EUA retiraram a Líbia da lista dos países terroristas, facilitando a viabilização de contratos milionários na área energética. O pobre Obama, refém dos republicanos ultraconservadores do Tea Party, é incapaz de confrontar-se com a ideia generalizada de que a guerra faz parte da recuperação política e econômica dos Estados Unidos. Dizer não a isto significa um suicídio político prematuro. Resulta muito melhor dar a ordem para que o ataque lhe garanta uma pós-vida eleitoral. No meio desse teatro operacional, passa inerte a lembrança de um dos maiores crimes cometidos aos direitos humanos no século passado, que ocorreu justamente sob os olhos indiferentes das Nações Unidas, a mesma que hoje autoriza qualquer ataque. O massacre de Ruanda em 1994, país africano sem qualquer importância estratégica para os países ocidentais, viveu um dos maiores genocídios na história do país, no qual morreram perto de um milhão de pessoas. O patético desenlace aconteceu perante a indiferença daqueles que aprovaram a resolução do conselho de Segurança contra a Líbia, que são os Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, cada qual com suas justificativas imperiais delirantes. Para falar do século atual, devemos lembrar o que está acontecendo no Bahrein, ocupado por tropas de Arábia Saudita e dos Emirados Árabes. Por outro lado, a revolta no Iêmen onde os manifestantes são dispersos a tiros, não recebeu até agora qualquer manifestação por parte da ONU, reduzida apenas a declarações de condenação moral. Por último, voltando a nossa latinoamérica, o presidente Obama perdeu a chance histórica de pedir desculpas em nome do seu país, pela colaboração criminosa deste nos golpes de Estado e assassinatos de milhares de militantes políticos perpetuados na Argentina, Chile e Uruguai durante a década de 70. No entanto, em vez de criar uma zona de exclusão em torno da Escola de Mecânica da Armada na Argentina ou no Estádio Nacional do Chile, de modo a evitar o massacre de tantos inocentes naquela época, o império optou por financiar os furiosos ditadores de plantão, resguardando a divisão do mundo no eterno maniqueísmo econômico dos fortes contra os fracos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-7438540954140320776?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/7438540954140320776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/04/o-imperio-ataca-de-novo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7438540954140320776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7438540954140320776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/04/o-imperio-ataca-de-novo.html' title='O IMPÉRIO ATACA DE NOVO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-3188813835233131897</id><published>2011-04-13T06:37:00.000-07:00</published><updated>2011-04-13T06:39:52.588-07:00</updated><title type='text'>A TEORIA DA CLASSE OCIOSA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na virada do século vinte, os Estados Unidos estavam prestes a se tornar a maior economia do mundo. Possuindo um mercado tão importante como o britânico, mas represado nas suas forças produtivas, bastou apenas um espetacular avanço tecnológico para que os custos de produção se tornassem cada vez mais baratos e, com isso, houvesse o repentino surgimento das “Câmaras de Comércio”, instituições destinadas a influenciar os preços do mercado. O interesse não revelado destas organizações era estabelecer acordos entre as empresas, de modo a limitar a produção e manter níveis de preço, obtendo assim lucros exorbitantes a custa dos consumidores. Apesar da declaração de ilegalidade por meio de leis antitrustes, as maiores companhias norteamericanas começaram a vender por preços inferiores aos dos seus concorrentes menores para depois, num golpe de misericórdia, assumir o controle. Os grandes conglomerados que surgiram destas operações, geravam lucros tão formidáveis que podiam exercer um controle absoluto do mercado sem interferências. Uma riqueza ilimitada começava a surgir nos Estados Unidos, criando gigantes econômicos que modelavam as bases para o domínio do mundo através de uma elite social diminuta e astuta. O dinheiro nas mãos desses indivíduos não podia parar. O século vinte surgia sob o comando de uma nova classe de empreendedores predadores, que assumira o controle da sociedade, que desafiava o próprio governo e se reproduzia sem dificuldades na “terra dos livres”. Thorstein Veblen, um filósofo norteamericano de origem norueguês, que ocupava um cargo docente na Universidade de Chicago, em 1892 – conhecido por seus colegas como uma pessoa excêntrica e sarcástica – foi, curiosamente, um dos maiores críticos da economia liberal que vigorava na época. Ele concluiu que os modelos matemáticos que se baseavam no comportamento racional, propostos pelos teóricos neoclássicos, tinham pouco a ver com os processos econômicos que moldavam a sociedade. As influências das forças históricas e psicológicas eram muito mais importantes na conformação da sociedade capitalista do que apenas o comportamento maximizador e egoísta. Tal pensamento foi condensado no livro “A teoria da classe ociosa”, publicado em 1899. O prólogo começa com a seguinte frase: “A instituição de uma classe do ócio é encontrada em seu melhor desenvolvimento nos estágios mais elevados da cultura bárbara”. Tal conjectura estava baseada nas atividades econômicas exibidas pela sociedade norteamericana opulenta da época. Os ricos estavam convencidos que eram diferentes dos demais. As riquezas que ostentavam, não eram simplesmente um “acidente da existência, e sim um reflexo de sua superioridade biológica”. A classe a qual pertenciam estavam livres de atividades servis. “Enquanto outras formas de vida inferiores trabalhavam, eles viviam sem esforço, nada fazendo”. Nesse caso, o ócio era sua definição qualitativa, que deveria ser exposto como forma de poder e superioridade. Não apenas como um fator de diferenciação, senão que esta qualidade devia ser demonstrada através “da viva e infatigável capacidade de pagar”. Veblen explicava magistralmente este comportamento na análise dos setores mais privilegiados da sociedade: “Todo sentido de gastar dinheiro estava em impressionar os outros” – e acrescentava – “ Despertar a inveja dos vizinhos só aumenta a sensação de importância que se tinha”. A classe ociosa não gastava dinheiro de forma ostentatória em coisas úteis – isso era para os que precisavam de dinheiro, não para os que estavam acima dele. O estudo da relação íntima entre um modelo econômico e o comportamento social dos seus executores, possibilita enquadrar as manifestações ideológicas destes na manutenção e perpetuação do sistema. O filósofo e matemático Paul Strathern faz uma análise divertida do livro de Veblen, ao dizer que este escrevera o equivalente socioeconômico de “A roupa nova do imperador” de Christian Andersen. “Descobrira-se que os ricos não vestiam nada senão seus próprios delírios de grandeza”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-3188813835233131897?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/3188813835233131897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/04/teoria-da-classe-ociosa.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/3188813835233131897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/3188813835233131897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/04/teoria-da-classe-ociosa.html' title='A TEORIA DA CLASSE OCIOSA'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-4741365349569434581</id><published>2011-04-13T06:34:00.000-07:00</published><updated>2011-04-13T06:36:48.791-07:00</updated><title type='text'>O COMUNISMO CHINÊS E A ESCOLA DE CHICAGO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O já falecido Milton Friedman, paizão da Escola de Chicago, sempre repetia com orgulho que as liberdades políticas são secundárias em relação à liberdade de comércio sem restrições. E isto se ajustava perfeitamente ao que o governo chinês estava fazendo no inicio da década de 80. O partido comunista estava disposto a abrir a economia à propriedade privada e ao consumismo, sem necessidade de perder ou renunciar ao controle do Estado. Tal privatização permitia a possibilidade, assim como aconteceu na ex-União Soviética, de que os ativos do Estado passassem para as mãos das autoridades do partido e seus familiares, repartindo-se desse modo os pedaços mais rentáveis do negócio. Tal modelo era uma reedição do experimento realizado por Friedman no Chile de Pinochet: “mercados livres combinados com um controle político autoritário, que institucionalizasse uma repressão com mão de ferro”. Quando aconteceu o protesto na Praça de Tiananmen em 1989, este foi descrito pela imprensa mediática internacional como um confronto entre intelectuais progressistas, que desejavam a implantação das liberdades democráticas de tipo ocidental, e os dirigentes autoritários que queriam resguardar o Estado comunista como mentor das reformas. Entretanto, um dos organizadores dos protestos na praça, Wang Hui, destacado intelectual da “nova esquerda chinesa”, deu uma nova versão ao Massacre da Praça da Paz Celestial. Segundo Hui, os manifestantes, compostos por amplos setores da sociedade chinesa, representavam o descontento popular perante as mudanças econômicas de Den Xiaoping, que tiveram como resultado um desemprego brutal, com a conseqüente redução salarial e escalada de preços. Estas manifestações não estavam focadas na reforma econômica e sim contra sua natureza, de clara orientação neoliberal e antidemocrática. Curiosamente, o ocidente capitalista aplaudia as manifestações como se fosse um triunfo do livre mercado, resultado de uma guerra ideológica entre o comunismo e a democracia. Poucos perceberam que a sangrenta ofensiva contra os manifestantes não era, como muitos acreditam, a defesa do comunismo, e sim a do próprio capitalismo. Para Den Xiaoping, tal iniciativa criava a possibilidade de um livre mercado ilimitado. O terror na praça facilitou o caminho para a transformação econômica sem qualquer tipo de oposição. Os métodos mais severos da lei marcial imposta na China depois das revoltas, permitiu a reconversão do país nos moldes do capitalismo sonhado por Milton Friedman: um depósito da mão de obra mais barata do mundo, e, portanto, o lugar preferido dos setores de produção subcontratados de quase todas as multinacionais do planeta. Poucos países oferecem tantas vantagens lucrativas para os investidores estrangeiros do que a China. Impostos reduzidos, mão de obra abundante, salários baixos e, principalmente, ausência do Estado na sua capacidade de resposta social. Para os investidores de todo o mundo, a china transformou-se no paraíso dos negócios lucrativos. O partido comunista faz sua parte no bolo neoliberal. Não por acaso os 90% dos bilionários chineses são filhos de funcionários do partido comunista. Estes senhores controlam uma riqueza que beira aos 260 bilhões de dólares. A participação da Escola de Chicago nesta configuração corporativista pode ser atribuída ao seu principal mentor, Milton Friedman, que nas repetidas visitas ao país oriental, sempre lembrava que os “mercados privados livres levariam a China a promover tanto a liberdade como a prosperidade”. Expressões dessa natureza, tão longe dos setores excluídos da sociedade, vítimas inocentes dos teóricos da velha afirmação liberal - que os mercados livres e os povos livres formam um projeto conjunto inseparável – leva-nos a acreditar que estamos no final da evolução ideológica da humanidade e da forma definitiva de governo humano. No entanto, os acontecimentos na Praça de Tiananmen revelam-nos a semelhança entre o comunismo autoritário e o capitalismo da Escola de Chicago na implantação de um mercado livre, fundamentalista e sem fronteiras. Pobre de nós, pobres. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-4741365349569434581?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/4741365349569434581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/04/o-ja-falecido-milton-friedman-paizao-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4741365349569434581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4741365349569434581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/04/o-ja-falecido-milton-friedman-paizao-da.html' title='O COMUNISMO CHINÊS E A ESCOLA DE CHICAGO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-5458962596043292898</id><published>2011-02-14T10:39:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T10:40:31.771-08:00</updated><title type='text'>O FANTASMA DA FOME</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em princípio, quero parabenizar o economista e professor Sergio Sebold pelo artigo “Barriga vazia não gera PIB”, publicado no painel do leitor do jornal O Correio do Povo no dia 10/02/2011. Nele refere-se aos novos augúrios de um mundo sem comida, no qual a falácia neoliberal inaugura o fantasma da fome como nova saída para perpetuar-se numa pretensa sobrevida. A crítica bem fundamentada deste economista, leva-nos a pensar de que forma os cientistas sociais enfrentam as mistificações colosais com aqueles que mostram sua complacência ou cumplicidade, que faz deles co-autores do neoliberalismo e suas mais variadas formas de mentir, fantasiar, enganar e falsificar. A mudança pelos intelectuais do mais monstruoso projeto histórico do capitalismo num projeto aceitável para todos, deve ser feito com o risco de que a sociedade, num primeiro momento, não entenda seu conteúdo real, senão longos anos depois. Tal iniciativa deve configurar-se como um processo no qual o cientista social tenha a obrigação de denunciar e desestruturar tal modelo, submetendo-o a uma teoria explícita que seja capaz de construir alternativas dignas para a sobrevivência da própria sociedade.&lt;br /&gt;A luta contra a fome envolve  uma série de condicionantes históricos diretamente ligados a ela. Quando um país vive numa situação de miséria, pode-se dizer que, praticamente, todas essas causas são resultado, na sua origem, da fome de seus habitantes. Outras dependem da situação do próprio país, como as desigualdades sociais, o regime de monocultura, os conflitos armados e as relações de troca entre os diversos países, principalmente quando a economia encontra-se sob o controle das multinacionais, que são organizações que tem condições de realizar operações globais, sem a intervenção do estado  ou qualquer outro tipo de controle. Daí a importância da transformação da geografia econômica mundial, de modo que os países em desenvolvimento mudem seu lugar no mundo. O Brasil, assim como um novo grupo de países, começam a ter uma maior capacidade de articulação na Organização Mundial do Comércio, no Fundo Monetário Internacional e na própria Nações Unidas. O protagonismo dessa iniciativa parte da construção de coalizões que vão além das relações tradicionais, especialmente aqueles mecanismos de diálogo e concertação no aprofundamento da integração sul-americana. A intensa relação com os parceiros vizinhos, consolidada através do acordo MERCOSUL e Comunidade Andina, propicia uma região de livre comércio envolvendo toda América do Sul, além da respectiva integração física que levou á criação da União das Nações Sul-americanas – UNASUL. Nada mais estratégico para transformar os países ao sul do Rio Bravo no novo celeiro do mundo. Entretanto, depois do fracasso econômico, o modelo neoliberal ressuscita uma nova arma: a falta de alimentos. Tal circunstância nos alerta que tal modelo deixa-nos a herança de uma sociedade profundamente desgarrada, com graves problemas para reconstituir-se desde o ponto de vista da integração social, agredindo constantemente ao conceito e a prática da cidadania. O conjunto de direitos e habilitações que a cidadania nos confere, resultado de árduas lutas democráticas das maiorias populares, ficou desmantelado pelas políticas econômicas e sociais que excluem de seu exercício efetivo a grandes setores da população. A “democratização” ganha espaço na retórica dos discursos,  mas essas mesmas políticas econômicas negam o próprio exercício da cidadania. Quem não tem casa nem comida, quem está desempregado, nunca poderá exercer os direitos que, por princípio, a democracia deve conceder a todos por igual. Hoje, torna-se necessário desenhar uma estratégia de longa duração, de forma a revigorar os ideais humanistas, num momento em que o capitalismo se reconverte num sentido reacionário e regressivo. O intelectual comprometido com a justiça social deve estar sempre presente na sua contribuição para a derrota total do liberalismo econômico. Principalmente, na sua derrota moral. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo  &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-5458962596043292898?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/5458962596043292898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/02/o-fantasma-da-fome.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/5458962596043292898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/5458962596043292898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/02/o-fantasma-da-fome.html' title='O FANTASMA DA FOME'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-857696931243299721</id><published>2011-02-14T10:37:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T10:38:28.026-08:00</updated><title type='text'>ARISTOCRACIA, RIQUEZA E EXCREMENTOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se fizermos uma viagem histórica aos confins remotos da antiguidade, vamos esbarrar com um fenômeno que se repete dramaticamente ao longo do tempo: as crises alimentares. O período de progresso e grandiosidade entre os séculos XI e XII cessou repentinamente pelo retorno do flagelo da fome. Ela reaparece no começo do século XIV, fazendo com que a população europeia diminuísse de forma alarmante durante a vigência de essa restrição alimentar. Parece impossível, mas apenas no início do século XIX é que a população volta a crescer na Europa, chamando a atenção dos economistas interessados em entender a periodicidade de tal fenômeno. Qual seria a relação existente entre a fome e a economia, que conjugasse os efeitos de ambas na redução da população?  &lt;br /&gt;Durante muito tempo, a economia política clássica que surgiu no fim do século XVIII, na qual Adam Smith e David Ricardo são seus principais representantes, teve como centro a questão de descobrir se é “a terra ou o homem a verdadeira fonte das riquezas”. No entanto, foi um pastor anglicano, Thomas Malthus, que introduziria uma nova interpretação econômica da história humana. A lei de Malthus argumentava de que quaisquer sejam os progressos da civilização, os rendimentos dos habitantes de uma nação não deveriam aumentar. Tais rendimentos fariam com que houvesse um aumento exponencial da população, que levaria a interromper essas melhorias por falta de terras disponíveis. A teoria da renda, para este economista religioso, não é resultado da terra como única fonte de riquezas, legado de uma infinita providência divina, e sim de um Deus que mede a renda pela avareza e não por uma suposta generosidade. Nada melhor do que esta argumentação para justificar a relação íntima entre a renda e a riqueza aristocrática. Os nobres teriam, por direito divino, de apropriar-se das melhores terras, e assim manter de forma harmônica o crescimento demográfico. O que significava isto? Que um bom governo sempre terminava prejudicando o bem-estar público, já que tudo aquilo que se configurava como uma conquista – estabilidade, paz e higiene pública – terminava-se transformando numa calamidade, favorecendo o crescimento da população e, portanto, o surgimento da miséria e da fome. Realmente, uma visão bastante extravagante da história.&lt;br /&gt;Nesse caso, as guerras, o descaso, a má vida e suas conseqüências funestas, levariam ao mundo a uma situação posterior mais confortável, fazendo com que os sobreviventes tivessem uma vida melhor. Os ricos e poderosos, demograficamente escassos, seriam os beneficiários diretos dessa situação. A morte dos pobres garantiria a sobrevivência do soberano e seus cortesãos. A justiça divina cumprira dessa forma seus desígnios históricos, e a nobreza garantiria sua perpetuação. Como isso funcionava na prática?&lt;br /&gt;Na época em que vigorava a lei de Malthus, a existência de uma alta mortalidade por causa da fome e da falta de higiene era considerada um beneficio, já que permitia a sobra de alimentos para abastecer aos donos da renda e da terra. Por outro lado, a falta de higiene não chegava a molestar ao conjunto da sociedade. Isso era visto como um recurso de estabilidade demográfica. A fragrância dos perfumes não eliminava o cheiro espantoso das latrinas próximas aos aposentos do palácio de Versalhes. Na era Shakespeariana, os teatros ingleses careciam de sanitários, fazendo com que o público presente fizesse suas necessidades no jardim, ou no próprio teatro, no meio das cortinas, escadas e corredores. Esta pequena mostra da realidade que se confronta com o glamour e esplendor mostrado pelo cinema Hollywoodiano, deixa-nos um recado sinistro. O liberalismo econômico malthusiano, fonte inequívoca da ciência econômica atual, nos indica que as desigualdades são a forma mais eficiente para evitar a fome e a miséria humana. Só falta surgir aquele, mais uma vez, que esteja disposto a assumir a responsabilidade de dizer que tudo isso é uma coisa boa e inevitável, iniciando um novo holocausto sem remorsos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo      &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-857696931243299721?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/857696931243299721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/02/aristocracia-riqueza-e-excrementos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/857696931243299721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/857696931243299721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/02/aristocracia-riqueza-e-excrementos.html' title='ARISTOCRACIA, RIQUEZA E EXCREMENTOS'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-3558185982244851275</id><published>2011-02-14T10:34:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T10:35:56.232-08:00</updated><title type='text'>O CONTROLE SOCIAL SILENCIOSO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O controle social faz referência aos meios usados por uma sociedade para enquadrar seus membros dentro dos parâmetros de um determinado comportamento institucionalizado. A forma maior de controle social é a violência física, a ser aplicada como argumento final quando os recursos de outro tipo se esgotam. Nos países ocidentais, onde prevalecem certas normas de submissão voluntária às leis, o uso da violência oficial dificilmente se torna visível. O importante é que todos, por consenso geral saibam que ela existe, e se por alguma razão tal meio de coerção falhar, essa mesma violência pode ser usada oficial e legalmente contra eles. Compreendendo assim o uso da violência como mecanismo de controle social, poder-se-ia entender outros meios subviolentos que usam processos de intimidação de origem político e legal, principalmente aqueles que utilizam a coerção econômica para ameaçar o próprio sustento ou a obtenção de vantagens sociais. Entretanto, não apenas “os meios econômicos” de controle social são eficientes para manter a ordem, senão que também existem outros mecanismos muito potentes e sutis que podem ser aplicados ao suposto transgressor em termos de persuasão, de ridicularização, difamação ou opróbrio. Sabe-se, por experiência, que quando existem discussões em grupo durante um longo período, os indivíduos modificam suas opiniões originais, ajustando-as à norma grupal, como forma de estabelecer um consenso com aquelas sedimentadas pelo grupo. Muitas pessoas já sentiram o horror eletrizante de cair no ridículo em alguma situação social, ou serem criminalizadas perante a comunidade. A difamação tem uma eficácia avassaladora em comunidades conservadoras, na qual as pessoas estruturam suas vidas em função da visibilidade de seu status e na possibilidade da perda de seu papel social. Tanto o ridículo como a difamação pode ser manipulada por qualquer individuo que tenha fácil acesso aos canais da trama social, podendo assim efetivar o mecanismo institucional de punição, sem provocar a mínima suspeita de tê-lo  cometido através de um ato ilegal. Quando se fala de “instituição” referimos-no a um complexo específico de ações sociais. Isso sugere que as leis, as classes sociais, a educação e as religiões sejam instituições reguladoras, pelas quais a conduta humana é padronizada e direcionada para comportamentos considerados desejáveis pela sociedade, e que são organizados e colocados em prática de forma tão sutil que o indivíduo aceita-os como verdadeiros e  sem questionamentos.&lt;br /&gt;Pode-se observar que a canalização de determinados tipos de comportamentos traz consigo a idéia de que a sociedade não passa de uma gigantesca prisão, no qual os fatos sociais “são coisas” segundo a afirmação do cientista social Emile Durkheim, “possuidoras de uma existência objetiva externa a nós”. A sociedade, como fato externo à consciência individual, manifesta-se, sobretudo, na forma de coerção. As instituições moldam a conduta dos indivíduos e suas ações. Serão  recompensados enquanto se limitem a representar seus papéis. Se saírem fora deles, a sociedade pune-os com vastos meios de controle e coerção. As sanções da sociedade são capazes, em todo momento, de condená-los ao opróbrio, de expô-los ao ridículo, de privá-los do sustento ou da liberdade. Percebe-se com isso, que a dignidade humana é uma questão de permissão social. A lei e a moralidade da sociedade podem apresentar milhares de justificativas para cada uma dessas ações, e a maioria das pessoas aprovará sem condicionantes a sua aplicação como castigo pelo “desvio”. Nesse caso, o ser humano pouco vale como biografia individual. Apenas a sociedade, como entidade histórica, tem as atribuições de homologar o “repertório de papéis” que esse indivíduo deve cumprir. A submissão total a esses padrões de comportamento, dificilmente perturbará o funcionamento da sociedade que, sem contratempos, poderá continuar disfarçando as possíveis falhas do modelo social vigente, muito conveniente para alguns poucos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-3558185982244851275?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/3558185982244851275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/02/o-controle-social-silencioso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/3558185982244851275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/3558185982244851275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/02/o-controle-social-silencioso.html' title='O CONTROLE SOCIAL SILENCIOSO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-6707058440396216480</id><published>2011-01-27T11:32:00.000-08:00</published><updated>2011-01-27T11:33:41.813-08:00</updated><title type='text'>NUNCA MAIS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A condenação do ex-ditador Jorge Rafael Videla à prisão perpétua decretada pela Justiça Federal da Argentina junto com outros 29 repressores renova um marco histórico na luta pelos direitos humanos no continente sul-americano. A sentença, que ordena o cumprimento da condenação em uma prisão comum, foi recebida com extrema emoção e alegria por muitos  familiares das vítimas e sobreviventes da repressão ilegal. Pouco se sabe no Brasil sobre os fatos que levaram essas pessoas a festejar com tamanha euforia nas portas do tribunal. Há uma longa história por trás dessas manifestações. Durante o reinado da “Junta Militar” (1975-1983), estima-se que desapareceram trinta mil pessoas. Muitas delas foram lançadas de aviões nas turvas águas do Rio da Prata. Nos primeiros dias no poder, a “Junta” comandada por Videla fez uma única e dramática demonstração de sua disposição de usar a força de modo letal: um homem foi retirado a empurrões de um carro Ford Falcon (veiculo emblemático da policia secreta), amarrado ao famoso Obelisco branco da Avenida Nove de Julio, e metralhado à vista dos transeuntes. O terrorismo de Estado implantado na Argentina durante esse período foi uma sistemática caça a qualquer tipo de oposição ao regime. As desaparições, oficialmente inexistentes, transformaram-se em espetáculos públicos cotidianos, que contavam com a cumplicidade silenciosa das pessoas apavoradas com os operativos.&lt;br /&gt;Quando se decidia eliminar alguém, uma frota de veículos militares aparecia na casa ou trabalho da pessoa, circundando toda a quadra de modo a evitar sua fuga. Em plena luz do dia os soldados e a polícia derrubavam a porta e levavam a vítima, que desesperada gritava seu nome antes de ser introduzida num Ford Falcon, com a remota esperança de chamar a atenção das testemunhas do seqüestro. O caráter público do terror não terminava na captura inicial. Uma vez sob arresto, os prisioneiros eram conduzidos a um dos mais de trezentos campos de tortura que existiam no país. Muitos deles estavam situados em lugares inusitados, como bairros densamente povoados, clubes atléticos, escolas ou alas de hospitais inativas. Muitos brasileiros ficam maravilhados quando passeiam no centro comercial “Galerias Pacífico”, uns dos mais sofisticados de Buenos Aires, fazendo compras sem suspeitar que nos seus porões existe um centro de torturas abandonado. Nas paredes de suas masmorras ainda podem ser vistas as marcas desesperadas deixadas pelos seus prisioneiros mortos: nomes, datas, súplicas de ajuda e misericórdia.&lt;br /&gt;A sentença decretada contra os torturadores argentinos, apesar de não representar ou estar à altura da verdadeira natureza do crime, consolida na memória coletiva a ideia de que esses crimes foram contra a humanidade, num contexto específico de genocídio deliberado. Os assassinatos de pessoas de esquerda durante a década de 1970 não foram parte de uma “guerra suja” na qual se confrontaram duas partes em igualdade de condições, ou apenas vítimas de ditadores loucos de sadismo e poder. O que aconteceu nesse período foi uma coisa muito mais assustadora, muito mais científica e racional. Foi um vigoroso plano de extermínio levado a cabo de forma sistemática por aqueles que governavam o país. Os assassinos faziam parte de um sistema, planejado previamente, que foi utilizado e desenhado do mesmo modo em todo o país, não para atacar pessoas individualmente, senão para destruir uma parte da sociedade que estes indivíduos representavam. É justamente essa a definição que caracteriza um processo de genocídio brutalmente organizado. Este relato doloroso, que afeta profundamente o próprio articulista, possivelmente sirva para aqueles leitores empacotados no maniqueísmo dos embates ideológicos, que exaltam com horror os crimes da ex União Soviética, reorientem seus olhos ao que aconteceu nos países da América do Sul, de modo a usar o expediente do nunca mais para abrir um precedente de alerta aos nossos predecessores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-6707058440396216480?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/6707058440396216480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/01/nunca-mais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6707058440396216480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6707058440396216480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/01/nunca-mais.html' title='NUNCA MAIS'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-8715631583469017744</id><published>2011-01-27T11:31:00.000-08:00</published><updated>2011-01-27T11:32:35.433-08:00</updated><title type='text'>RESULTADO SOCIAL DO BOLSA-FAMÍLIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quero aproveitar este novo ano que começa para expressar minha satisfação, além dos cartões de Natal que esbanjam solidariedade e amor ao próximo, de poder constatar algumas iniciativas de caráter permanente que atualizaram tais compromissos para com os menos favorecidos, tão íntimos aos fundamentos do cristianismo. As mensagens natalinas que exaltam os aspectos humanitários das mensagens devem ser concretizadas numa abordagem real, além da retórica religiosa destinada a reforçar a visão de um mundo melhor. Para que isso se concretize na realidade, o esforço não deve ser circunstancial e sim resultado de uma atividade coletiva. Na prática, o Bolsa Família, que tornou-se uma das principais políticas públicas do governo Federal, atingiu grande parte dos extremadamente pobres, que correspondem a 85% dos assistidos pelo programa. Desde 2003, ano de sua criação, o programa atendeu 3,6 milhões de famílias, fechando o ano de 2010 com 12,8 milhões de famílias atendidas, que soma quase 50 milhões de brasileiros. Nesse período, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome quadruplicou o orçamento do programa, que passou de R$ 3,4 para R$ 13,4 bilhões. No entanto, durante esses anos, o programa foi criticado por ser considerado um mecanismo assistencialista que inibe a procura por trabalho e que carece de uma efetiva fiscalização, além de estar sujeito a fraudes e irregularidades. Entretanto, fala-se muito pouco das medidas adotadas pelo governo na implantação do cadastro único e de controle do cumprimento das obrigações por parte das famílias. Seguramente haverá leitores que não sabem como funciona o programa, ou apenas o conhecem superficialmente. &lt;br /&gt;Perante essa hipótese, não custa nada esclarecer alguns dados importantes. O programa atende a famílias com renda de até R$ 140 por pessoa, consideradas pobres, e de até R$ 70 per capita, em extrema pobreza. Os benefícios variam de R$ 22 a R$ 200 dependendo da renda e do tamanho da família. A média do benefício é de R$ 97. Além dos próximos cenários deste ano que se inicia com suas correspondentes mudanças, os condicionantes para receber o benefício contemplam a atualização do cartão de vacinação das crianças com menos de sete anos de idade, assim como a obrigação dos filhos de freqüentar a escola e das gestantes realizarem o pré-natal. O descumprimento destas exigências elimina o direito ao benefício. Os resultados do programa, que podem ser constatados na melhora dos indicadores de educação e saúde das famílias, assim como o acesso ao sistema bancário por parte dos beneficiários, podem ser expressos através dos seguintes dados: o analfabetismo caiu de 17% para 13% entre as famílias beneficiadas, de 2007 a 2010. As grávidas atendidas têm quase duas vezes mais consultas em comparação às não beneficiárias. Até início deste ano, 1,7 milhões de beneficiários deverão possuir conta em banco. Estima-se que em janeiro de 2011, o Bolsa Família atingirá a meta de atender 100% das famílias pobres e extremamente pobres, consideradas pelo IBGE (Censo de 2000) em 12,9 milhões de famílias com renda mensal per capita inferior a R$ 140. A partir da divulgação dos dados do Censo 2010, haverá a possibilidade de avaliar a necessidade ou não de inclusão de mais beneficiários.&lt;br /&gt;É claro que esse tipo de iniciativa, longe do sonho de um paraíso aqui na terra, mas que chega a mitigar e diminuir a desigualdade social, deve-se tornar uma constante no ideário de qualquer indivíduo que esteja disposto a sacrificar parte de seu prazer individual por ações humanitárias. As palavras de solidariedade para com os outros se esvaziam quando estamos sujeitos a colaborar de forma coercitiva para o bem alheio, encontrando para isso justificativas de todo tipo. Quando finalmente superarmos a quota mínima de salvação enviando roupas velhas e desgastadas aos necessitados, e aceitemos doar parte do nosso dinheiro através de políticas públicas organizadas, é que poderemos dizer que os conteúdos dos cartões de Natal são verdadeiros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-8715631583469017744?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/8715631583469017744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/01/resultado-social-do-bolsa-familia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8715631583469017744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8715631583469017744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/01/resultado-social-do-bolsa-familia.html' title='RESULTADO SOCIAL DO BOLSA-FAMÍLIA'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-6446208998281481624</id><published>2011-01-27T11:30:00.000-08:00</published><updated>2011-01-27T11:31:11.861-08:00</updated><title type='text'>ATAQUE AO BRASIL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Recentemente, o presidente Lula referiu-se à conspiração do silêncio da grande mídia em relação à caçada descomunal movida contra o sitio WikiLeaks, no qual o seu fundador, o sueco Julian Assange, está sendo perseguido como se fosse – segundo suas próprias palavras – “um criminoso de faroeste”. A imprensa nacional, por outro lado, tão zelosa em resguardar a liberdade de expressão, não manifestou um mínimo de preocupação com uma situação que fere qualquer tipo de direito jornalístico. Qual seria a reação da mídia se fosse o New York Times ou o Washington Post, que tivessem divulgado para o mundo semelhante escândalo? Teriam suas contas congeladas? Seriam acusados de espionagem? Seus editores seriam tratados como exegetas sexuais?  Entretanto, quando se trata de usar a imprensa ao serviço dos interesses hegemônicos, não há qualquer restrição para inventar factóides e colocá-los em circulação de forma inconseqüente. A miséria da diplomacia imperial, que se movimenta na sombra construindo mentiras, que se alimenta da insidia e do cinismo, está direcionada a desmerecer países e governantes que se opõem a seus desígnios. Vou relatar uma história que o pasquim, digo, a revista Veja, se exime de divulgar aos seus leitores.&lt;br /&gt;Quando o comando da marinha brasileira, responsável pelas ultracentrífugas para enriquecimento de urânio advertiu ao governo que existia, por parte dos Estados Unidos, a possibilidade de espionagem da tecnologia desenvolvida nacionalmente, levou ao Brasil a tomar uma atitude enérgica em relação aos condicionantes estabelecidos pela Comissão de Energia Atômica – AIEA. Além disso, as relações conturbadas entre o Brasil e os Estados Unidos, cujo problema estava vinculado à política exterior do governo de Lula da Silva, se acirraram quando o chanceler Celso Amorin obteve uma vitória na Organização Mundial do Comércio – OMC, com relação aos subsídios aos produtores de algodão dos Estados Unidos, que ocasionavam perdas comerciais ao Brasil na ordem de 480 milhões de dólares. O desconforto do governo norteamericano foi, como de costume, articulado da forma ignominiosa pela imprensa servil daquele país. Em 9 de maio de 2004, o jornalista Larry Rother, publicou um extenso artigo no  New York Times, no qual dizia que o hábito de beber do presidente Lula era uma preocupação nacional. E acrescentava, com desfaçatez infamante, que o “presidente tinha predileção por bebidas fortes”. O artigo provocou uma grande polêmica no país, mas que nem de longe figura entre as principais preocupações nacionais em relação à gestão governamental. A infeliz reportagem esconde uma singela conspiração de dois jornais ao serviço dos interesses comerciais dos Estados Unidos. Por um lado, o New York Times, em relação aos drinques do presidente e, por outro, do Washington Post sobre a produção de urânio enriquecido nas instalações das Indústrias nucleares do Brasil – INB. Tudo leva a pensar que estava montando-se uma campanha de descrédito do presidente Lula da Silva, de modo a apresentá-lo com incompetente e bêbado, abrindo o caminho para substituí-lo por alguém mais próximo dos interesses dos Estados Unidos. Nessa ocasião, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, chegou a declarar que o intento de desgaste da figura do presidente estava vinculado à criação do G-20 e a negativa por parte do MERCOSUL da implantação da Área de Livre comércio das Américas – ALCA. Não é de estranhar que os Serviços de Inteligência (diga-se CIA), estivessem envolvidos nessa campanha de difamação através de uma guerra psicológica, utilizada freqüentemente por essa agência contra os castigados governos latinoamericanos. O presidente Lula tem razão em elogiar ao sitio WikiLeaks, já que o mesmo não faz outra coisa do que denunciar e oferecer informação confiável à opinião pública, “sem se render a restrições injustificáveis na divulgação de segredos injustificáveis”, democratizando a informação e reforçando a cidadania.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-6446208998281481624?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/6446208998281481624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/01/ataque-ao-brasil.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6446208998281481624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6446208998281481624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/01/ataque-ao-brasil.html' title='ATAQUE AO BRASIL'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-735933358330298773</id><published>2011-01-27T11:28:00.000-08:00</published><updated>2011-01-27T11:29:40.560-08:00</updated><title type='text'>RECONSTRUINDO O ESTADO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Brasil sempre soube encontrar e aproveitar as oportunidades históricas brindadas pelas crises capitalistas, de modo a reformular suas políticas econômicas para ajustar seu desenvolvimento em bases sólidas. Assim aconteceu em 1929, durante a grande depressão, quando foram iniciadas uma série de reformas desconhecidas até então no modelo capitalista primário-exportador. Durante o governo de Getúlio Vargas, o país teve um avanço extraordinário no desenvolvimento de suas forças produtivas, principalmente na área industrial, que consolidou, ao mesmo tempo, as políticas sociais e trabalhistas que beneficiaram grande parte dos trabalhadores com emprego formal. Dessa forma, o país teve a oportunidade, apesar de fazer parte da periferia econômica mundial, de tornar-se urbano e industrial. A crise iniciada em 2008, resultado de um capitalismo globalizado assentado num modelo parasitário de especulação financeira, mostrou em toda sua dimensão a regressão econômica e social a qual o mundo foi submetido. Na década de oitenta, o processo de transformação das ditaduras militares em governos democráticos, teve um efeito contraditório na implantação de políticas econômicas que servissem a um projeto de desenvolvimento das forças produtivas nacionais. Nessa perspectiva, a montagem de estados subservientes ao capital internacional tornou-se clara. A crise mundial, felizmente, desarticulou tal projeto. Nesse contexto, qual foi o protagonismo dos países em desenvolvimento?&lt;br /&gt;Mais uma vez, a recuperação econômica está se realizando através da liderança de países considerados não desenvolvidos. No caso do Brasil, os indicadores mostram que a recuperação do país deve-se ao fato de que o Estado, tantas vezes criminalizado na vigência do modelo neoliberal, cumpre um papel predominante na consolidação do gasto social como dinâmica econômica para superar a crise. Esses avanços têm sua historicidade na Constituição Federal de 1988, que assentou as bases do Estado de bem-estar social no Brasil, similar  ao projeto social-democrata da Europa de pós-guerra, até ser desmoronado por um liberalismo econômico enganoso, centrado na promessa de um novo ciclo de prosperidade. Atualmente, a reconstrução do Estado está vinculada às políticas públicas de gasto social agregado, que, conforme o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, Márcio Pochmann, aproxima-se de 23% do PIB. Isso significa que, de cada quatro reais gastos no país, um está diretamente vinculado à economia social. O efeito multiplicador desta iniciativa mostra que quase a metade de toda a produção da riqueza nacional encontra-se, direta ou indiretamente, relacionada à dinâmica dessa configuração econômica.&lt;br /&gt;Ressurgindo das cinzas, o Estado do bem-estar social ainda encontra-se escondido entre os escombros do edifício neoconservador, que considera paternalista a tudo aquilo que signifique gasto social. Mas, apesar da pouca percepção dessa mudança, existem dados concretos para serem comparadas com gestões econômicas anteriores. Enquanto em 1978, os setores menos favorecidos foram beneficiados com 7% da porcentagem dos  rendimentos dependentes das transferências monetárias, em 2008, estes mesmo setores (10% mais pobres) chegaram a 25% dessa distribuição de renda. Um aumento de 3,6 vezes. Enquanto isso, os 10% mais ricos receberam no mesmo período de 2008, em termos de transferências monetárias, 18% do rendimento per capita, se comparado aos 8% de 1978.  Tal porcentagem corresponde a um aumento de 2,2 vezes. Isso significa que, na atualidade, a capacidade de resposta social do Estado propiciou transferências monetárias para 58,3% dos setores mais desfavorecidos, assim como 40,8% para aqueles que fazem parte das camadas mais privilegiadas da sociedade. Enquanto 21,8 milhões de brasileiros conseguiram ultrapassar a linha de pobreza extrema, o Estado fica atento para que os meios de produção capitalistas não escolham novamente o caminho errado, e continuem, como deveria ser, a criar riqueza para toda a sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-735933358330298773?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/735933358330298773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/01/reconstruindo-o-estado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/735933358330298773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/735933358330298773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2011/01/reconstruindo-o-estado.html' title='RECONSTRUINDO O ESTADO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-8476552251281954977</id><published>2010-12-08T11:42:00.000-08:00</published><updated>2010-12-08T11:44:00.654-08:00</updated><title type='text'>AS VEIAS ABERTAS DO IMPÉRIO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Enquanto o mundo desborda numa abundância de informações em tempo real, resultado da abertura de um mercado exuberante de vigilância e controle, com recopilação de dados através de softwares de identificação e procura, ninguém poderia imaginar que o feitiço voltou-se contra o feiticeiro. Durante a década de noventa, as empresas de tecnologia disseminaram as maravilhas de um planeta sem fronteiras, lugar propício para que o poder da tecnologia da informação pudesse derrocar regimes autoritários, inimigos ideológicos, ou aqueles que não combinassem com os interesses globais dos Estados Unidos. Atualmente, e parafraseando Eduardo Galeano, autor do livro “As veias abertas da América Latina”, poder-se-ia dizer que chegou a vez do império sangrar, de forma pública, suas atividades ilegais. Com a revelação de mais de 250 mil novos documentos que envolvem atividades de espionagem dos Estados Unidos no mundo, o site WikiLeaks desmascara a atuação da diplomacia estadunidense, que usou essas novas tecnologias da informação para bisbilhotar dezenas de países, além de planejar deliberadamente derrocadas de governos e ataques a nações soberanas. Os documentos também revelam a atuação de diplomatas norte-americanos na ocupação de Afeganistão e do Iraque, com também, se for o caso, do Irã e o Paquistão.&lt;br /&gt;É importante que, do ponto de vista mediático, tal informação se difunda de forma maciça, de modo a reforçar uma visão mais clara de como funcionam os mecanismos de tortura nos bastidores da luta contra o “islamismo radical” de alguns países do Oriente Médio e Ásia. Essa guerra “contra o terror” envolve uma perspectiva econômica que sugere uma nova arquitetura financeira, na qual participam grandes corporações privadas ligadas intimamente ao Departamento de Segurança Nacional e ao Pentágono. O governo estadunidense canaliza bilhões de dólares para as empreiteiras que faturam alto com as privatizações dos bens públicos dos países conquistados. Entre elas, encontra-se o conglomerado Halliburton, que recebe os presos de Guantánamo para encarcerá-los numa prisão de segurança máxima construída por ela. Quando os prisioneiros chegam a seu destino, são confrontados com seus interrogadores vindos da iniciativa privada (contatados pela CIA ou o exército). Os contratos mais lucrativos são obtidos através de métodos de tortura confiável, denominada tecnicamente com o sugestivo nome de “inteligência atuante”. O Big-Mercado da guerra tem outras variantes copiadas do velho oeste. Na invasão de Afeganistão, os agentes de inteligência da CIA publicaram um cartaz que dizia “Você pode obter riqueza além de seus sonhos”, oferecendo entre 3.000 e 25.000 dólares aqueles que entregassem milicianos de Al Qaeda ou Talibãs. Num curto espaço de tempo, as prisões de Bagram e Guantánamo estavam abarrotadas de pastores, cozinheiros, taxistas, tendeiros e religiosos incrédulos, trocados por uma recompensa. O próprio Pentágono terminou divulgando que 86% dos prisioneiros de Guantánamo foram denunciados por agentes afegãos ou paquistaneses depois do anúncio das gratificações. A imprensa internacional descobriu que dos 360 prisioneiros liberados de Guantánamo, 205 foram detidos sem qualquer tipo de cargo. Parece que o livre mercado da inteligência contra-insurgente também fracassa nessa iniciativa. Em relação ao Brasil, muito pouco pode aparecer no site WikiLeaks sobre o governo, que tem na sua diplomacia atual o melhor exemplo de independência e coragem. Pode até ser que existam críticas com referência a posicionamentos ideológicos, como é o caso do atual  ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), Samuel Pinheiro Guimarães, contrário a criar relações carnais com os Estados Unidos. Mais essa crítica é preferível a suportar a humilhação de ver o então ministro de Relações Exteriores, Celso Lafer, tirar seus sapatos no aeroporto de Miami, em dezembro de 2002, para ser revistado pelos seguranças daquele país. Com nosso Brasil, esse tipo de coisas, nunca mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-8476552251281954977?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/8476552251281954977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/12/as-veias-abertas-do-imperio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8476552251281954977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8476552251281954977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/12/as-veias-abertas-do-imperio.html' title='AS VEIAS ABERTAS DO IMPÉRIO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-8883057916766092478</id><published>2010-12-01T09:51:00.000-08:00</published><updated>2010-12-01T09:52:07.040-08:00</updated><title type='text'>O CAPITALISMO DO DESASTRE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A afirmativa mais apreciada na nossa sociedade é que o capitalismo nasce da liberdade, e que o livre mercado desregulado caminha de mão dada com a democracia. Por outro lado, também existe um reconhecimento histórico de que o colapso da União Soviética deveu-se, não apenas pelo fracasso de suas forças produtivas, senão também pelos crimes cometidos em nome do comunismo. Mas vale a pena perguntar-se: O que houve por trás da cruzada contemporânea na defesa da total liberdade dos mercados? Será que a história oficial da construção de um mercado global livre de qualquer tipo de controle, escondia um capitalismo fundamentalista, nascido de um parto brutal através da violência e a coerção corporativista?&lt;br /&gt;O efeito dominó que provocou a crise de 2008, que começou como financeira nos labirintos de Wall Street e se espalhou de forma macroeconômica no mundo todo, terminou-se configurando como uma crise humanitária de grandes proporções. A população que passa fome chega a um bilhão de pessoas e aumenta a todo dia. O Banco Mundial sinaliza que 400 mil crianças a mais dos que morrem anualmente por causas relacionadas à pobreza, morrerão em 2010 devido à crise. Tamanha tragédia que elimina 23 mil empregos por dia nos Estados Unidos, e que se propaga no mundo de forma acelerada, não é resultado de uma catástrofe natural ou de uma conspiração comunista. Ela é culpa do mesmíssimo sistema capitalista, e tem endereço certo: a economia norte-americana assentada nas bolhas do “subprime”, dos famosos derivativos e outros produtos financeiros criados magicamente por estelionatários de colarinho branco. Ainda assim, muitos continuam pensando que tudo isso é uma força virtual que nada tem a ver com indivíduos de carne e osso. Soberbo engano. Vamos desvendar as condutas antiéticas dos altos executivos financeiros, suas práticas impunes de maximização dos ganhos em curto prazo, apenas com o intuito de satisfazer sua cobiça desenfreada. O caso do Lehman Brothers, empresa de 160 anos de existência, levada à falência pelo seu presidente Richard Fuld, que havia recebido durante os últimos cinco anos um total de 500 milhões de dólares, tinha como garantia uma cláusula contratual que, caso fosse demitido, a empresa deveria pagar-lhe 65 milhões de dólares. Em poucos dias, após a quebra do  Lehman Brothers, ocorre à falência técnica da maior empresa seguradora dos Estados Unidos, a American International Group – AIG, que em março de 2009 pagara 168 milhões de dólares em bônus aos executivos da divisão que causara o formidável estrago com suas operações de alto risco.&lt;br /&gt;Vamos continuar com a devassa corporativista? Enquanto o Bank of America adquiria o banco de investimentos Merryl Linch, para salvá-lo da falência, seu presidente, John Tayhn, sabendo da operação, antecipou o pagamento com dinheiro do Estado, de bônus de 4 bilhões de dólares a seus altos executivos. O estressado presidente consolou-se, em plena crise, reformando seu gabinete ao custo de 1,2 milhões de dólares. Enquanto o Brasil se defendia com unhas e dentes da contaminação da crise através de políticas público-privadas de reativação econômica, os presidentes das três grandes montadoras de automóveis norte-americanas iam pedir desesperados ajuda multimilionária ao governo – em seus jatinhos particulares – cujo custo era sessenta vezes maior ao de uma passagem aérea na classe econômica. Sabem por que o presidente norte-americano perdeu a maioria no congresso? Porque fala a verdade a um povo que vive da promessa de riqueza ilimitada. Em 2009, o presidente Obama denunciou as corporações com as seguintes palavras: “usam o dinheiro do contribuinte para pagar suas remunerações, comprar cortinas ou se esconder nos seus aviões particulares”. Nada disso parece ter causado efeito numa sociedade alienada. No restante do mundo, governos se desintegram pela incapacidade de resolver a crise. A sociedade global exige mudanças, organizando-se em novas formas de crítica social, ressuscitando, por sua vez, do longo sopor ao qual foi submetida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-8883057916766092478?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/8883057916766092478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/12/o-capitalismo-do-desastre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8883057916766092478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8883057916766092478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/12/o-capitalismo-do-desastre.html' title='O CAPITALISMO DO DESASTRE'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-8194096008573991892</id><published>2010-12-01T09:49:00.000-08:00</published><updated>2010-12-01T09:50:25.328-08:00</updated><title type='text'>EDUCAÇÃO E MOBILIDADE SOCIAL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Recentemente, o exame do Enem foi noticiado com grande estardalhaço por causa dos problemas ocasionados na confecção dos gabaritos. A gráfica contratada produziu 10 milhões de provas, na qual houve um lote de 20 mil que saíram com erros de impressão. Nesse caso, o governo, depois de identificar os participantes prejudicados, fará uma nova prova através do método TRI, que permite aplicar os testes em dias diferentes com o mesmo grau de dificuldade. Resulta evidente que isso tornou-se um contratempo, mas é uma medida que evitará maiores gastos na aplicação da prova, sem prejudicar aqueles que deverão entrar nas universidades conforme o calendário estipulado. Por outro lado, a atenção centrada nos problemas do Enem, deixou passar despercebida a importante notícia com referência ao aumento de estudantes de baixa renda nos cursos universitários.  A pesquisa do Data Popular, que é um instituto especializado em mercado emergente no Brasil, divulga que, pela primeira vez na década, jovens de baixa renda são maioria nas universidades. Este novo contingente de jovens que representa 73% dos universitários, fazem parte da primeira geração de suas famílias a conquistar um diploma de nível superior.&lt;br /&gt;A pesquisa revela que os estudantes da classe D, originários de famílias que ganham menos de três salários mínimos ultrapassaram os filhos dos setores mais privilegiados da pirâmide social. A mágica desse resultado encontra-se no Programa Universidade para Todos – ProUni, que já atendeu nestes últimos seis anos a 747 mil estudantes de baixa renda. No período de 2002 a 2009, todas as faculdades, tanto públicas como privadas, já contabilizaram o atendimento de 700 mil estudantes da classe D, numa média de 100 mil jovens por ano. Resulta interessante destacar que oito anos atrás esta classe ocupava apenas 5% da totalidade das vagas nas universidades. Na atualidade, pelo contrário, eles representam 15,3%, enquanto os da classe A diminuíram de 24,6% para 7,3% durante o ano de 2009.&lt;br /&gt;O estudo mostra também que entre 2002 e 2009, o número de estudantes universitários no Brasil aumentou de 3,6 milhões para 5,8 milhões, que representa um avanço de 57% na totalidade desse universo educacional. Nesse contexto, as classes A e B detêm 26,3% das vagas nas universidades, enquanto os estudantes das classes C, D e E representam 73,7% desse total. Por outro lado, o acesso à universidade representa para esses jovens um investimento muito pesado, mas que oferece a possibilidade de mudar de vida e ascender socialmente. No entanto, existe uma contrapartida por parte de empresas que realizam parcerias com o Centro de Integração Empresa Escola – CIEE, oferecendo uma ampla rede de apoio através de programas de bolsas em faculdades privadas. Tal iniciativa inclui o governo na sua principal vitrine da política educacional, aquela que permite que estudantes carentes estudem em instituições de ensino superior privadas com bolsa integral ou parcial, usando como contrapartida a isenção de tributos. Para finalizar, e retornando ao caso do Enem, é preciso entender que, apesar de suas falhas circunstanciais, este processo, mais do que uma avaliação do ensino médio, representa um mecanismo institucional de estímulo ao estudo, além de constituir-se numa extensa política de inclusão social. É possível que aquelas pessoas que sempre estão prestes a ridicularizar ou desmerecer qualquer ação governamental, não percebam que por trás de falhas humanas, sempre há uma nova oportunidade para refazer as coisas de modo correto. Nada melhor do que as palavras do Prof. João Monlevade, consultor do Senado Federal, ao dizer que o “Enem representa a transição da loteria dos vestibulares para a realização do preceito constitucional: a educação superior é um direito de todos, segundo a capacidade de cada um, e serve ao mesmo tempo para aperfeiçoar seus mecanismos avaliativos, com o aproveitamento democrático de todos os talentos”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-8194096008573991892?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/8194096008573991892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/12/educacao-e-mobilidade-social.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8194096008573991892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8194096008573991892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/12/educacao-e-mobilidade-social.html' title='EDUCAÇÃO E MOBILIDADE SOCIAL'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-6369430233598701363</id><published>2010-11-16T06:56:00.000-08:00</published><updated>2010-11-16T06:57:30.610-08:00</updated><title type='text'>CONVITE PARA UM CAFEZINHO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A crítica da presidente eleita Dilma Rousseff à política monetária do Banco Central dos Estados Unidos, que quer injetar 600 bilhões de dólares no mercado, de modo a desvalorizar a moeda como forma de beneficiar as exportações, está assentada na convicção de que a esperteza dos países ricos deve ser combatida com vigor. O posicionamento do Brasil com referência a atitudes similares tem, na história recente, algumas circunstâncias que merecem ser relatadas. O interesse dos EUA em implantar a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), que pretendia induzir aos países de América do Sul a suprimir todas suas barreiras aduaneiras, foi abortado pelo fracasso das políticas econômicas neoliberais criadas por Washington que, entre outras artimanhas, preservava para si as barreiras não tarifárias. Além do acesso aos mercados da região, o interesse era a obtenção de superávits comerciais para compensar a perda de competitividade dos seus produtos de exportação.  A crise da Argentina em 2001 reforçou a consciência do governo brasileiro em não cair nessa armadilha comercial. Por outro lado, preocupado com a reaproximação da Argentina com o Brasil, um alto funcionário do Departamento de Estado norteamericano tentou desmanchar tal parceria estratégica, instigando a disputa entre ambos países. O então presidente Fernando Henrique Cardoso declarou nessa oportunidade: “Não é possível deixar a Argentina em crise sem dar a ela condições de sobrevivência. A Argentina foi aplaudida e fez tudo o que o FMI pediu. Agora vai ser punida?”&lt;br /&gt;Nesse contexto, a atitude inescrupulosa de uma revista “conhecida” que se debruça na publicação de factóides circenses que deixam exaltadas as classes médias, omitindo ao mesmo tempo tudo aquilo que permitiria à nossa sociedade discutir com sobriedade o destino de um Brasil consensual, divide a mesma em disputas inúteis. Pouco se divulga sobre o seminário “Desafios, Oportunidades e Riscos da Globalização à Ordem”, que aconteceu em 2001, promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no qual o ex-presidente Cardoso diz o seguinte na abertura do mesmo: “é mais fácil ideológica e politicamente, negociar acordos comerciais com a Comunidade Econômica Europeia do que com os Estados Unidos”. Tal discurso reconheceu claramente, que as negociações com a União Europeia representavam menos riscos para a soberania do Brasil do que as realizadas para a formação do ALCA, pautadas apenas para atender os interesses das nações mais ricas. Durante a abertura oficial da Assembléia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em 2002, o então presidente Cardoso exigiu mudanças nos critérios técnicos do FMI para atender aos países em desenvolvimento, criticando as manobras contáveis destinadas a reduzir as possibilidades de crescimento destes. E acrescentou com aspereza nessa oportunidade: “Quando vamos discutir isto, o FMI nos trata como se fôssemos analfabetos”.&lt;br /&gt;Os leitores sabem da minha admiração pelo presidente Lula, mas poucos sabem o respeito que tenho pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Respeito que é resultado do seu discurso na Assembléia Francesa em 2001, depois do 11 de setembro: “A barbárie não é somente a covardia do terrorismo, mas também a intolerância ou a imposição de políticas unilaterais em escala planetária”. Pode até ser sido retórica, mas a sua mensagem guardava, na sua essência, o desconforto da descoberta que as “relações carnais” com os poderosos deve ser eliminada do vocabulário econômico. Tal discurso foi o epitáfio definitivo da Área de Livre Comércio das Américas. O destino dos países do sul começou com essa mudança de atitude conceitual. A partir daí foram assentadas as bases para consolidar o futuro do Brasil como nação independente, mas com seus olhos colocados solidariamente nos nossos vizinhos. Quando o presidente Lula finalizar seu mandato, seria fantástico se aceitasse o cafezinho oferecido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Tal bebida deveria ser a aliança simbólica que os torne amigos novamente.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-6369430233598701363?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/6369430233598701363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/11/convite-para-um-cafezinho.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6369430233598701363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6369430233598701363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/11/convite-para-um-cafezinho.html' title='CONVITE PARA UM CAFEZINHO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-5586164927673044147</id><published>2010-10-21T17:43:00.000-07:00</published><updated>2010-10-21T17:44:34.331-07:00</updated><title type='text'>ENTRE DEUSES E RELIGIÕES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A campanha deflagrada para o segundo turno se esvazia numa disputa inútil sobre fatos secundários com referência ao debate que importa. Encontrou-se uma brecha no campo das crenças para esconder as propostas que realmente interessam à população brasileira. Não há nada de novo nisso. Já aconteceu nas disputas passadas. A incitação ao pânico que pode provocar qualquer tipo de mudança, mesmo conceitual, termina eliminando o confronto de ideias que permitam traçar metas claras para o futuro do Brasil. Mais uma vez são veiculados aqueles discursos que falam de tabus e religiosidade, como se isso fosse a resolver o futuro econômico do país. Na berlinda desses condicionantes, continuam sendo usados os desgastados “clichês” de que primeiro tem que construir o bolo para depois reparti-lo. Quando de repente surge uma nova proposta de desenvolvimento com inclusão social, os concentradores do “bolo eterno” esgrimem o fantasma do socialismo, como se isso fosse uma alternativa diabólica, sujeita a ser destruída pela mão de Deus e outras formas de arranjos sobrenaturais. &lt;br /&gt;O que se esconde nesse discurso próximo da inquisição religiosa da idade média? Apenas uma nova forma de combater e jogar no esquecimento as conquistas recentes do povo brasileiro. Nada melhor do que criminalizar as comparações entre dois modelos de gestão econômica postos em prática nestes últimos dezesseis anos. No caso concreto de gestão à frente da complexidade monumental de um país como o nosso, não existem nem “pastores nem rebanhos” apenas decisões acertadas ou não, que ocorrem no campo da vida e da economia real. Para entender tal processo, os leitores devem deixar de lado os “factóides” inundados de preconceitos, e focar sua atenção no que realmente aconteceu de melhor no Brasil nestes últimos anos. Apesar dos problemas que ainda castigam nossa sociedade, muito longe de serem resolvidos em curto prazo, vamos centrar-nos nas conclusões “das experiências e ações dos governos anteriores” avaliando a seguinte argumentação: Houve, na transição entre um governo e outro, dois modelos econômicos que entraram na pauta das alternativas para a construção de uma nova sociedade. Por um lado, era a continuidade indefinida do modelo imposto pelo Fundo Monetário Internacional na região, assentado em políticas profundamente recessivas, a um custo social insuportável e sem perspectivas de crescimento, e, por outro, a opção pela reconstrução do Estado como indutor de desenvolvimento por meio de políticas público-privadas, com forte inclusão social através de programas distributivos inseridos no tecido produtivo. Claro que essa modalidade não é invenção do atual governo. Entretanto, sua reestruturação através do Fome Zero e do Bolsa Família, ganharam uma nova configuração, porque são inerentes a uma política econômica com foco na transferência de renda de forma ampla. A qualidade destes programas encontra-se na sua própria natureza, livres do cerceamento dos ajustes monetários do modelo neoliberal. Atravessar uma crise mundial de forma inédita e criar 14 milhões de empregos com carteira assinada, elevando a padrões de classe média 70 milhões de brasileiros e tirando da pobreza absoluta outros tantos, espalhando a dádiva de luz e da casa própria para grande parcela da população, incorporando-os ao consumo de bens tantas vezes negados, é suficiente para discordar de que isso signifique uma degradação das instituições no Brasil. Ao contrário, se o povo humilde, consciente dessas mudanças, credita essas conquistas à intervenção divina, não está equivocado. Ao final, o placebo religioso está centrado na bondade do profeta Jesus Cristo e sua opção pelos pobres. Devem estranhar que diga tal coisa, já que muitos me conhecem como cético. Mas isso significa acrescentar um ideal nobre para os que lutam por um projeto humanístico, muito cercano aos fundamentos do cristianismo, infinitamente diferente daqueles que se mascaram de religiosidade e são incapazes de qualquer iniciativa solidária para com a pobreza anônima. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-5586164927673044147?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/5586164927673044147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/10/entre-deuses-e-religioes.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/5586164927673044147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/5586164927673044147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/10/entre-deuses-e-religioes.html' title='ENTRE DEUSES E RELIGIÕES'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-2021843174566296659</id><published>2010-10-21T17:42:00.000-07:00</published><updated>2010-10-21T17:43:21.281-07:00</updated><title type='text'>COMBATE A POBREZA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A notícia divulgada de que o Brasil lidera, pelo segundo ano consecutivo, o ranking que mede o progresso de países em desenvolvimento na luta contra a pobreza que, segundo o relatório da ONG ActionAid, é das políticas sociais adotadas pelo governo federal para reduzir a fome no país, entre elas os programas como o Bolsa Família e o Fome Zero, gostaria de acrescentar mais algumas considerações. Em primeiro lugar, não por acaso o Brasil é citado como um exemplo nesse tipo de iniciativas, centradas em políticas públicas de inclusão social. O sucesso destes programas está assentado em ações que envolvem 11 ministérios, destinados a ampliar o acesso à alimentação, o fortalecimento da agricultura familiar e, como medida inclusiva fundamental, a incorporação de processos de geração de renda e aumento das atividades produtivas na economia.&lt;br /&gt;Muitos leitores dirão que ainda assim ocorrem gritantes distorções sociais, insistindo em que tais programas não passam de simples assistencialismo, porém sem questionar as imensas desigualdades históricas existentes entre os pequenos e grandes produtores de alimentos. Entretanto, a inserção social reforçada com políticas públicas a partir do Fome Zero, faz com que as famílias mais carentes, ao receberem os benefícios, possam ter acesso à alimentação e água, gerando ao mesmo tempo um impacto na economia local, já que nas regiões mais distantes, o dinheiro do programa representa até 70% da arrecadação anual do município. Como se pode observar, tais programas de transferência de renda não se encontram desvinculados das outras atividades econômicas que criam condições para o crescimento do país. O fato de que 22 milhões de famílias brasileiras pretendem até dezembro de este ano reformar ou construir uma casa, já é suficiente para atestar o funcionamento destas políticas governamentais.&lt;br /&gt;As classes de menor renda beneficiadas pelos programas sociais, com destaque para aquelas que praticam o consumo “formiga” na aquisição de bens, mas que injetam dinheiro no mercado através do aumento da renda familiar e da maior oferta de crédito, faz com que as atividades produtivas cresçam vertiginosamente. Tanto é assim, que tal consumo no setor de construção, por exemplo, elevou a receita do setor para R$ 21,4 bilhões, correspondente a um crescimento da indústria de 20,3%  durante o primeiro semestre de 2010 em relação aos períodos anteriores. Mais importante ainda, essa receita deve fechar o ano com alta de 15%. Por outro lado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulga na sua última pesquisa que o potencial de consumo das classes que possuem renda média familiar de R$ 2.950,00 a R$ 5.350,00 respectivamente, encontra-se neste ano no patamar de R$ 970 bilhões, 30% a mais do que em 2009. Tal processo de mobilidade social injeta na economia um potencial de consumo de R$ 2,2 trilhões, que corresponde a uma expansão de 22% em relação aos anos anteriores. Para finalizar. Qual é o papel do intelectual vigilante com ações dessa natureza? A disposição de debater a abrangência de políticas públicas de inserção social, principalmente aquelas direcionadas aos setores mais carentes da sociedade, deve servir para conscientizar aos espectadores passivos da necessidade de um olhar sobre a pobreza no Brasil.&lt;br /&gt;Essa perspectiva remete ao reconhecimento da grande desigualdade na distribuição de renda ainda existente no país, assim como a descoberta conceitual de que tal situação faz com que uma grande parcela da população esteja submetida a condições mínimas de dignidade e cidadania. Toda iniciativa direcionada para construir ações focalizadas nas famílias mais pobres deve ser entendida como um ato de solidariedade humana, e não como um desperdício econômico baseado apenas em juízos de valor marcados pelo preconceito de classe, tão perverso quanto o modelo neoliberal que vigorou absoluto nestes últimos quarenta anos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-2021843174566296659?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/2021843174566296659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/10/combate-pobreza.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/2021843174566296659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/2021843174566296659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/10/combate-pobreza.html' title='COMBATE A POBREZA'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-5558332331069589262</id><published>2010-10-21T17:40:00.000-07:00</published><updated>2010-10-21T17:41:45.154-07:00</updated><title type='text'>O SIGNIFICADO DE LIDERANÇA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Seguramente o leitor encontrará nesse significado, do ponto de vista formal, um mecanismo de sustentação social reconhecido por sua obviedade, já que um líder é um indivíduo que dirige o grupo transmitindo ideias e valores para o mesmo. Mas o conceito de liderança excede essa formatação, no momento em que a mesma se transforma num compromisso público com a história. Nesse caso, um líder que se destaca por sua inteligência, por seu poder de comunicação e por suas atitudes, direcionadas à construção da igualdade, solapando as velhas estruturas de autoridade e hierarquia, respondendo aos anseios populares sem reverências, é um indivíduo que deve ser reconhecido como tal. Quando o líder nos indica o caminho para viver conforme nossa consciência, além da capacidade de atestar que a realidade da liberdade humana pode combater as supostas inevitabilidades da história, é que podemos dizer que essa escolha marca o caminho de um novo estilo e qualidade de seus seguidores. Tal conceituação sobre liderança está destinada a fazer algumas considerações sobre o nosso atual mandatário. Se por um lado, o pragmatismo leva-me a ultrapassar o caráter partidário, apoiando candidatos de partidos diferentes através do voto útil, por outro, sou um admirador incondicional do presidente Lula. E vou dizer por que.&lt;br /&gt;Muita gente prefere ignorar que o brasileiro Luis Inácio da Silva, nascido pobre e humilde em Caetés, no interior de Pernambuco, em 1945, hoje presidente do Brasil, destaca-se como um dos indivíduos mais influentes de todas as personalidades globais. Na lista publicada pela revista Time, além de mencionar seu nome, o situa proeminente junto a homens de negócios, cientistas e artistas mundialmente conhecidos. A trajetória de Lula e suas deficiências de formação transformaram-se num símbolo contra toda forma de exclusão social, mas que ainda deixa transparecer nas opiniões de alguns setores elitizados, o pouco esforço em disfarçar o preconceito social e de classe. O silêncio desse segmento da sociedade perante o destaque mundial de um brasileiro mestiço, nordestino, de origem pobre e grande déficit de educação formal, os torna cúmplices de uma das piores qualidades do ser humano: o culto à inveja descabida. Muitos ex-presidentes sonharam em alcançar tal reconhecimento. Entretanto, apenas o presidente Lula, em toda a história das relações internacionais do Brasil, teve a honra de ser declarado o “Estadista do Ano”, com ênfase numa “personalidade original, de profundo caráter social e desprovido de complexos neocoloniais”.&lt;br /&gt;Mais isso não é suficiente. Nosso presidente continua sendo ridicularizado por indivíduos que carecem de qualquer tipo de consciência ética, porque se mascaram nos bastidores da internet. Assim mesmo, muitos podem não gostar das minhas ideias. Posso escrever coisas que geram mal-estar. Mas não me escondo. Entro no campo de batalha de frente contra meus desafetos, mas nunca parto para humilhar-los ou desmerecê-los publicamente.&lt;br /&gt;Da mesma forma, o presidente Lula deve ser respeitado. Não só pelo cargo que ocupa, e sim como um ser humano que, numa trajetória de lutas populares pela democracia, ajudou a modelar os rumos da política brasileira. As Nações Unidas, ao escolher o Bolsa Família como símbolo mundial de resgate dos desfavorecidos, coroa o fim do seu mandato.&lt;br /&gt;Vou mais longe ainda. Admirar o presidente Lula não é fazer “culto à personalidade”, e sim reconhecer nele uma liderança que propicia a construção de um Brasil mais solidário, assentando as bases para o desenvolvimento com inclusão social. Essa conceituação encontra-se distante de imaginar nosso presidente como um líder infalível, porque a submissão total se degrada num mero ato religioso. Ela apenas significa o tributo que grande parte da população brasileira faz a uma pessoa que, por seu mérito político, ocupa o lugar que sempre foi restrito a uma determinada classe social, e sai dele fortalecido com a mais original das conquistas: vencer o medo através da esperança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-5558332331069589262?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/5558332331069589262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/10/o-significado-de-lideranca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/5558332331069589262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/5558332331069589262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/10/o-significado-de-lideranca.html' title='O SIGNIFICADO DE LIDERANÇA'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-2019230562686727601</id><published>2010-09-22T13:34:00.000-07:00</published><updated>2010-09-22T13:36:37.428-07:00</updated><title type='text'>O DECÁLOGO DO TERROR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mais uma vez as assustadas hostes conservadoras recorrem ao fantasma do socialismo para apavorar os leitores. Numa mágica ideológica tiram da gaveta o decálogo do comunista Lênin, publicado em 1913, de modo a aterrorizar os potenciais eleitores nas próximas eleições. Só indivíduos formatados no maniqueísmo da guerra fria podem ainda acreditar no retrocesso da volta ao passado. Não se deixe enganar caro leitor. Apenas preste atenção ao meu relato, por sinal, muito mais cercano da gente do que aquele decálogo ultrapassado pela história.&lt;br /&gt;As pessoas que viveram a experiência das ditaduras militares dos anos setenta devem recordar, especialmente nos países do MERCOSUL, a implantação de regimes de terror por parte de governos de extrema direita. Lembrem-se de dois exilados ilustres que tiveram que fugir do Brasil naquela época, Fernando Henrique Cardoso e José Serra, entre outros.&lt;br /&gt;O Plano de extermínio maciço de opositores aos regimes militares daquele período, atribuído a uma organização de extrema direita chamada “Operação Condor” entre 1974 a 1997, ajudou a restaurar a hegemonia estadunidense mediante um regime de terror nunca antes visto em América Latina. A primeira reunião da “Operação Condor” aconteceu entre novembro e dezembro de 1975, através de um encontro informal na casa do general Contreras, agente da Agência de Inteligência Chilena – DINA, no qual estavam presentes os chefes da Inteligência Militar de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, de modo a organizar uma operação destinada a realizar um trabalho multilateral dos agentes responsáveis de vigiar, encarcerar, torturar e repatriar opositores aos diferentes regimes que vigoravam na época.&lt;br /&gt;A “Operação Condor” usou, segundo documentos desclassificados pelo Pentágono e publicados pela Revista Cover Action (1996), os serviços de funcionários da CIA como do FBI ligados diretamente ao Departamento de Estado Americano, entre os quais estava o agente Michael Townley, que teve participação no assassinato do general chileno Carlos Prats em Buenos Aires em 1974 e do ex-embaixador Orlando Letelier e sua secretária em Washington em 1976. A Divisão de Serviços Técnicos da CIA cedeu equipamentos elétricos de tortura aos militares brasileiros e paraguaios, capacitando-os sobre como deveria ser graduada a intensidade da voltagem para não exceder a capacidade de resistência humana, a qual eram submetidas às pessoas torturadas. Argentinos e chilenos, que cursaram a tristemente célebre Escola das Américas, com sede no Panamá, já eram experientes nessas atividades. Nos corredores sinistros das ditaduras militares que tanto envergonharam nossas terras latino-americanas, ouvem-se ainda os gritos desgarrados de milhares de seres anônimos dos quais foram tiradas até as últimas gotas de dignidade humana. Grande parte dessa história de horror foi descoberta por casualidade. Em 1992, o juiz paraguaio José Agustín Fernandez que estava investigando a morte de um professor, que tinha sido torturado nas dependências da Secional Política da Polícia de Investigações de Assunção, encontrou todos os documentos originais da “Operação Condor” misturados aos arquivos locais, numa quantidade tão volumosa que foi necessário o uso de vários veículos para transportá-los a um lugar apropriado para a pesquisa jurídica. Mais ainda, a Escola das Américas (SOA) inicialmente estabelecida no Panamá em 1946 e logo transferida para Fort Benning, em Columbus, Geórgia, treinou mais de 60 mil soldados latino-americanos em matérias tais como técnicas anti-subversivas, tiro, mecanismos de extorsão, tortura física e psicológica, inteligência militar e técnicas de interrogação, contra-insurgência, defesa interna e operações antidrogas. Essa “Escola de Assassinos” supera amplamente o decálogo leninista divulgado às fartas, usado sorrateiramente como intento para iniciar uma “caça as bruxas” de modo a criminalizar o pensamento progressista, e fazer acreditar, ao mesmo tempo, que temos comunistas dormindo embaixo da nossa cama. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-2019230562686727601?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/2019230562686727601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/09/o-decalogo-do-terror.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/2019230562686727601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/2019230562686727601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/09/o-decalogo-do-terror.html' title='O DECÁLOGO DO TERROR'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-7275196007725642970</id><published>2010-09-16T14:15:00.000-07:00</published><updated>2010-09-16T14:16:52.861-07:00</updated><title type='text'>A ENGHENARIA ECONÔMICA BRASILEIRA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todos os empresários do país devem se lembrar muito bem da data 15 de setembro de 2008. Nesse dia, o mercado financeiro mundial, sustentado por um modelo parasitário centrado na especulação desenfreada, parou. Também devem lembrar-se do banco de investimento Lehman Brothers, aquele mesmíssimo que duvidada da solvência do Brasil, que por incompetência não conseguiu superar os efeitos da crise, quebrando de forma vergonhosa. Essa quebra emblemática afetou indiretamente nosso país, ao provocar uma brusca depreciação cambial e uma acentuada queda da demanda dos produtos brasileiros no mercado internacional. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil diminuiu consideravelmente, resultado da desaceleração dos investimentos por parte do setor empresarial, que segurou suas despesas de capital, receoso do descalabro da crise que se avizinhava, considerada por muitos como a pior desde o “crash” de 1929. Entretanto, o governo brasileiro, ao implantar um modelo desenvolvimentista a partir de 2003, foi preparando o terreno para se proteger de qualquer ataque especulativo por parte dos picaretas internacionais, ansiosos em recuperar suas perdas. De que forma foi realizada tal façanha, obra de uma extraordinária engenharia econômica?&lt;br /&gt;O governo, através da recuperação estatal, iniciou um processo nunca antes feito no Brasil, que foi a adoção de medidas fiscais e monetárias anticíclicas, evitando assim a contaminação do sistema financeiro nacional, de modo que pudesse ser recuperado o nível das atividades econômicas e produtivas do país. As primeiras medidas contra a contração do crédito foram aumentar a liquidez da moeda, tanto nacional como estrangeira, através da utilização das reservas do Banco Central para vender dólares e frear a depreciação da moeda local, além de criar uma linha de financiamento para as exportações. Tudo isso foi possível porque o Brasil tinha reservas acumuladas de 210 bilhões de dólares, que permitiu sustentar qualquer intento de contaminação externa. Já em 2009, a União abriu uma linha de crédito para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de 3,3% do PIB, em conjunto com incentivos financeiros para o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.  Tal iniciativa permitiu, a esses bancos públicos, a aplicação de recursos nos setores produtivos mais dinâmicos e geradores de empregos, como a construção civil, agropecuária e insumos básicos, de modo a incentivar a produção e venda de bens de consumo duráveis.&lt;br /&gt;O mais marcante nessa obra de reconstrução do Estado brasileiro, na qual todos os setores da sociedade se beneficiaram em maior o menor grau, foi a tarefa gigantesca de fazer convergir crescimento econômico com inclusão social. Os programas de transferência de renda, entre eles o programa Bolsa Família em conjunto com o aumento real do salário mínimo, trouxeram uma nova esperança para milhões de brasileiros que permaneceram tanto tempo à margem do consumo social. As opções do governo em revitalizar um modelo assentado em medidas de incentivo fiscal e monetário, tiveram como resultado a recuperação do Estado na sua capacidade de resposta social, propiciando a aceleração do crescimento e a produtividade. Não apenas isso, o aumento do emprego formal, dos lucros e os salários, terminaram acentuando um novo ciclo de desenvolvimento, sinalizado pelo crescimento do PIB em 9% no primeiro semestre de 2010. No entanto, ainda há cegos perante tal desempenho. A cegueira política, intelectual, partidária, ou pior, a cegueira da desinformação, termina reproduzindo o pensamento fragmentado, tão perigoso para a construção do bom senso. A razão é substituída por clichês desgastados e preconceituosos, imunes as mudanças. Da mesma forma daqueles que continuam insistindo em modelos que negam, a priori, a possibilidade de concretizar políticas macroeconômicas que incorporem desenvolvimento com inclusão social, tão importantes para eliminar de vez a desigualdade que ainda nos cerca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo         &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-7275196007725642970?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/7275196007725642970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/09/enghenaria-economica-brasileira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7275196007725642970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7275196007725642970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/09/enghenaria-economica-brasileira.html' title='A ENGHENARIA ECONÔMICA BRASILEIRA'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-2490075750046596777</id><published>2010-09-16T14:13:00.000-07:00</published><updated>2010-09-16T14:14:53.789-07:00</updated><title type='text'>A REALIDADE CONSTRUÍDA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por que as pessoas têm tanta dificuldade em reconhecer a ciência como um método para entender a realidade?  É possível que o ser humano, imerso no mundo do cotidiano, sinta medo de seus aspectos inquietantes?  Ou apenas porque a ciência questiona dogmas religiosos sedimentados no inconsciente da sociedade? Ainda hoje, apesar da nossa espécie ter percorrido uma trajetória histórica de 100 milhões de anos, existe uma clara hostilidade contra os avanços da ciência. Não da tecnologia aplicada, aquela que faz parte do dia a dia, senão da ciência que afirma que são as leis e as forças da Natureza, e não os deuses, os responsáveis pela ordem e até pela existência do universo.&lt;br /&gt;Podemos observar que a ciência trabalhou silenciosamente, à margem das crenças estabelecidas como mecanismos de controle social, avançando passo a passo na consecução de seus óbvios triunfos e benefícios, mas sempre fora da corrente principal do desenvolvimento humano. Os chineses inventaram a pólvora, os foguetes, o tipo móvel, a bússola magnética e o sismógrafo. Os indianos inventaram o zero, que significou o primeiro passo para a aritmética e seus resultados quantitativos. No mundo pré-colombiano, os astecas desenvolveram um calendário mais preciso que os dos europeus. Isso lhes permitiu predizer com exatidão a posição dos planetas no firmamento. Mas foi da Grécia antiga que surgiu o método da ciência cética, experimental e investigativa. Qual foi a origem dessa descoberta?&lt;br /&gt;Ela pertence a um fator cultural específico, que foi a assembléia, na qual, segundo Lucrécio, os homens aprenderam, “pela primeira vez a persuadir uns aos outros por meio do debate racional”. Por outro lado, a economia marítima permitia a ampliação do conhecimento além da cultura local, assim como um mundo extenso no qual se colhiam novas formas de observar a realidade. O jônico Lucrécio resumia seus pensamentos da seguinte maneira “A natureza livre e desembaraçada de seus senhores arrogantes é vista agindo espontaneamente por si mesma, sem a interferência dos deuses”.&lt;br /&gt;O leitor ocasional pode se sentir incomodado por estas afirmações. Entretanto, se aprofundar o tema, poderá verificar que, nos livros de Introdução à Filosofia, os nomes e ciência aplicada dos antigos jônicos dificilmente são mencionados neles. Não por acaso aqueles que rejeitam os deuses tendem a serem esquecidos. O desequilíbrio e o pavor que desperta tentar questionar as crenças estabelecidas, faz com que desprezemos a memória desses céticos, muito menos as suas ideias. Seguramente houve, na história da humanidade, muitos pensadores que ousaram explicar o mundo através do método científico, em termos de matéria e energia, tentando disseminar seus conhecimentos em diferentes culturas. Em contrapartida, também foram combatidos ao extremo e eliminados por padres e filósofos empenhados em reafirmar a sabedoria convencional, secularizando-a Às vezes me pergunto o que pode acontecer com um professor de sociologia que tenta descriminalizar o método científico. Quebrar o pensamento linear trazido da escola para a universidade, e transformá-lo numa alternativa transversal, pode gerar desconforto nos acadêmicos pré-formados num mundo cultural onde predomina o pensamento político hierarquizado. As culturas que não enfrentam desafios desconhecidos, nas quais as mudanças fundamentais não são importantes, toda ideia nova não precisa ser estimulada. Nesse caso, o pensamento torna-se rígido; qualquer pretensa heresia pode ser declarada perigosa; podendo ser imposta, por sinal, uma vasta gama de sanções contra ideias não permitidas. Tudo isso sem causar dano à sociedade, apenas ao transgressor. E possível o reconhecimento daqueles que, em vez de acompanhar docilmente os dogmas estabelecidos, tentam desvendar a importância do universo social e físico? Qual seria o inconveniente em aceitar que tal dimensão dogmática não passa de uma mera construção social da realidade, de modo a permitir ao ser humano libertar-se das superstições culturais?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-2490075750046596777?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/2490075750046596777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/09/realidade-construida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/2490075750046596777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/2490075750046596777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/09/realidade-construida.html' title='A REALIDADE CONSTRUÍDA'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-1575866071556043438</id><published>2010-09-02T16:32:00.000-07:00</published><updated>2010-09-02T16:33:35.093-07:00</updated><title type='text'>A DEUSA PRIMORDIAL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Resulta muito interessante poder analisar os caminhos da nossa espécie através da sucessão de mitologias. Todas as crenças relacionadas aos mitos da criação correspondem de maneira surpreendente às etapas cronológicas da história humana. Na primeira etapa, o mundo é criado do nada por uma deusa mãe. Na segunda, com auxílio de um casal criador. Na terceira, um deus macho se apropria do poder e cria o mundo sobre o corpo da deusa primordial. Por fim, na quarta etapa, um deus macho cria o mundo sozinho. Como corolário, o mito cristão consolida a transição de um universo matricêntrico para um mundo patriarcal. O onipresente Javé, deus todo-poderoso, faz o mundo sozinho em sete dias e, depois, cria o homem. Logo, num ato de soberba masculina, cria a mulher da costela deste e, finalmente, os premia com a vida no Jardim das Delícias. Mas, por culpa da mulher sedutora, o homem cede à tentação da serpente e ambos são expulsos do paraíso. Ao contrário das mitologias primitivas, nas quais a Grande Mãe era amorosa e permissiva, o deus Javé é único e centralizador, zeloso no controle e obediência de leis rígidas, cuja transgressão é sempre punida. A condenação do trabalho perpétuo é o resultado do pecado original. O trabalho escraviza o homem, e ele escraviza a mulher. A relação homem – mulher perde seu sentido solidário e se efetiva através da dominação masculina.&lt;br /&gt;O culto a uma deidade feminina, na história da humanidade, sempre esteve associada a uma imagem sagrada centrada na fertilidade humana ou agrícola, como também aos ciclos naturais da vida, que remonta a tradições espirituais pré-históricas e que ainda se pratica no mundo inteiro de forma inconsciente. As imagens de deusas, desde a Idade da Pedra, simbolizam a “fecundidade, a nutrição, a generosidade, a comunidade e a própria terra” diziam seus adoradores. Nas tradições dos nativos norte-americanos e de muitas religiões africanas, as deusas femininas controlavam os ciclos de plantação, crescimento e colheita, nascimentos, pró-criação e morte. No império greco-romano, as deusas tinham características masculinas, próprio de civilizações dedicadas à conquista, como Atena e Minerva, guerreiras da sabedoria, ou Artemis e Diana, padroeiras da caça.&lt;br /&gt;Podemos observar que nesse percurso da construção da vida econômica dos povos, baseados na produção de subsistência agrícola, as figuras principais em tal formatação cultural estava centrada no culto às mulheres. A Grande Mãe (Magna Mater) romana era descendente direta da deusa da fertilidade Cibele, que, na tradição semítica era conhecida indistintamente como Astartéia ou Ester. A protetora do hinduísmo (Devi) que é deusa venerada através de variados cultos, entre elas Parvati, Durga e Kali, de inúmeros braços, representavam a suavidade maternal com aspectos de ferocidade guerreira em seu papel de protetora.&lt;br /&gt;Na dimensão do sobrenatural das civilizações, o feminino impregnava o universo social da antiguidade, tanto, que o culto Católico Romano à Virgem Maria provém dessas tradições. Torna-se evidente que tal imagem religiosa, no mundo contemporâneo, tornou-se uma mera figura coajudante do deus macho. Qual foi o resultado de tal processo?&lt;br /&gt;As sociedades de origem matriarcal, demonstradas pelo próprio culto às deusas, tão antigo como a própria humanidade, postulavam uma Mãe Terra, criadora primordial do universo. Quando a sociedade patriarcal destituiu as mulheres do seu poder criador, a Deusa Primordial perdeu seu papel centrado nos ciclos agrícolas e de fecundidade, e foi substituída por um deus masculino poderoso, fazedor de tudo que existe na terra, distante e impenetrável, configurado no centralismo racional do judaísmo, do cristianismo e do islamismo. Do ponto de vista científico, tais configurações estão relacionadas aos aspectos espirituais da sociedade, encampadas na essência das crenças religiosas. Entretanto, ainda assim, existe uma dívida monumental para com as mulheres, que é restituí-las de sua condição histórica na modelagem do mundo dos homens.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-1575866071556043438?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/1575866071556043438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/09/deusa-primordial.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1575866071556043438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1575866071556043438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/09/deusa-primordial.html' title='A DEUSA PRIMORDIAL'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-3236083956943443290</id><published>2010-08-27T13:16:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T13:17:45.660-07:00</updated><title type='text'>COMO CONQUISTAR UMA MULHER INTELIGENTE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O título desta crônica parece um ato falho machista? Parece, não é? Antes de ficarem chateadas comigo, as donzelas devem saber que por cada mulher pouco inteligente existe um homem com as mesmas características. Se não fosse assim, seria uma injustiça, porque sobrariam homens e mulheres em todo canto do planeta. E isso não ocorre porque os pares se juntam. Ainda bem. Ao final, sempre há alguma dose de masoquismo nos encontros amorosos, que ocorrem por necessidade ou desespero.&lt;br /&gt;Como a retórica da conquista (nem sempre) pertence ao homem, o mesmo está propenso a tentar por assimilação ou múltipla escolha. Se o sujeito for meio bobo, deve tentar tantas vezes até encontrar seu congênere (estou falando disso intelectualmente). Por outro lado, se for inteligente e bonito, grande parte do repertório da pesquisa está assegurado, já que o esforço em ser notado torna-se secundário. Nessa parte do processo encontra-se o perigo. Vamos imaginar uma mulher super-bonita, que aparece diariamente nas colunas sociais. O bonitão se aproxima, ela sente sua presença e exercita todo tipo de mecânica de sedução visual: olhar distante com os olhos entrecerrados, posição de estátua da sétima arte e outras coisas do gênero. Nosso amigo inteligente (condição indispensável) deve fazer a pergunta padrão – a gente não se conhece da faculdade de filosofia? – e se a resposta for de onde é tal agência, deve partir para o próximo intento. Talvez seja mesmo no meio acadêmico ou nos lugares mais inesperados. O olho clínico do nosso conquistador deve estar aguçado para a escolha. Uma apresentação musical? Teatral? Um congresso? Um seminário? Uma biblioteca? Uma livraria?&lt;br /&gt;Isso mesmo! Uma livraria. Vamos ao ataque. A mulher bonita está olhando um livro. Se for de auto-ajuda ou esotérico, pode esquecer. Se for de gastronomia, bom, isso prognostica o futuro. E se estiver folheando economia política ou alternativas educacionais? Se aproxime, veja o título e o autor. Paulo Freire? Eduardo Galeano? Darcy Ribeiro? Florestan Fernandes?&lt;br /&gt;Nesse caso encontrará uma mulher inteligente e combativa. Vale a pena apostar nela? Depende do posicionamento político do marmanjo. Se estiver folheando poesia ou coisas similares, o sujeito deve estar capacitado para conviver com donzelas sublimadas. Se, por fim, se aproxima e intenta um início de conversa e o sorriso da bela se abre para o diálogo dialético, pode apostar que tudo dará certo intelectualmente. O próximo passo é usar a inteligência para o jogo amoroso. Tudo isso vale para os feios inteligentes também. Sem preconceito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-3236083956943443290?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/3236083956943443290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/08/como-conquistar-uma-mulher-inteligente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/3236083956943443290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/3236083956943443290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/08/como-conquistar-uma-mulher-inteligente.html' title='COMO CONQUISTAR UMA MULHER INTELIGENTE'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-8066278922324326201</id><published>2010-08-27T13:11:00.001-07:00</published><updated>2010-08-27T13:11:25.991-07:00</updated><title type='text'>DICA PARA OS FEIOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se você não é muito lindo ou medianamente feio, não se lamente, há outras formas de recuperar a auto-estima. Como primeira medida paliativa, deve tomar a iniciativa de circular pela cidade até encontrar outro mais feio do que você. Isso ajuda a superar o trauma da historicidade de sua vida. Lembre-se que ainda existe a alternativa de exercitar a inteligência, apesar de correr o risco de haver outros concorrentes bonitos e geniais. Mas não desista, eles não são muitos.&lt;br /&gt;Só deve tomar cuidado com certas armadilhas, não de outros homens, senão das mulheres. Elas, sedutoras e absolutas nas colunas sociais, tratarão você com o descuido complacente daquele ditado, insuportavelmente inverídico, de que a beleza está no coração. Não se preocupe, faça de conta que acredita. Quem sabe. Talvez encontre alguém que tenha um instinto maternal suicida e se compadeça com seu destino irreversível.&lt;br /&gt;Nunca tente se consolar nos livros de auto-ajuda. Muito melhor é procurar uma mulher na Faculdade de Filosofia. Esse é o lugar certo. Aquelas damas que circulam nesse recinto, pode apostar, tem muita afinidade com suas características. Trata-se de uma espécie de compensação amorosa pelos limites da atração física. Também precisa saber, com absoluta convicção, que o pior lugar para circular é nos locais públicos. É justamente nesse espaço que sua desvantagem se acentua. Se você cede o lugar para uma mulher bonita na escada rolante, na entrada do cinema ou na fila do banco, pode ter certeza que pensará que lhe está passando uma cantada indesejada, própria de um tarado insistente (em contrapartida, se você fosse bonito, ela contará para as amigas daquele homem de olhar intenso e irresistível). Não chore companheiro. Nunca uma mulher disse para mim que era lindo, apenas simpático. Talvez seja este o último recurso que nos resta neste desigual combate de genética darwinista.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-8066278922324326201?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/8066278922324326201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/08/dica-para-os-feios.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8066278922324326201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8066278922324326201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/08/dica-para-os-feios.html' title='DICA PARA OS FEIOS'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-1977573569318174329</id><published>2010-08-27T11:47:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T11:50:11.669-07:00</updated><title type='text'>A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O leitor deve imaginar que vou falar de religião, não é? Nada disso, estou usando o título de maneira “alegórica” como forma de interpretar porque a grande maioria do povo brasileiro apóia a política de governo atual. Tirando a roupagem dos termos técnicos, armadilha usada pelos gurus da economia neoliberal para esconder suas frustrações em matéria de previsões, vou mostrar de forma clara como a população em geral foi favorecida por um crescimento sustentável da economia produtiva. Apesar do título, não há nada de sobrenatural nesta constatação. Vamos lembrar alguns fatos históricos sem assumir partidarismos políticos. O Brasil sofreu um forte ataque especulativo no segundo semestre de 2002, que provocou um impacto enorme nas finanças públicas, com uma inflação de 12% ao ano e uma dívida do setor público que beirava em 52% do Produto Interno Bruto (PIB). Para piorar a situação, as reservas internacionais do Brasil eram apenas de US$ 37,8 bilhões, das quais US$ 20,8 bilhões faziam parte de um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em contrapartida, a economia mundial, em franco crescimento, permitiria ao Brasil obter um superávit comercial que ajudaria ao país nos anos posteriores, diminuindo favoravelmente sua vulnerabilidade externa. A visão ideológica que imperava até então, era que o mercado livre de intervenções, favorecia os fatores de produção de acordo com sua produtividade, recebendo por isso uma remuneração adequada. Ou seja, as decisões do mercado eram mais confiáveis e menos danosas que as do governo. Azar quem acreditou nisso.&lt;br /&gt;No entanto, o governo eleito assumiu, no primeiro ano de 2003, uma postura de continuidade do modelo neoliberal herdado, tanto por causa dos compromissos externos como da imagem de credibilidade no combate ao processo inflacionário, aliado até então por uma forte contenção fiscal e cambial do país. Na medida em que a situação de vulnerabilidade diminuía, o governo aprovou uma mini reforma tributária de modo a elevar a arrecadação do Estado, que possibilitou implantar as bases econômicas da visão desenvolvimentista, até então engavetada. Tal postura, que para alguns é resultado de “populismos ineficientes”, refletiu-se, a partir de 2005, na adoção de medidas temporárias de estímulo fiscal e monetário, de modo a acelerar o crescimento para elevar a produtividade da economia. Paralelamente, houve um significativo aumento nas transferências de renda e elevação do salário mínimo, que permitiu o acesso ao consumo social a grande parcela da população mais pobre. Por outro lado, o estímulo ao investimento público e privado em capital fixo, chegou a uma taxa de 19,0% do PIB em 2008, que preparou o terreno para evitar o contágio da crise mundial em andamento. Com a redução da dívida externa, que teve seu ponto de inflexão no pagamento daquela contraída com o FMI, o país conseguiu acumular no final de 2008 um estoque total de reservas no Banco Central de US$ 207 bilhões, como forma de blindagem para qualquer tipo de crise que aparecesse no horizonte econômico internacional. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se o leitor não gostou de números, vou partir para comentar algumas constatações que eu, como sociólogo, realizo “no campo” com trabalhadores anônimos, muitas vezes invisíveis para aqueles que os observam com olhos de superioridade intelectualizada, desqualificando-os como indivíduos incapazes de contrapartidas econômicas. Esse povo, no qual corre nas suas veias a esperança de continuar tendo uma vida digna com emprego seguro, que lhe permite ter acesso pela primeira vez a bens de consumo tantas vezes negados, e sonhar, ao mesmo tempo, que tudo pode melhorar daqui para frente, é suficiente para confiar “num país de futuro”. A voz do povo dificilmente se engana. Essa maré humana que corre nos bastidores da retaguarda produtiva, sente algo de novo na sua história e no seu esforço compartilhado, que é a participação efetiva no rumo virtuoso do país. Silenciosamente construído, tijolo sobre tijolo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-1977573569318174329?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/1977573569318174329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/08/voz-do-povo-e-voz-de-deus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1977573569318174329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1977573569318174329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/08/voz-do-povo-e-voz-de-deus.html' title='A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-2919800597893167966</id><published>2010-08-27T11:45:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T11:46:54.614-07:00</updated><title type='text'>THE ECONOMIST</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A edição semanal da revista britânica "The Economist" publicou uma reportagem muito interessante sobre o programa Bolsa-Família. A minha atenção no texto foi redobrada pelo fato de saber que a revista é de tendência conservadora, e poderia estar veiculando o tema de forma parcial, característica habitual das nossas publicações mediáticas. Realmente, fiquei impressionado como a matéria foi conduzida. Com o sugestivo título de  “Happy Families”, a reportagem cita que os governos do mundo inteiro estão olhando para o programa, afirmando, nesse sentido, que iniciativas semelhantes estão sendo testadas em larga escala em outros países da América Latina, além de destacar a adoção de um modelo baseado no Bolsa Família pela cidade de Nova York, no mesmíssimo Estados Unidos. A reportagem também discute alguns problemas do programa, como por exemplo, algumas deficiências no âmbito urbano, no sentido de resolver percalços sistêmicos relacionados à exclusão social. No entanto, em contrapartida, é realizado um franco elogio ao projeto, dizendo que o Bolsa-Familia “contribuiu para o aumento na taxa de crescimento econômico do Nordeste acima da media nacional” e ajuda, ao mesmo tempo, a “reduzir a desigualdade de renda no Brasil”.&lt;br /&gt;Por outro lado, a revista destaca alguns dados importantes como resultado do programa, entre eles o aumento da presença escolar em Alagoas, em que a metade das famílias sobrevive com o acesso ao Bolsa Família, afirmando que essa iniciativa ajuda ao “programa a atingir o objetivo de romper com a cultura de dependência ao garantir uma educação melhor para as crianças". Seguindo essa linha de raciocínio, a revista destaca que, além da educação, o programa do governo brasileiro também aumentou o poder de compra dos setores mais pobres da sociedade. Um dos mecanismos para efetivar a participação desses grupos esta assentada na oferta de microcréditos, que permitiu, conforme a história contada pela reportagem a título de exemplificação, de duas famílias alagoanas que conseguiram abrir um negócio próprio, por meio de um financiamento oferecido pelo programa, aumentando desse modo a produção de suas microempresas. No entanto, a imprensa brasileira de grande circulação destaca apenas as supostas deficiências que o programa enfrenta, usando para isso algumas das considerações do “The Economist” para reforçar suas argumentações. O primeiro, entre eles, está vinculado a suspeita de fraude nas informações obtidas pelos governos locais no sentido de determinar quem tem direito de receber o benefício, assim como a verificação correta da freqüência escolar vinculado ao mesmo. Outro problema citado é que o Bolsa Família se torne um programa permanente e não “apenas um impulso temporário de oportunidade para os mais pobres”. Mesmo assim, a reportagem conclui com uma assertiva interessante, não divulgada pela imprensa brasileira, que é a acusação injusta de que o programa está destinado a garantir votos nas eleições. Por tudo isso, é importante que os grupos em melhor situação econômica, que tem acesso ao consumo social, além da possibilidade de dispor de uma educação ampla e irrestrita, deveriam tornar-se multiplicadores, se realmente gostam de serem brasileiros, de divulgar e apoiar toda política pública que resgate a cidadania dos menos favorecidos. Nesse caso, o conceito de cidadania é a condição fundamental para o ponto de partida de novas formas de desenvolvimento. O bolsa Família cumpre tal função educadora, apesar dos problemas sazonais, que é a de ensinar que a distribuição de renda pode ser possível sem a submissão às leis do mercado. Fala-se muito de ética nos discursos enlatados, porém muito pouco sobre a transformação dos valores sociais e políticos, que permitam sonhar com a mudança e transformação dos valores econômicos. Talvez seja esse o problema que nos cega, a incapacidade de descobrir que, além dos posicionamentos políticos, o ser humano está acima de qualquer desejo partidário na construção de um país melhor.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-2919800597893167966?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/2919800597893167966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/08/economist.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/2919800597893167966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/2919800597893167966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/08/economist.html' title='THE ECONOMIST'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-6165069074671190883</id><published>2010-08-27T11:42:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T11:44:37.739-07:00</updated><title type='text'>EDUCAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Torna-se impossível ter uma política educacional coerente em todos os âmbitos da sociedade, incluindo a de Ciência e Tecnologia, se não for realizado um projeto nacional de desenvolvimento em longo prazo, com características ideológicas e objetivos bem definidos, de modo que os resultados da pesquisa científica possam ser benéficos para o país. Vamos ampliar o conceito, como forma de aprofundar o tema, tão importante nesta época de mudanças econômicas e políticas. A definição concreta destes objetivos possibilita a mudança da tecnologia física e social, como também define as prioridades em pesquisa e desenvolvimento. Tal condicionante remete ao próprio papel social dos pesquisadores e universitários, incluindo os novos empreendedores ligados às atividades acadêmicas. Encontramo-nos na encruzilhada da descoberta de que a ciência universal pouco tem de universal, ela está confinada aos limites das nações avançadas. Nosso continente é condenado a padecer a tecnologia dos poderosos, tornando-nos incapazes de criar uma tecnologia nacional que permita sustentar nosso próprio desenvolvimento. Esse transplante de tecnologias, muitas vezes distantes das nossas verdadeiras necessidades, não apenas implica a subordinação cultural, senão que aumenta dramaticamente nossa submissão econômica. A multiplicação de um modernismo importado, ilhado num mar de atraso e ignorância, nunca será capaz de resolver o problema do subdesenvolvimento latino-americano, simplesmente porque este não é uma etapa do desenvolvimento, e sim uma contrapartida do progresso alheio. Recebemos tecnologias modernas como no passado foram recebidos espelhinhos e colares dos conquistadores. Mas tudo isso sempre foi colocado ao serviço dos outros, esses “outros” que nos enganam com os símbolos da prosperidade, tornando-nos incapazes de perceber que estes escondem os símbolos da dependência. Nesse contexto, no qual predomina uma sociedade de classes, em que apenas uma minoria chega ao ensino superior, a universidade torna-se, sem querer, um instrumento de dominação, reproduzindo o sistema e exercendo o controle social sobre a maioria desprivilegiada. Para que isso não aconteça, o ensino deve ser democratizado, implantando inovações, tanto no conteúdo quanto na metodologia de aprendizagem das disciplinas, técnicas, científicas e humanísticas.&lt;br /&gt;Qual é o papel do educador nessa situação? Suas tarefas devem ser a de um agente multiplicador e integrador dos conhecimentos, ensinando como aprender e como transmitir, mas sempre focado na realidade social. Isso vale também para o ensino e desenvolvimento da tecnologia, no sentido de mostrar que suas realizações não dependem unicamente do conhecimento científico. A inovação de produtos e processos pode ser realizada empiricamente, tanto pela observação como pela combinação criativa de outros tipos de conhecimentos. O forte estímulo do poder público por meio de incentivos, seja através das instituições federais ou parceiros locais, trilha o caminho para politizar a ciência e tecnologia, desvinculando-a de sua pretensão de objetividade e neutralidade, reforçando assim a necessidade de estender à população a educação e informação sobre o papel da pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Nessa nova abordagem, a estratégia da educação para o desenvolvimento estará assentada no esforço de identificação e organização de todos os conhecimentos científicos disponíveis. A ativa colaboração entre cientistas e técnicos, por um lado, e cientistas sociais, por outro, torna-se o foco principal para dimensionar o papel das inovações tecnológicas, cujo objetivo fundamental, além do crescimento econômico, deve ser a justiça distributiva e o bem-estar de toda a população. Uma sociedade orientada para esses objetivos, oferecerá ao povo a oportunidade de participar nas decisões que afetam a produção, a distribuição e consumo de bens e serviços, que é resultado, em última instância, do esforço coletivo de toda a sociedade.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-6165069074671190883?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/6165069074671190883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/08/educacao-para-o-desenvolvimento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6165069074671190883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6165069074671190883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/08/educacao-para-o-desenvolvimento.html' title='EDUCAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-6355160558533734562</id><published>2010-08-26T07:41:00.000-07:00</published><updated>2010-08-26T07:43:15.725-07:00</updated><title type='text'>A GEOGRAFIA DA FOME</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Recentemente, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) divulgou um relatório que indica a existência de 52 milhões de pessoas subnutridas, das quais, 7% das crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição crônica na América Latina e no Caribe. Por outro lado, o Brasil é um dos quatro países citados pela ONU como destaque na diminuição da fome. O relatório “caminhos para o Sucesso” aponta o progresso feito por 16 dos 79 países monitorados pela FAO, no qual o Brasil, a Armênia, Nigéria e o Vietnã são citados como exemplo de países que conseguirão realizar a meta de redução da fome em 50% até 2015. Segundo o relatório, tal sucesso é resultado da criação de um ambiente centrado na promoção do crescimento econômico e o bem-estar social, que permita realizar investimentos nos setores mais vulneráveis da sociedade, de modo a planejar um futuro sustentável. O programa Fome Zero é citado como um exemplo dessa iniciativa, destacando que em 1991 o Brasil tinha 15,8 milhões de pessoas subnutridas, 10% da população. Em 2007 o número caiu para 12 milhões, o equivalente a 6%. A FAO também afirma que o país teve a redução “mais impressionante” das taxas de crianças subnutridas entre os países em desenvolvimento, especialmente no Nordeste que, em apenas três anos, tirou seis milhões de famílias (cerca de 20 milhões de pessoas) da pobreza extrema com programas especiais de segurança alimentar, no sentido de mitigar a fome numa região que tem uns dos índices de natalidade mais altos do mundo. Qual é a explicação para esses índices tão elevados?&lt;br /&gt;Vale à pena detalhar porque ocorre esse tipo de fenômeno. O livro “A geografia da fome” do médico brasileiro Josué de Castro (1908-1973), cita que os altos coeficientes de natalidade são resultado de um princípio da biologia – a “teleonomia” – que é a propriedade que têm todos os organismos vivos de desempenharem as suas funções num ritmo e dinâmica que favoreçam ao máximo a sobrevivência do indivíduo e, sobretudo, da espécie. Sempre que uma espécie está ameaçada de morte, aumenta sua capacidade reprodutiva a fim de neutralizar o risco de exterminação. Os altos índices de natalidade dos países muito pobres obedecem à mesma lei biológica: representam o esforço natural dos seres humanos para sobreviverem em áreas em que a mortalidade é extremadamente alta. Só dispondo de um excesso de pessoas – a maior parte para morrer e não para viver – estes grupos poderiam perdurar através do chamado ciclo antieconômico da sua evolução populacional. A natureza do mecanismo biossocial que correlaciona em sentido inverso os baixos níveis de vida com altos coeficientes de natalidade, está ligado ao nível deficiente de alimentação, principalmente a fome específica de proteínas de alto valor biológico, fome que determina uma fertilidade potencial mais elevada na mulher, com capacidade de reprodução mais intensa. A situação das economias mais desenvolvidas ocorre no sentido inverso, no qual suas estruturas econômicas especiais que favorecem um abastecimento alimentar adequado, faz com que baixem os coeficientes de mortalidade. Esse fenômeno pode ser observado nos países desenvolvidos, nos quais o agir “teleonomicamente” também provocam uma baixa nos índices de natalidade, como é o caso dos países de alto nível de desenvolvimento econômico. Nesse caso, a fome é resultado do progresso econômico defeituoso, que agrava e torna esse flagelo o principal motivo para a miséria: “a baixa produtividade por falta de energia criadora e do consumo ínfimo por falta de produtividade que venha criar uma razoável capacidade aquisitiva”. Este fosso econômico entre ricos e pobres, divide a humanidade em dois grupos que, segundo Josué de Castro é: “o grupo dos que não comem, constituído por dois terços da humanidade, e que habitam as áreas subdesenvolvidas do mundo, e o grupo dos que não dormem, que é o terço restante dos países ricos, e que não dormem, com receio da revolta dos que não comem”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-6355160558533734562?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/6355160558533734562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/08/geografia-da-fome.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6355160558533734562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6355160558533734562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/08/geografia-da-fome.html' title='A GEOGRAFIA DA FOME'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-7509959347509345773</id><published>2010-07-09T14:20:00.001-07:00</published><updated>2010-07-09T14:20:54.293-07:00</updated><title type='text'>O MUNDO ASSOMBRADO PELA CORRUPÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As políticas neoliberais são resultado de um processo criminoso levado ao extremo por grupos e corporações globais, que, na sua voracidade ilimitada por lucros, terminou desencadeando a crise atual, não apenas econômica, senão também política e cultural. O conceito de modernidade envolve todas essas questões, principalmente para os intelectuais contemporâneos, que devem enfrentar o desafio de entender o atual processo civilizatório. O neoliberalismo afirmava que “os estados-nações converteram-se em unidades de operações artificiais, inviáveis numa economia global”, e, ao mesmo tempo, num ufanismo quase religioso, modelava uma sociedade pós-capitalista sem identidades nacionais, em função da obsolescência do Estado, de modo a vislumbrar um novo mundo utilitarista sem crenças coletivas baseado na economia de mercado. No entanto, tal visão terminou se transformando numa armadilha mortal. A civilização entrou no terceiro milênio descobrindo que o processo neoliberal tanto alardeado, que criminalizava o Estado e tentava impor as forças irresistíveis do mercado sobre a soberania política das nações, foi orquestrado por um processo de corrupção sem limites – estreito noivado entre os delinqüentes públicos e a globalização – que causaram uma violenta concentração de renda por parte de grupos privados não muito longe das organizações criminosas.&lt;br /&gt;Quando falamos de corrupção, devemos entendê-la não como um ato isolado, e sim como um fato social predominante num determinado contexto socioeconômico. O corrupto não é apenas fruto de pequenas infidelidades. Ele é resultado, como diz Frei Beto: “de detalhes que se lhe acumulam na alma, como levar vantagem num negócio ou trair a confiança alheia. Não é o dinheiro que destrói sua moral. É a ganância, a arrogância, a convicção que é mais esperto que os demais”. Tal doença não é exclusiva do setor público, ela contamina o universo do setor privado e das instituições não governamentais. Por que então colocamos nossos olhos na coisa pública? Os meios de informação nos bombardeiam com banalidades e lugares comuns que nos sugerem que a corrupção na administração pública prospera porque as conseqüências de ser descoberto e punido são leves em relação às vantagens. No entanto, ninguém se interroga sobre a correlação entre níveis de corrupção e grau de superioridade dos salários privados em relação aos públicos, assim como favoritismo político, imprevisibilidade do sistema judiciário e outras coisas do gênero. Cabe perguntar-se se existe alguma relação conceitual entre um miserável que se corrompe por um pedaço de frango - por questões de sobrevivência - com aquele que faz parte do topo da pirâmide social, que conscientemente usa os mecanismos da corrupção para se enriquecer a custa da miséria dos outros. Como podemos explicar isso às crianças e aos acadêmicos nas universidades? Há possibilidade de ampliar a consciência cidadã a partir da constatação de que a economia caiu nas mãos de grandes grupos privados (globais ou locais) que se apropriaram de altíssimas taxas reais de benefícios como parte do processo de depredação geral dos tecidos produtivos, quitando ao Estado, nesse intervalo, sua capacidade de resposta social?  Falar de corrupção apenas em termos morais e éticos não basta. Ela excede a simplificação do fenômeno. Porque o flagelo da corrupção não apenas atinge o comportamento político-econômico da sociedade, senão que se afunda na essência da decomposição cultural desta, que inclui o declínio de crenças coletivas igualitárias e solidárias, substituídas por diversas formas de amoralidade e egoísmo dissociador. Cultuar o “triunfador” em paralelo ao desprezo pelo “perdedor” é o que resta de uma trama complexa de um modelo que pauta seu sucesso na liquidação das normas e na invasão criminosa do tecido social. Que armas o expectador impotente pode usar contra uma força descomunal que ultrapassa seus sentimentos de justiça, principalmente quando a ilegalidade se transforma no terreno natural dos negócios?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-7509959347509345773?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/7509959347509345773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/07/o-mundo-assombrado-pela-corrupcao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7509959347509345773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7509959347509345773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/07/o-mundo-assombrado-pela-corrupcao.html' title='O MUNDO ASSOMBRADO PELA CORRUPÇÃO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-99538583263307654</id><published>2010-07-01T12:59:00.000-07:00</published><updated>2010-07-01T13:00:28.770-07:00</updated><title type='text'>A ECONOMIA DO BEM-ESTAR SOCIAL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O economista indiano Amartya Kumar Sen, premiado em 1998 com o prêmio Nobel em Ciência Econômica por suas contribuições na área de economia do bem-estar social, sempre foi um estudioso dos problemas relativos às causas da fome, levando-o ao desenvolvimento de soluções práticas para prevenção e limitação dos efeitos de reais ou aparentes faltas de comida num mundo com superprodução de alimentos. Formado no Presidency College em Calcutá, e doutor pelo Trinity College, em Cambridge, seu trabalho pioneiro está focado na avaliação das medidas econômicas com relação aos seus efeitos no bem-estar da sociedade. Sua monografia intitulada "Escolha Coletiva e Bem Estar Social" (1970), que contempla assuntos como direitos individuais, o poder da maioria e dados sobre condições pontuais, transformou-se na base teórica para a criação de métodos para medir a pobreza, de modo a produzir informações úteis no aprimoramento das condições sociais das classes mais pobres. O interesse de Sen sobre os problemas da fome foi resultado de sua experiência em relação aos acontecimentos ocorridos em Bengala, em 1943, quando três milhões de pessoas morreram por causa da fome. Tamanha tragédia poderia ter sido evitada, dizia, já que existia na Índia um estoque de comida suficiente para atender as necessidades da população. O que Sen detectou nessa oportunidade? Que a distribuição de comida foi prejudicada por causa de um grupo específico de pessoas. Foi o caso dos trabalhadores rurais, que perderam seus empregos e, portanto, a sua capacidade de comprar comida. Em seu livro "A Pobreza e a Fome: uma Dissertação sobre o Direito à Propriedade e à Privação" (1981), Sen mostrou claramente que em muitos casos de fome, os estoques de comida não se reduziram de forma significativa, o que revelava vários fatores sociais e econômicos, como o declínio de salários, desemprego, subida dos preços dos alimentos e deficiência nos sistemas de distribuição, como a causa principal da fome de certos grupos da sociedade. Por exemplo, seu trabalho teórico sobre situações de desigualdade, demonstrou porque há menos mulheres do que homem em alguns países pobres, apesar de nascerem mais mulheres e a mortalidade infantil ser bem maior entre os meninos. A constatação de tal fenômeno é resultado da existência de melhores tratamentos de saúde e de oportunidades durante a infância para aos meninos destes países, o que faz com que se reproduzam tais desigualdades. &lt;br /&gt;O trabalho de Sen influenciou organizações internacionais e governos para uma atenção redobrada perante as crises de alimentação. Tais situações levaram aos setores tomadores de decisão a assumirem iniciativas mais amplas, não apenas no alívio imediato do sofrimento, senão também na utilização de políticas públicas para substituir e resguardar a renda perdida da classe pobre, mantendo estáveis os preços dos alimentos. A democracia funcional, para Sen, passa pelas liberdades políticas, longe das ideologias conservadoras centradas apenas na eficiência econômica, de modo a permitir que os líderes governamentais sejam sensíveis com as demandas da sociedade. Desse modo, Amartya Sen, argumenta que para que o crescimento econômico seja atingido, as reformas sociais, como melhoria na educação e saúde pública, devem preceder às reformas econômicas. Por sua contribuição na área da economia do bem-estar social, a Academia Real de Ciências da Suécia reconheceu a importância do trabalho de Sen, no sentido de que, pela primeira vez na história do pensamento econômico, foi instaurada uma “dimensão ética à discussão dos problemas econômicos vitais”. Nesse sentido, o comitê do Nobel remodelou a tradição de outorgar o prêmio apenas a aqueles que convergem na arquitetura fundamentalista da economia de mercado, quebrando desse modo sua vertente conservadora, e reconhecendo, de certa forma, que as fundações sociais da economia devem ser a principal fonte para a construção de uma sociedade menos desigual.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-99538583263307654?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/99538583263307654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/07/economia-do-bem-estar-social.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/99538583263307654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/99538583263307654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/07/economia-do-bem-estar-social.html' title='A ECONOMIA DO BEM-ESTAR SOCIAL'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-4530940816163743630</id><published>2010-07-01T12:58:00.000-07:00</published><updated>2010-07-01T12:59:19.875-07:00</updated><title type='text'>EMPRESÁRIOS SOCIAIS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A crise mundial deixou ao descoberto a ineficácia dos mercados financeiros convencionais, incapazes de atender às necessidades de comunidades em situação de pobreza, cuja única saída é contrair empréstimos ou poupar para reduzir a vulnerabilidade dos choques econômicos. Ter acesso ao crédito é decisivo para qualquer empresa, independente do seu tamanho, de modo a sobreviver num mercado de flutuações inesperadas. Pior ainda quando se trata da obtenção de empréstimos por parte de pessoas em situação de pobreza, já que os bancos se recusam a atendê-las, exigindo garantias ou depósitos onerosos. Durante as décadas de 1980 e 1990, a exclusão financeira foi exacerbada através dos programas de ajuste idealizados pelo FMI e seus parceiros locais, fechando ou privatizando bancos estatais e de desenvolvimento, que cumpriam a função de subsidiar empréstimos para agricultores e outros setores mais vulneráveis da sociedade.&lt;br /&gt;Entretanto, sem muito alarde desde o inicio da década de 1990, algumas organizações fora do circuito financeiro global, caracterizadas por não ter fins lucrativos, começaram a ocupar um espaço importante no atendimento a pessoas em situação de pobreza. O caso mais conhecido é o Banco Grameen de Bangladesh, fundado pelo Prêmio Nobel da Paz em 2006, Muhammad Yunus. O sistema de microfinanciamento idealizado por este “empresário social” teve, em pouco tempo, um crescimento surpreendente no atendimento a mutuários. De 13,5 milhões em 1997, aumentou para 113,3 milhões em 2004, sendo que dois terços do total desses indivíduos sobreviviam com menos de um dólar por dia. O interessante desse modelo solidário de microcrédito, é que em cada cinco clientes, quatro são mulheres, principalmente donas de casa e idosas, que se unem em grupos para obter empréstimos de forma coletiva. O Banco Grameen realiza empréstimos em torno de U$S 100 por grupo, apesar de que também disponibiliza dinheiro para mendigos urbanos, sem juros, até U$S 9, de modo a permitir que estes se tornem vendedores de rua. Parece impossível, mas as taxas de inadimplência são extremadamente baixas – o Banco afirma que mais de 98% dos empréstimos que adjudica são quitados – fazendo com que o microcrédito se torne auto-sustentável e lucrativo.&lt;br /&gt;Tais mercados situados na base da pirâmide, terminaram atraindo grandes bancos comerciais que descobriram novas opções de investimento no setor de microcrédito, realizando parcerias com as organizações existentes, de modo a facilitar o acesso ao crédito e poupança a mulheres em situação de pobreza. Dessa configuração surgiu o primeiro banco multinacional de microcrédito, o Procredit, fundado em 1996, e apoiado financeiramente pela Sociedade Financeira Internacional – IFC, ligada ao Banco Mundial. Talvez essas novas formas de olhar o futuro econômico da sociedade, permita remodelar um mundo que passa fome e penúria. O sucesso dos programas de microcrédito revela como procedimentos solidários, organizados para preservar a segurança humana, podem ser materializados através da cidadania ativa. Mais do que isso, as formas empresariais socialmente responsáveis, configuradas através de organizações comunitárias e empresas sociais, podem constituir novas formas de parcerias econômicas, onde o lucro por si só não seja o foco principal de tais iniciativas. A rápida ampliação e a diversidade de programas de microcréditos, já estabeleceram novos padrões de comportamento econômico, que permitiram que milhões de indivíduos em situação de pobreza diminuíssem os riscos da exclusão financeira. Parece difícil falar sobre formas hipotéticas de reconstruir o planeta sobre alternativas mais justas, principalmente com medidas que contradizem o modo de operação do próprio sistema, pautado apenas em relações econômicas, nas quais a maximização do lucro é o foco principal. No entanto, tais alternativas devem ser redescobertas como o eixo condutor para aquelas que já existem na prática, não como perdas, e sim como investimento, conceito cada vez mais adotado por algumas instituições e pelo próprio Estado.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-4530940816163743630?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/4530940816163743630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/07/empresarios-sociais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4530940816163743630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4530940816163743630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/07/empresarios-sociais.html' title='EMPRESÁRIOS SOCIAIS'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-7489743966844480543</id><published>2010-07-01T12:56:00.000-07:00</published><updated>2010-07-01T12:57:37.915-07:00</updated><title type='text'>A MÁSCARA DO PRECONCEITO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Demorei uma hora para ler o livro “Nunca antes na história deste país”, do humorista Marcelo Tas. Não vou perder tempo em analisar os comentários ao longo do texto, apenas vou fazer referência à sua última afirmação, que diz o seguinte: “Tem razão o presidente. A crise não atravessou o Atlântico. Veio a pé mesmo, devagarinho, pelo Canal do Panamá. Demorou um pouco, mais chegou!” Logo continua como se fosse o presidente Lula falando: “Cumpanheiro leitor (escrevendo errado de propósito), não vou parar de falar tão cedo. Continue o livro anotando minhas próximas frases aqui. Obrigado!”. Eu acho que o senhor Tas deveria parar por aí, e repensar se quer ser humorista ou economista político. Sua desfaçatez preconceituosa se vislumbra já na introdução, quando afirma que o presidente fala sobre assuntos dos quais não tem o menor conhecimento. Parece que tal humorista se especializa em fazer piadas ofensivas, de modo a esconder sua frustração em não ser protagonista dos destinos do Brasil. Para isso vou desconstruir a afirmativa final do livro apenas com dados reais, de forma a evitar juízos de valor que comprometeriam uma análise ponderada do que aconteceu no país durante a crise que se avizinhava em 2007. As medidas econômicas adotadas pelo governo em 2008-2009, contrariamente ao que aconteceu durante as crises de 1980 e 1990, foram medidas monetárias e fiscais anticíclicas. O objetivo foi evitar que a crise contaminasse o sistema financeiro do país, além de recuperar o padrão de atividade econômica o mais rápido possível, premissa integralizada em todos os discursos oficiais do presidente Lula, principalmente quando colocou todo seu prestígio político em jogo, ao dizer claramente que os trabalhadores e os empresários deveriam esquecer-se da crise mundial e produzir para que a atividade econômica da sociedade não parasse. As ações do Banco Central reduzindo os depósitos compulsórios, de modo a expandir a liquidez, permitiram injetar 3,3% do PIB no mercado bancário, evitando assim o contágio da crise internacional. Já em 2009, a União concedeu empréstimos ao BNDES que permitiu repassar linhas de crédito de curto prazo ao setor produtivo. Além dessas ações na política monetária, o governo implementou um conjunto de desonerações tributárias para estimular as vendas e o consumo. A redução do IPI, bens de consumo duráveis, materiais de construção, bens de capital e alimentos, foram as medidas mais eficientes para evitar a crise que atravessou o “Canal de Panamá”, e que, conforme o presidente Lula disse, chegou como uma “marolinha”. A ignorância de Marcelo Tas revela-se nesta constatação. Qual é a razão de perder o tempo em citar o livro deste humorista? &lt;br /&gt;Vou esboçar algumas considerações. Em primeiro lugar, não é possível que um comunicador, usando seu poder mediático, tente descaracterizar a capacidade de um indivíduo mediante a burla preconceituosa e infame. Nesse caso está ofendendo a maioria da população do país, que é justamente a que constrói a riqueza do Brasil. Exacerbar de forma despiadada os erros de sintaxes do presidente não acrescenta nada ao inconsciente coletivo. Só satisfaz aqueles que se divertem incentivando as lutas de classes, quando na realidade deveriam ser os responsáveis por diminuí-las. Em segundo, a editora Panda Books deveria ter vergonha em publicar um livro impresso em papel da melhor qualidade, direcionado apenas para uma pequena parcela da sociedade, composta de um público cativo adicto a um tipo de piadas que criminalizam indivíduos que não fazem parte de suas preferências ideológicas. Realmente, o Brasil é bem maior do que a “imaginação” de Marcelo Tas, que usa sua linguagem televisiva para deformar a realidade, fragmentando-a com a desinformação. Sugiro que o leitor, que leu o livro, possa avaliar o país que está construindo seu futuro através da mobilidade social, e complete com suas impressões o espaço deixado ao “sabor do tempo e de seu próprio juízo”, do qual o autor é incapaz de finalizar.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-7489743966844480543?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/7489743966844480543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/07/mascara-do-preconceito.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7489743966844480543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7489743966844480543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/07/mascara-do-preconceito.html' title='A MÁSCARA DO PRECONCEITO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-1146490701239524807</id><published>2010-06-10T11:42:00.001-07:00</published><updated>2010-06-10T11:42:58.057-07:00</updated><title type='text'>ANTECEDENTES PERIGOSOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Alguns meios de comunicação de grande circulação mediática têm a característica de construir factóides apavorantes, singularmente cativantes para alguns setores da sociedade, que se assustam de tudo aquilo que possa alterar suas concepções bipolares da realidade. Nada melhor do que a visão conservadora para despertar tamanha assimetria. Estes comunicadores, que simulam uma intelectualidade fajuta, desmereceram desde o princípio o tratado realizado entre o Brasil, Turquia e Irã, como se fosse uma iniciativa fracassada por parte do nosso país, ridicularizando até o extremo as ações da nossa diplomacia. Tanto é assim, que usaram como argumento a desconfiança dos Estados Unidos e seus poderosos aliados de plantão, que na semana passada aprovaram sanções mais rígidas contra o Irã. Nada foi dito sobre o armamento nuclear de Paquistão, Índia e Israel, fazendo com que o corporativismo submisso prevalecesse. O embaixador Celso Amorin resumiu brilhantemente a ação unilateral destes parceiros nucleares, com a seguinte frase: “Estão preocupados em desarmar os desarmados sem desarmar os armados”.&lt;br /&gt;A liberdade de imprensa funciona quando os fatos são tratados amplamente, e não apenas através de uma visão filtrada por condicionantes culturais e ideológicos. A incapacidade destes meios de usar o recurso da contextualização histórica, ou pior, por serem reféns de um público cativo que os alimentam economicamente, preferem esconder a existência de fatos constrangedores nas relações entre Brasil e os Estados Unidos, que explicariam melhor porque nosso país não concorda com as sanções contra Irã. Talvez o relato de um grave episódio sirva como ponto de reflexão para entender a atitude atual da diplomacia brasileira. O então presidente George W. Bush, por ocasião dos atentados do 11 de setembro, no discurso do Estado da União, em janeiro de 2002, delineou as diretrizes de sua política exterior, dizendo o seguinte: “Os estados que gostam e são aliados dos terroristas, linha central do eixo do mal, se armam para ameaçar a paz do mundo”. A afirmação de que esses países estavam buscando fabricar armas químicas, biológicas e nucleares, foi à justificativa para seu programa de guerra permanente e ilimitada. Apesar de que o Iraque, o Irã e a Coréia do Norte não tivessem qualquer envolvimento nos atentados terroristas do 11 de setembro, Bush acusou-os assim mesmo, de modo a eliminar dos organismos multilaterais qualquer um que se opusesse a sua política belicosa. Foi o que aconteceu com o embaixador brasileiro José Maurício Bustani, que era, naquela época, diretor-geral da Organização para a proibição de Armas Químicas (OPAQ), e cuja permanência no cargo significava um obstáculo aos preparativos da guerra contra o Iraque. Bustani, que resistia a qualquer tipo de pressão que viesse a afetar as decisões do organismo, principalmente quando se negava a isentar os Estados Unidos da inspeção estabelecida pela Convenção para a proibição de Armas Químicas (CPAQ), teve como resultado a solicitação do seu afastamento por parte do governo norteamericano. Nessa ocasião, Bustani tentou convencer o Iraque de submeter-se ao controle de uma equipe de inspetores da OPAQ, incluindo a parceria com a Comissão de Monitoramento das Nações Unidas (UNMOVIC), controlada pelos Estados Unidos. Entretanto, o governo Bush não aceitou tais entendimentos, já que isso possibilitava a inspeção in loco do suposto arsenal de armas químicas, que o Iraque insistia em ter eliminado por completo. Como podemos observar, não existe muita diferença entre o governo Obama e do seu antecessor, principalmente no que se refere à política externa. Lograr uma solução pacífica para a destruição das supostas armas biológicas, acabaria de vez com a pretensão de continuar a guerra contra Iraque. Apesar dos esforços do Itamaraty em seu favor, Bustani foi destituído, e as armas de destruição de massa, que serviram como justificativa para invadir o Iraque, jamais foram encontradas.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-1146490701239524807?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/1146490701239524807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/06/antecedentes-perigosos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1146490701239524807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1146490701239524807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/06/antecedentes-perigosos.html' title='ANTECEDENTES PERIGOSOS'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-8028705970714047220</id><published>2010-06-10T11:41:00.000-07:00</published><updated>2010-06-10T11:42:03.319-07:00</updated><title type='text'>DESIGUALDADE E POBREZA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As pessoas não gostam muito de discutir os problemas da pobreza, principalmente aqueles que se encontram longe dela. Ler qualquer informação que tire o indivíduo de seu espaço de conforto, significa reavaliar a realidade com uma visão até então despercebida. Nesse caso, o cientista social tem a ingrata tarefa de descobri-la e transformá-la numa discussão política. O Brasil, apesar de ser um dos países mais abastados do planeta, situa-se entre as nações mais desiguais do mundo. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em 2003 a desigualdade de renda medida pelo índice GINI superava apenas países com Serra Leoa, Lesoto, Suazilândia e Namíbia. No entanto, o Banco Mundial indica a economia brasileira entre as dez mais ricas do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) de U$S 1,7 trilhão, bem próximo da Itália em termos de paridade de poder de compra. Isso significa que, com uma população de 192 milhões, o PIB per capita corresponde a U$S 9.000. Tais dados são importantes para comparar com o nível de concentração de renda existente no país, que se revelam nos seguintes números: 2 milhões de pessoas, que correspondem a 1% da população, concentram 13% do total das rendas domiciliares. Tal percentual aproxima-se ao distribuído entre os 50% mais pobres, que equivale a cerca de 80 milhões de brasileiros. Vamos fazer um parêntesis para esclarecimentos. Algumas pessoas sentem-se incomodadas por estes dados reveladores, porque presumem que estão sendo questionadas na aquisição do seu patrimônio particular. Nada disso. O que está sendo colocado em discussão é a existência de um modelo econômico que precisa ser remodelado, no qual cada indivíduo usufrua da riqueza conforme sua capacidade, mas que permita aos menos favorecidos viver dentro de parâmetros sociais dignos. Qual é o fundamento para tal argumentação? Segundo os dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 30.3% da população, que corresponde a 54 milhões de pessoas consideradas pobres, há, entre elas, 20 milhões extremadamente pobres, que abarca 11,5 % dessa totalidade. Por outro lado, raiando a omissão, não é possível continuar afirmando que essa parcela da população é a única culpável pela sua pobreza, e sim discutir seriamente se a causa dela é resultado de uma injusta distribuição de renda. Só basta fazer uma comparação com a média apresentada pelos países que tem uma renda per capita semelhante à brasileira, e que, apesar disso, seus percentuais de pobreza são menores do que 10%, mostrando-se três vezes inferiores ao observado no Brasil.&lt;br /&gt;Apesar de que as distâncias entre ricos e pobres são mais visíveis nas cidades, nas quais vive quase 80% da população brasileira, a desigualdade também pode ser verificada no campo, no qual convivem, por um lado, imensos latifúndios e grandes empresas rurais, que monopolizam quase totalmente as áreas agrícolas do país, e, por outro, milhões de pequenos proprietários e de trabalhadores rurais vivendo em dramáticas condições de vida. O índice GINI fundiário mostra que a porcentagem da área total ocupada pelos 10% dos maiores imóveis chega a 78% do total da área rural do país. Apesar desse quadro assustador, o país está realizando um esforço continuado para melhorar a situação de pobreza extrema, e, fundamentalmente, a desigualdade de renda. De acordo com os dados do IPEA (2007), o nível de desigualdade na distribuição dos rendimentos do trabalho, é o menor dos últimos 30 anos. Conforme o coeficiente de GINI, entre 2001 e 2006 a desigualdade caiu mais de 6% no período, que mostra que houve um aumento efetivo de renda para os 70% mais pobres, enquanto os 10% mais ricos perderam rendimentos nessa seqüência. Já em 2004, com a efetiva atuação do Estado e a retomada do crescimento, a pobreza extrema foi reduzida em 4,9 pontos percentuais, e a pobreza 2,7 em direção a 2010. Desse modo, o Brasil caminha para a democracia e o desenvolvimento, apesar daqueles que não acreditam nisso.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-8028705970714047220?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/8028705970714047220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/06/desigualdade-e-pobreza.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8028705970714047220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8028705970714047220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/06/desigualdade-e-pobreza.html' title='DESIGUALDADE E POBREZA'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-1999652713286852491</id><published>2010-06-10T11:38:00.000-07:00</published><updated>2010-06-10T11:40:08.613-07:00</updated><title type='text'>COM COMIDA SE APRENDE A PESCAR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em conjunto com o Ministério da Educação, revelaram que o Bolsa Família tem um impacto sumamente positivo no processo educacional dos beneficiários do programa. Tal constatação é uma prova do uso errado da frase tão divulgada, que, carregada de juízos de valor, faz valer seu conteúdo preconceituoso: “primeiro ensinar a pescar para logo dar de comer”.&lt;br /&gt;O Ministério da Educação, ao verificar os índices de aprovação e abandono escolar dos estudantes da rede pública de ensino, pode constatar que a exigência do Bolsa Família para freqüência às aulas, cumpre um papel importante no processo educativo. Como política pública vigorosa de transferência de renda, direcionada para atender aos setores mais pobres da população, de modo a integrá-los num modelo de educação inclusivo, o programa revelou indicadores alentadores, no qual se destaca a aprovação dos beneficiários no ensino médio como sendo maior do que a média nacional, que corresponde a 81,1% contra 72,6%. Com referência ao ensino fundamental, há uma similaridade estatística, na qual aparecem 80,5% de beneficiários aprovados contra 82,3% da média nacional. Por outro lado, os indicadores de abandono no ensino fundamental, assim como no ensino médio, também mostram um impacto positivo, com a diminuição das taxas de desistência, bem inferiores à média nacional.&lt;br /&gt;Tais dados são resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) e pelo Sistema Presença de freqüência escolar do Bolsa Família, mostrando que, enquanto em 2001 existiam 920 mil crianças fora da sala de aula, tal número caiu para menos de 570 mil em 2008. Pode-se observar que nesta configuração existe um condicionante de valor inestimável, que é o acompanhamento nutricional das crianças por parte do programa, ultrapassando aquilo considerado como além da sobrevivência alimentar, que é a melhoria do comportamento, do vestuário e da autoestima dos alunos. Nada melhor do que estar alimentado para começar a sonhar com num futuro possível. Uma criança ou um adulto com fome é incapaz de assimilar qualquer tipo de educação formal.&lt;br /&gt;O relatório anual intitulado “Situação Mundial da Infância” publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mostra claramente os dados apontados anteriormente, que indica que no Brasil, um percentual de alunos de 6 a 15 anos com acompanhamento de freqüência escolar, atingiu uma média de 85,2% no primeiro semestre de 2009, chegando a 89,65% no final de 2009, representando um universo de aproximadamente 14 milhões de alunos sob acompanhamento. A constatação também é detalhada no Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD, de 2008, que apontava um crescimento de 60% de matrículas escolares no país, principalmente entre jovens de 10 a 15 anos que se encontravam fora da escola. Devemos imaginar que a sociedade como um todo, gostaria de ter uma população sadia e trabalhadora, que tivesse a oportunidade de construir coletivamente um país economicamente solidário, sem travas para um desenvolvimento sustentável, no qual a educação deveria cumprir um papel fundamental na prevenção da miséria e da exclusão social. Para isso acontecer, devemos reeducar aquelas pessoas que, por desconhecimento ou insensibilidade, sempre estão em contra de qualquer ação distributiva que não coincida com suas visões particulares da realidade econômica, e que, ao fazer uso de conceitos ou frases pré-fabricadas, aproveitam para exaltar as distorções que possam acontecer na aplicação de tais programas. A criminalização de qualquer iniciativa direcionada a atender os setores mais desprotegidos da sociedade, que tanto precisam da capacidade de resposta social por parte dos governantes, é um desatino. Um Estado conivente apenas com as leis do mercado, livre do compromisso com seu povo e seu bem-estar, sempre será incapaz de construir um país justo e democrático, por mais que paute seu sucesso na promessa do capital e da tecnologia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-1999652713286852491?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/1999652713286852491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/06/com-comida-se-aprende-pescar.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1999652713286852491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1999652713286852491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/06/com-comida-se-aprende-pescar.html' title='COM COMIDA SE APRENDE A PESCAR'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-6131012541104497473</id><published>2010-06-10T11:36:00.000-07:00</published><updated>2010-06-10T11:40:42.800-07:00</updated><title type='text'>O CIRCUITO HELENA RUBINSTEIN</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando escrevemos sobre fatos sociais, muitas vezes usamos o vasto recurso das alegorias. Alguns utilizam provérbios religiosos, outros, como no meu caso, a cosmetologia política para dar título a um artigo. Neste particular, o circuito mencionado está relacionado a aqueles que se movimentam nos parâmetros de intimidade nas relações privilegiadas com Nova York, Londres, Paris, Berlin e seus parceiros ideológicos. Fora desse contexto de sofisticação ocidentalizada, qualquer iniciativa que possa ser realizada entre países fora dessa órbita, sempre estará, segundo eles, condenada ao fracasso. É o caso da missão do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva sobre o acordo tríplice entre Brasil, Turquia e Irã. Isso não acontece apenas porque não se acredita em tal acordo, senão pelos problemas que surgiriam se tivesse êxito a via negociada do conflito. Assim como a justificativa das “armas de destruição em massa” servira para iniciar a ocupação criminosa do Iraque, inclusive sem a autorização expressa das Nações Unidas, o fantasma da “bomba atômica” é o sinal para desencadear a derrocada do único país que oferece resistência ao poder colonial dos Estados Unidos no Oriente Médio. Qual é o interesse econômico nisso? O controle do Golfo Pérsico.&lt;br /&gt;Dominar a totalidade da região, desde o golfo até o estreito de Ormuz, significa deixar livre o fluxo do óleo que abastece o ocidente sem qualquer tipo de interferência. Os argumentos dos poderosos para desfazer qualquer iniciativa de acordo são extremadamente frágeis, principalmente porque recentemente a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com apoio dos Estados Unidos e seus aliados, propusera ao governo iraniano a troca de urânio levemente enriquecido por combustível nuclear processado fora do Irã, que deveria entregar aproximadamente 70% do seu urânio enriquecido a mais de 5%. Os termos dessa proposta são similares ao acordo selado pelo presidente brasileiro. A incapacidade das grandes potências em aceitar a intervenção de um líder popular com capacidade de negociação livre de condicionantes, assombra as estratégias geopolíticas, profundamente indutoras de gestos belicistas. A diplomacia adotada pelo governo brasileiro está pautada numa política internacional autônoma, na qual prevaleça o fortalecimento da integração entre todos os povos e governos, de modo a superar as categorias dogmáticas do passado.&lt;br /&gt;Tal configuração nem sequer é levada em conta por Washington e seus associados europeus, já que a proposta do acordo, que será entregue a AIEA para aprovação, está configurada nos seguintes termos: o Irã entregará 1.200 kg de urânio levemente enriquecido a 3,5% à Turquia, onde ficariam resguardados sob vigilância iraniana e turca. Depois de um ano, o Irã receberia 120 kg de urânio enriquecido a 20%, de modo a abastecer o Reator de Pesquisa da Universidade de Teerã. No momento em que se iniciou a gestão diplomática do governo brasileiro, imediatamente foram emitidos todo tipo de mensagens negativas às vésperas da viagem do presidente Lula ao Irã. As ameaças veladas e o ceticismo imperavam nas críticas a iniciativa do Brasil. Não restavam dúvidas para esse desenlace auspiciado por um ataque frontal jornalístico. A mídia internacional encabeçada pela imprensa conservadora, com destaque para “The Economist” de Londres e “El País” de Espanha, terminaram criminalizando descaradamente um ato que se configura claramente como uma atuação autônoma no concerto internacional. Talvez estejamos presenciando pela primeira vez em muitos anos, o aparecimento de líderes com capacidade para extirpar de vez nosso complexo de colonizados, que atormentou durante tanto tempo a construção da nossa auto-estima, que transformou nossos países em meros expectadores das decisões globais, e que nos relegou a simples co-ajudantes de um mundo bipolar. Brasil está demonstrando através de sua vigorosa diplomacia, um caminho alternativo ao charme enganoso do circuito Helena Rubinstein. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-6131012541104497473?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/6131012541104497473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/06/o-circuito-helena-rubinstein.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6131012541104497473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/6131012541104497473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/06/o-circuito-helena-rubinstein.html' title='O CIRCUITO HELENA RUBINSTEIN'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-8916130319439384851</id><published>2010-05-05T04:59:00.000-07:00</published><updated>2010-05-05T05:00:20.861-07:00</updated><title type='text'>PRESENTE DE GREGO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No meio de uma crise brutal, iniciada em 2008, milhões de trabalhadores gregos que foram à greve geral recentemente, gritavam nas ruas de Atenhas: “Nós não pagaremos”. Qual seria a razão de suas reivindicações? Estariam compelidos por um novo tipo de revolta social? Que forças ocultas provocaram tais manifestações? Talvez a resposta esteja no agravamento da dívida pública dos governos, neste caso, daqueles que fazem parte da comunidade européia, diretamente ligados à crise que afeta Grécia.&lt;br /&gt;A dívida pública não é somente o endividamento bruto do conjunto das administrações públicas. Também fazem parte deste conjunto os compromissos financeiros que as instituições governamentais devem, em princípio, reembolsar a seus credores, pagando interesses. Em todos estes anos de liberalização financeira e cambial, sob o efeito das diferentes recessões econômicas provocadas pelo modelo neoliberal, às finanças públicas se deterioraram de forma assustadora. A dívida pública, portanto, vincula-se estreitamente à crise estrutural do capitalismo desde a década de 1970, que evidencia sua face perversa nesta crise atual. Vamos desvendar um pouco da trama desse turbilhão global.&lt;br /&gt;Uma visão geral do processo de globalização econômica, nos mostra, de forma clara, que a concentração geográfica da especulação financeira, provoca uma concentração de renda abismal, tanto nas sociedades ricas como pobres, aumentando a miséria da maior parte dos habitantes da periferia e, ao mesmo tempo, empobrecendo partes significativas da população dos países centrais. Processos de depredação, ruína de sociedades e aparatos estatais, desemprego, financeirização e concentração de negócios causaram uma crescente desordem mundial, encoberta por uma teia de conceituações triunfalistas, entre elas o endeusamento da “racionalidade do mercado financeiro”. Nessa parafernália econômica, o agravamento das dívidas públicas não está vinculado a um aumento “incontrolado” das despesas públicas, mas sim a uma redução relativa dos rendimentos públicos, que se refletem na diminuição dos impostos aos mais ricos e as grandes empresas capitalistas multinacionais, desonerando desse modo as operações financeiras globais. Tal política termina beneficiando diretamente os especuladores de plantão, que permite realizar uma operação milagrosa. Por arte de mágica, estes senhores convertem-se nos credores do Estado.&lt;br /&gt;Desse modo, os bancos nos quais os especuladores colocam seus ganhos, compram títulos da dívida pública, e, os impostos não pagos – que são na verdade uma evasão fiscal legal – termina-se convertendo num capital financeiro direcionado a atender interesses parasitários, longe das atividades produtivas. São os trabalhadores assalariados que terminam pagando aqueles impostos, reconduzindo a riqueza social em favor dos ricos. A Grécia tornou-se o terreno de prova para as políticas neoliberais de austeridade da União Européia e suas instituições financeiras, usando a justificativa da dívida pública como instrumento de ataque contra os trabalhadores gregos. Não apenas isso, quando os bancos foram salvos pelos governos em 2008, aproveitaram a oportunidade para comprar bônus do Tesouro com o dinheiro outorgado por estes. Mais ainda, usaram-no para transferir liquidez a suas filiais para ganhar sobre a dívida pública dos governos, especulando descaradamente contra seus próprios benfeitores. O poder financeiro, fachada atemporal que desonera o comportamento antiético de seus dirigentes, e que impõe, sem dor, às massas assalariadas a responsabilidade do pagamento do serviço do conjunto da dívida, é o responsável direto do grito desesperado dos trabalhadores nas ruas da capital grega. Tal precedente, importante para os homens livres deste planeta, serve para esboçar uma nova forma de pensar, cujo horizonte não seria a sociedade luxuosa do primeiro mundo, mas um modelo solidário e economicamente sustentável, no qual, o ser humano produtivo seja seu protagonista principal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-8916130319439384851?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/8916130319439384851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/05/presente-de-grego.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8916130319439384851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/8916130319439384851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/05/presente-de-grego.html' title='PRESENTE DE GREGO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-5282943420510863368</id><published>2010-04-28T10:20:00.000-07:00</published><updated>2010-04-28T10:22:18.683-07:00</updated><title type='text'>Repórter desmascara blogueira cubana Yoani Sánchez em entrevista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ferrenha opositora do regime cubano, a blogueira Yoani Sánchez concedeu uma entrevista ao jornalista francês Salim Lamranium, na qual cai em contradição diversas vezes. Especialista em assuntos relacionados à ilha, ele conseguiu colocá-la contra a parede e expor a fragilidade dos argumentos da cubana. Veja abaixo.&lt;br /&gt;Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição cubana. Desde a criação de seu blog, Generación Y, em 2007, obteve inúmeros prêmios internacionais: o prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (2008), o prêmio Bitacoras.com (2008), o prêmio The Bob's (2008), o prêmio Maria Moors Cabot (2008) da prestigiada universidade norte-americana de Colúmbia. Do mesmo modo, a blogueira foi escolhida como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista Time (2008), em companhia de George W. Bush, Hu Jintao e Dalai Lama. Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores do mundo do canal CNN e do Time (2008). Em 30 de novembro de 2008, o diário espanhol El País a incluiu na lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano (lista na qual não apareciam nem Fidel Castro, nem Raúl Castro). A revista Foreign Policy, por sua vez, a considerou um dos 10 intelectuais mais importantes do ano, enquanto a revista mexicana Gato Pardofez o mesmo para 2008.Esta impressionante avalanche de distinções simultâneas suscitou numerosas interrogações, ainda mais considerando que Yoani Sánchez, segundo suas próprias confissões, é uma total desconhecida em seu próprio país. Como uma pessoa desconhecida por seus vizinhos - segundo a própria blogueira - pode integrar a lista das 100 personalidades mais influentes do ano?Um diplomata ocidental próximo desta atípica opositora do governo de Havana havia lido uma série de artigos que escrevi sobre Yoani Sánchez e que eram relativamente críticos. Ele os mostrou à blogueira cubana, que quis reunir-se comigo para esclarecer alguns pontos abordados.O encontro com a jovem dissidente de fama controvertida não ocorreu em algum apartamento escuro, com as janelas fechadas, ou em um lugar isolado e recluso para escapar aos ouvidos indiscretos da "polícia política". Ao contrário, aconteceu no saguão do Hotel Plaza, no centro de Havana Velha, em uma tarde inundada de sol. O local estava bem movimentado, com numerosos turistas estrangeiros que perambulavam pelo imenso salão do edifício majestoso que abriu suas portas no início do século XX.&lt;br /&gt;Yoani Sánchez vive perto das embaixadas ocidentais. De fato, uma simples chamada de meu contato ao meio-dia permitiu que combinássemos o encontro para três horas depois. Às 15h, a blogueira apareceu sorridente, vestida com uma saia longa e uma camiseta azul. Também usava uma jaqueta esportiva, para amenizar o relativo frescor do inverno havanês.Foram cerca de duas horas de conversa ao redor de uma mesa do bar do hotel, com a presença de seu marido, Reinaldo Escobar, que a acompanhou durante uns vinte minutos antes de sair para outro encontro. Yoani Sánchez mostrou-se extremamente cordial e afável e exibiu grande tranquilidade. Seu tom de voz era seguro e em nenhum momento ela pareceu incomodada. Acostumada aos meios ocidentais, domina relativamente bem a arte da comunicação. Esta blogueira, personagem de aparência frágil, inteligente e sagaz, tem consciência de que, embora lhe seja difícil admitir, sua midiatização no Ocidente não é uma causalidade, mas se deve ao fato de ela preconizar a instauração de um "capitalismo sui generis" em Cuba.&lt;br /&gt;O INCIDENTE DE 6 DE NOVEMBRO DE 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salim Lamranium - Comecemos pelo incidente ocorrido em 6 de novembro de 2009 em Havana. Em seu blog, a senhora explicou que foi presa com três amigos por "três robustos desconhecidos" durante uma "tarde carregada de pancadas, gritos e insultos". A senhora denunciou as violências de que foi vítima por parte das forças da ordem cubanas. Confirma sua versão dos fatos?&lt;br /&gt;Yoani Sánchez - Efetivamente, confirmo que sofri violência. Mantiveram-me sequestrada por 25 minutos. Levei pancadas. Consegui pegar um papel que um deles levava no bolso e o coloquei em minha boca. Um deles pôs o joelho sobre meu peito e o outro, no assento dianteiro, me batia na região dos rins e golpeava minha cabeça para que eu abrisse a boca e soltasse o papel. Por um momento, achei que nunca sairia daquele carro.&lt;br /&gt;SL - O relato, em seu blog, é verdadeiramente terrorífico. Cito textualmente: a senhora falou de "golpes e empurrões", de "golpes nos nós dos dedos", de "enxurrada de golpes", do "joelho sobre o [seu] peito", dos golpes nos "rins e [...] na cabeça", do "cabelo puxado", de seu "rosto avermelhado pela pressão e o corpo dolorido", dos "golpes [que] continuavam vindo" e "todas essas marcas roxas". No entanto, quando a senhora recebeu a imprensa internacional em 9 de novembro, todas as marcas haviam desaparecido. Como explica isso?&lt;br /&gt;YS - São profissionais do espancamento.&lt;br /&gt; SL - Certo, mas por que a senhora não tirou fotos das marcas?&lt;br /&gt;YS - Tenho as fotos. Tenho provas fotográficas.&lt;br /&gt;SL - Tem provas fotográficas?&lt;br /&gt;YS - Tenho as provas fotográficas.&lt;br /&gt;SL - Mas por que não as publicou para desmentir todos os rumores segundo os quais a senhora havia inventado uma agressão para que a imprensa falasse de seu caso?&lt;br /&gt;YS - Por enquanto prefiro guardá-las e não publicá-las. Quero apresentá-las um dia perante um tribunal, para que esses três homens sejam julgados. Lembro-me perfeitamente de seus rostos e tenho fotos de pelo menos dois deles. Quanto ao terceiro, ainda não está identificado, mas, como se tratava do chefe, será fácil de encontrar. Tenho também o papel que tirei de um deles e que tem minha saliva, pois o coloquei na boca. Neste papel estava escrito o nome de uma mulher.&lt;br /&gt;SL - Certo. A senhora publica muitas fotos em seu blog. Para nós é difícil entender por que prefere não mostrar as marcas desta vez.&lt;br /&gt;YS - Como já lhe disse, prefiro guardá-las para a Justiça.&lt;br /&gt;SL - A senhora entende que, com essa atitude, está dando crédito aos que pensam que a agressão foi uma invenção.&lt;br /&gt;YS - É minha escolha.&lt;br /&gt;SL - No entanto, até mesmo os meios ocidentais que lhe são mais favoráveis tomaram precauções oratórias pouco habituais para divulgar seu relato. O correspondente da BBC em Havana, Fernando Ravsberg, por exemplo, escreve que a senhora "não tem hematomas, marcas ou cicatrizes". A agência France Presseconta a história esclarecendo com muito cuidado que se trata de sua versão, sob o título "Cuba: a blogueira Yoani Sánchez diz ter sido agredida e detida brevemente". O jornalista afirma, por outro lado, que a senhora "não ficou ferida".&lt;br /&gt;YS - Não quero avaliar o trabalho deles. Não sou eu quem deve julgá-lo. São profissionais que passam por situações muito complicadas, que não posso avaliar. O certo é que a existência ou não de marcas físicas não é a prova do fato.&lt;br /&gt;SL - Mas a presença de marcas demonstraria que foram cometidas violências. Daí a importância da publicação das fotos.&lt;br /&gt;YS - O senhor deve entender que tratamos de profissionais da intimidação. O fato de três desconhecidos terem me levado até um carro sem me apresentar nenhum documento me dá o direito de me queixar como se tivessem fraturado todos os ossos do corpo. As fotos não são importantes porque a ilegalidade está consumada. A precisão de que "me doeu aqui ou me doeu ali" é minha dor interior.&lt;br /&gt;SL - Sim, mas o problema é que a senhora apresentou isso como uma agressão muito violenta. A senhora falou de "seqüestro no pior estilo da Camorra siciliana".&lt;br /&gt;YS - Sim, é verdade, mas sei que é minha palavra contra a deles. Entrar nesse tipo de detalhes, para saber se tenho marcas ou não, nos afasta do tema verdadeiro, que é o fato de terem me seqüestrado durante 25 minutos de maneira ilegal.&lt;br /&gt;SL - Perdoe-me a insistência, mas creio que é importante. Há uma diferença entre um controle de identidade que dura 25 minutos e violências policiais. Minha pergunta é simples. A senhora disse, textualmente: "Durante todo o fim de semana fiquei com a maçã do rosto e os supercílios inflamados." Como tem as fotos, pode agora mostrar as marcas.&lt;br /&gt;YS - Já lhe disse que prefiro guardá-las para o tribunal.&lt;br /&gt;SL - A senhora entende que, para algumas pessoas, será difícil acreditar em sua versão se a senhora não publicar as fotos.&lt;br /&gt;YS - Penso que, entrando nesse tipo de detalhes, perde-se a essência. A essência é que três bloggers acompanhados por uma amiga dirigiam-se a um ponto da cidade que era a Rua 23, esquina G. Tínhamos ouvido falar que um grupo de jovens convocara uma passeata contra a violência. Pessoas alternativas, cantores de hip hop, de rap, artistas. Eu compareceria como blogueira para tirar fotos e publicá-las em meu blog e fazer entrevistas. No caminho, fomos interceptados por um carro da marca Geely.&lt;br /&gt;SL - Para impedi-los de participar do evento?&lt;br /&gt;YS - A razão, evidentemente, era esta. Eles nunca me disseram formalmente, mas era o objetivo. Disseram-me que entrasse no carro. Perguntei quem eles eram. Um deles me pegou pelo pulso e comecei a ir para trás. Isso aconteceu em uma zona bastante central de Havana, em um ponto de ônibus.&lt;br /&gt;SL - Então havia outras pessoas. Havia testemunhas.&lt;br /&gt;YS - Há testemunhas, mas não querem falar. Têm medo.&lt;br /&gt;SL - Nem mesmo de modo anônimo? Por que a imprensa ocidental não as entrevistou preservando seu anonimato, como faz muitas vezes quando publica reportagens críticas sobre Cuba?&lt;br /&gt;YS - Não posso lhe explicar a reação da imprensa. Posso lhe contar o que aconteceu. Um deles era um homem de uns cinqüenta anos, musculoso como se tivesse praticado luta livre em algum momento da vida. Digo-lhe isso porque meu pai praticou esse esporte e tem as mesmas características. Tenho os pulsos muito finos e consegui escapar, e lhe perguntei quem era. Havia três homens além do motorista.&lt;br /&gt;SL - Então havia quatro homens no total, e não três.&lt;br /&gt;YS - Sim, mas não vi o rosto do motorista. Disseram-me: "Yoani, entre no carro, você sabe quem somos." Respondi: "Não sei quem são os senhores." O mais baixo me disse: "Escute-me, você sabe quem sou, você me conhece." Retruquei: "Não, não sei quem é você. Não o conheço. Quem é você? Mostre-me suas credenciais ou algum documento." O outro me disse: "Entre, não torne as coisas mais difíceis." Então comecei a gritar: "Socorro! Seqüestradores!"&lt;br /&gt;SL - A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana?&lt;br /&gt;YS - Imaginava, mas eles não me mostraram seus documentos.&lt;br /&gt;SL - Qual era seu objetivo, então?&lt;br /&gt;YS - Queria que as coisas fossem feitas dentro da legalidade, ou seja, que me mostrassem seus documentos e me levassem depois, embora eu suspeitasse que eles representavam a autoridade. Ninguém pode obrigar um cidadão a entrar em um carro particular sem apresentar suas credenciais. Isso é uma ilegalidade e um seqüestro.&lt;br /&gt;SL - Como as pessoas no ponto de ônibus reagiram?&lt;br /&gt;YS - As pessoas no ponto ficaram atônitas, pois "seqüestro" não é uma palavra que se usa em Cuba, não existe esse fenômeno. Então se perguntaram o que estava acontecendo. Não tínhamos jeito de delinqüentes. Alguns se aproximaram, mas um dos policiais lhes gritou: "Não se metam, que são contrarrevolucionários!" Esta foi à confirmação de que se tratava de membros da polícia política, embora eu já imaginasse por causa do carro Geely, que é chinês, de fabricação atual, e não é vendido em nenhuma loja em Cuba. Esses carros pertencem exclusivamente a membros do Ministério das Forças Armadas e do Ministério do Interior. SL - Então a senhora sabia desde o início, pelo carro, que se tratava de policiais à paisana.&lt;br /&gt;YS - Intuía. Por outro lado, tive a confirmação quando um deles chamou um policial uniformizado. Uma patrulha formada por um homem e uma mulher chegou e levou dois de nós. Deixou-nos nas mãos desses dois desconhecidos.&lt;br /&gt;SL - Mas a senhora já não tinha a menor dúvida sobre quem eles eram.&lt;br /&gt;YS - Não, mas não nos mostraram nenhum documento. Os policiais não nos disseram que representavam a autoridade. Não nos disseram nada.&lt;br /&gt;SL - É difícil entender o interesse das autoridades cubanas em agredi-la fisicamente, sob o risco de provocar um escândalo internacional. A senhora é famosa. Por que teriam feito isso?&lt;br /&gt;YS - Seu objetivo era radicalizar-me, para que eu escrevesse textos violentos contra eles. Mas não conseguirão.&lt;br /&gt;SL - Não se pode dizer que a senhora é branda com o governo cubano.&lt;br /&gt;YS - Nunca recorro à violência verbal nem a ataques pessoais. Nunca uso adjetivos incendiários, como "sangrenta repressão", por exemplo. Seu objetivo, então, era radicalizar-me.&lt;br /&gt;SL - No entanto, a senhora é muito dura em relação ao governo de Havana. Em seu blog, a senhora diz: "o barco que faz água a ponto de naufragar". A senhora fala dos "gritos do déspota", de "seres das sombras, que, como vampiros, se alimentam de nossa alegria humana, nos incutem o medo por meio da agressão, da ameaça, da chantagem", e afirma que "naufragaram o processo, o sistema, as expectativas, as ilusões. [É um] naufrágio [total]". São palavras muito fortes.&lt;br /&gt;YS - Talvez, mas o objetivo deles era queimar o fenômeno Yoani Sánchez, demonizar-me. Por isso meu blog permaneceu bloqueado por um bom tempo.&lt;br /&gt;SL - Contudo, é surpreendente que as autoridades cubanas tenham decidido atacá-la fisicamente.&lt;br /&gt;YS - Foi uma torpeza. Não entendo por que me impediram de assistir à passeata, pois não penso como aqueles que reprimem. Não tenho explicação. Talvez eles não quisessem que eu me reunisse com os jovens. Os policiais acreditavam que eu iria provocar um escândalo ou fazer um discurso incendiário. Voltando ao assunto da detenção, os policiais levaram meus amigos de maneira enérgica e firme, mas sem violência. No momento em que me dei conta de que iriam nos deixar sozinhos com Orlando, com esses três tipos, agarrei-me a uma planta que havia na rua e Claudia agarrou-se a mim pela cintura para impedir a separação, antes de os policiais a levarem.&lt;br /&gt;SL - Para que resistir às forças da ordem uniformizadas e correr o risco de ser acusada disso e cometer um delito? Na França, se resistimos à polícia, corremos o risco de sofrer sanções.&lt;br /&gt;YS - De qualquer modo, eles nos levaram. A policial levou Claudia. As três pessoas nos levaram até o carro e comecei a gritar de novo: "Socorro! Um seqüestro!"&lt;br /&gt;SL - Por quê? A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana.&lt;br /&gt;YS - Não me mostraram nenhum papel. Então começaram a me bater e me empurraram em direção ao carro. Claudia foi testemunha e relatou isso.&lt;br /&gt;SL - A senhora não acaba de me dizer que a patrulha a havia levado?&lt;br /&gt;YS - Ela viu a cena de longe, enquanto o carro de polícia se afastava. Defendi-me e golpeei como um animal que sente que sua hora chegou. Deram uma volta rápida e tentaram tirar-me o papel da boca. Agarrei um deles pelos testículos e ele redobrou a violência. Levaram-nos a um bairro bem periférico, La Timba, que fica perto da Praça da Revolução. O homem desceu, abriu a porta e pediu que saíssemos. Eu não quis descer. Eles nos fizeram sair à força com Orlando e foram embora. Uma senhora chegou e dissemos que havíamos sido seqüestrados. Ela nos achou malucos e se foi. O carro voltou, mas não parou. Eles só me jogaram minha bolsa, onde estavam meu celular e minha câmera.&lt;br /&gt;SL - Voltaram para devolver seu celular e sua câmera?&lt;br /&gt;YS - Sim.&lt;br /&gt;SL - Não lhe parece estranho que se preocupassem em voltar? Poderiam ter confiscado seu celular e sua câmera, que são suas ferramentas de trabalho.&lt;br /&gt;YS - Bem, não sei. Tudo durou 25 minutos.&lt;br /&gt;SL - Mas a senhora entende que, enquanto não publicar as fotos, as pessoas duvidarão de sua versão, e isso lançará uma sombra sobre a credibilidade de tudo o que a senhora diz.&lt;br /&gt;YS - Não importa.&lt;br /&gt;A Suíça e o retorno a Cuba SL - Em 2002, a senhora decidiu emigrar para a Suíça. Dois anos depois, voltou a Cuba. É difícil entender por que a senhora deixou o "paraíso europeu" para regressar ao país que descreve como um inferno. A pergunta é simples: por quê?&lt;br /&gt;YS - É uma ótima pergunta. Primeiro, gosto de nadar contra a corrente. Gosto de organizar minha vida à minha maneira. O absurdo não é ir embora e voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas, que estipulam que toda pessoa que passa onze meses no exterior perde seu status de residente permanente. Em outras condições eu poderia permanecer dois anos no exterior e, com o dinheiro ganho, voltar a Cuba para reformar a casa e fazer outras coisas. Então o surpreendente não é o fato de eu decidir voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas.&lt;br /&gt;SL - O mais surpreendente é que, tendo a possibilidade de viver em um dos países mais ricos do mundo, a senhora tenha decidido voltar a seu país, que descreve de modo apocalíptico, apenas dois anos depois de sua saída.&lt;br /&gt;YS - As razões são várias. Primeiro, não pude ir embora com minha família. Somos uma pequena família, mas minha irmã, meus pais e eu somos muito unidos. Meu pai ficou doente em minha ausência e tive medo de que ele morresse sem que eu pudesse vê-lo. Também me sentia culpada por viver melhor do que eles. A cada vez que comprava um par de sapatos, que me conectava a internet, pensava neles. Sentia-me culpada.&lt;br /&gt;SL - Certo, mas, da Suíça, a senhora podia ajudá-los enviando dinheiro.&lt;br /&gt;YS - É verdade, mas há outro motivo. Pensei que, com o que havia aprendido na Suíça, poderia mudar as coisas voltando a Cuba. Há também a saudade das pessoas, dos amigos. Não foi uma decisão pensada, mas não me arrependo. Tinha vontade de voltar e voltei. É verdade que isso pode parecer pouco comum, mas gosto de fazer coisas incomuns. Criei um blog e as pessoas me perguntaram por que eu fiz isso, mas o blog me satisfaz profissionalmente.&lt;br /&gt;SL - Entendo. No entanto, apesar de todas essas razões, é difícil entender o motivo de seu regresso a Cuba quando no Ocidente se acredita que todos os cubanos querem abandonar o país. É ainda mais surpreendente em seu caso, pois a senhora apresenta seu país, repito, de modo apocalíptico.&lt;br /&gt;YS - Como filóloga, eu discutiria a palavra, pois "apocalíptico" é um termo grandiloqüente. Há um aspecto que caracteriza meu blog: a moderação verbal.&lt;br /&gt;SL - Não é sempre assim. A senhora, por exemplo, descreve Cuba como "uma imensa prisão, com muros ideológicos". Os termos são bastante fortes.&lt;br /&gt;YS - Nunca escrevi isso.&lt;br /&gt;SL - São as palavras de uma entrevista concedida ao canal francês France 24 em 22 de outubro de 2009.&lt;br /&gt;YS - O senhor leu isso em francês ou em espanhol?&lt;br /&gt;SL - Em francês.&lt;br /&gt;YS - Desconfie das traduções, pois eu nunca disse isso. Com freqüência me atribuem coisas que eu não disse. Por exemplo, o jornal espanhol ABC me atribuiu palavras que eu nunca havia pronunciado, e protestei. O artigo foi finalmente retirado do site na internet.&lt;br /&gt;SL - Quais eram essas palavras?&lt;br /&gt;YS - "Nos hospitais cubanos, morre mais gente de fome do que de enfermidades." Era uma mentira total. Eu jamais havia dito isso.&lt;br /&gt;SL - Então a imprensa ocidental manipulou o que a senhora disse?&lt;br /&gt;YS - Eu não diria isso.&lt;br /&gt;SL - Se lhe atribuem palavras que a senhora não pronunciou, trata-se de manipulação.&lt;br /&gt;YS - O Granma manipula a realidade mais do que a imprensa ocidental ao afirmar que sou uma criação do grupo midiático Prisa.&lt;br /&gt;SL - Justamente, a senhora não tem a impressão de que a imprensa ocidental a usa porque a senhora preconiza um "capitalismo sui generis" em Cuba?&lt;br /&gt;YS - Não sou responsável pelo que a imprensa faz. Meu blog é uma terapia pessoal, um exorcismo. Tenho a impressão de que sou mais manipulada em meu próprio país do que em outra parte. O senhor sabe que existe uma lei em Cuba, a lei 88, chamada lei da "mordaça", que põe na cadeia as pessoas que fazem o que estamos fazendo.&lt;br /&gt;SL - O que isso quer dizer?&lt;br /&gt;YS - Que nossa conversa pode ser considerada um delito, que pode ser punido com uma pena de até 15 anos de prisão.&lt;br /&gt;SL - Perdoe-me, o fato de eu entrevistá-la pode levá-la para a cadeia?&lt;br /&gt;YS - É claro!&lt;br /&gt;SL - Não tenho a impressão de que isso a preocupe muito, pois a senhora está me concedendo uma entrevista em plena tarde, no saguão de um hotel no centro de Havana Velha.&lt;br /&gt;YS - Não estou preocupada. Esta lei estipula que toda pessoa que denuncie as violações dos direitos humanos em Cuba colabora com as sanções econômicas, pois Washington justifica a imposição das sanções contra Cuba pela violação dos direitos humanos.&lt;br /&gt;SL - Se não me engano, a lei 88 foi aprovada em 1996 para responder à Lei-Helms Burton e sanciona, sobretudo as pessoas que colaboram com a aplicação desta legislação em Cuba, por exemplo, fornecendo informações a Washington sobre os investidores estrangeiros no país, para que estes sejam perseguidos pelos tribunais norte-americanos. Que eu saiba, ninguém até agora foi condenado por isso. Falemos de liberdade de expressão. A senhora goza de certa liberdade de tom em seu blog. Está sendo entrevistada em plena tarde em um hotel. Não vê uma contradição entre o fato de afirmar que não há nenhuma liberdade de expressão em Cuba e a realidade de seus escritos e suas atividades, que provam o contrário?&lt;br /&gt;YS - Sim, mas o blog não pode ser acessado desde Cuba, porque está bloqueado.&lt;br /&gt;SL - Posso lhe assegurar que o consultei esta manhã antes da entrevista, no hotel.&lt;br /&gt;YS - É possível, mas ele permanece bloqueado a maior parte do tempo. De todo modo, hoje em dia, mesmo sendo uma pessoa moderada, não posso ter nenhum espaço na imprensa cubana, nem no rádio, nem na televisão.&lt;br /&gt;SL - Mas pode publicar o que tem vontade em seu blog.&lt;br /&gt;YS - Mas não posso publicar uma única palavra na imprensa cubana.&lt;br /&gt;SL - Na França, que é uma democracia, amplos setores da população não têm nenhum espaço nos meios, já que a maioria pertence a grupos econômicos e financeiros privados.&lt;br /&gt;YS - Sim, mas é diferente.&lt;br /&gt;SL - A senhora recebeu ameaças por suas atividades? Alguma vez a ameaçaram com uma pena de prisão pelo que escreve?&lt;br /&gt;YS - Ameaças diretas de pena de prisão, não, mas não me deixam viajar ao exterior. Fui convidada há pouco para um Congresso sobre a língua espanhola no Chile, fiz todos os trâmites, mas não me deixam sair.&lt;br /&gt;SL - Deram-lhe alguma explicação?&lt;br /&gt;YS - Nenhuma, mas quero dizer uma coisa. Para mim, as sanções dos Estados Unidos contra Cuba são uma atrocidade. Trata-se de uma política que fracassou. Afirmei isso muitas vezes, mas não se publica, pois é incômodo o fato de eu ter esta opinião que rompe com o arquétipo do opositor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS SANÇÕES ECONÔMICAS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SL - Então a senhora se opõe às sanções econômicas.&lt;br /&gt;YS - Absolutamente, e digo isso em todas as entrevistas. Há algumas semanas, enviei uma carta ao Senado dos Estados Unidos pedindo que os cidadãos norte-americanos tivessem permissão para viajar a Cuba. É uma atrocidade impedir que os cidadãos norte-americanos viajem a Cuba, do mesmo modo que o governo cubano me impede de sair de meu país.&lt;br /&gt;SL - O que acha das esperanças suscitadas pela eleição de Obama, que prometeu uma mudança na política para Cuba, mas decepcionou muita gente?&lt;br /&gt;YS - Ele chegou ao poder sem o apoio do lobby fundamentalista de Miami, que defendeu o outro candidato. De minha parte, já me pronunciei contra as sanções.&lt;br /&gt;SL - Este lobby fundamentalista é contra a suspensão das sanções econômicas.&lt;br /&gt;YS - O senhor pode discutir com eles e lhes expor meus argumentos, mas eu não diria que são inimigos da pátria. Não penso assim.&lt;br /&gt;SL - Uma parte deles participou da invasão de seu próprio país em 1961, sob as ordens da CIA. Vários estão envolvidos em atos de terrorismo contra Cuba.&lt;br /&gt;YS - Os cubanos no exílio têm o direito de pensar e decidir. Sou a favor de que eles tenham direito ao voto. Aqui, estigmatizou-se muito o exílio cubano.&lt;br /&gt;SL - O exílio "histórico" ou os que emigraram depois, por razões econômicas?&lt;br /&gt;YS - Na verdade, oponho-me a todos os extremos. Mas essas pessoas que defendem as sanções econômicas não são anticubanas. Considere que elas defendem Cuba segundo seus próprios critérios.&lt;br /&gt;SL - Talvez, mas as sanções econômicas afetam os setores mais vulneráveis da população cubana, e não os dirigentes. Por isso é difícil ser a favor das sanções e, ao mesmo tempo, querer defender o bem-estar dos cubanos.&lt;br /&gt;YS - É a opinião deles. É assim.&lt;br /&gt;SL - Eles não são ingênuos. Sabem que os cubanos sofrem com as sanções.&lt;br /&gt;YS - São simplesmente diferentes. Acreditam que poderão mudar o regime impondo sanções. Em todo caso, creio que o bloqueio tem sido o argumento perfeito para o governo cubano manter a intolerância, o controle e a repressão interna.&lt;br /&gt;SL - As sanções econômicas têm efeitos. Ou a senhora acha que são apenas uma desculpa para Havana?&lt;br /&gt;YS - São uma desculpa que leva à repressão.&lt;br /&gt;SL - Afetam o país de um ponto de vista econômico, para a senhora? Ou é apenas um efeito marginal?&lt;br /&gt;YS - O verdadeiro problema é a falta de produtividade em Cuba. Se amanhã suspendessem as sanções, duvido muito que víssemos os efeitos.&lt;br /&gt;SL - Neste caso, por que os Estados Unidos não suspendem as sanções, tirando assim a desculpa do governo? Assim perceberíamos que as dificuldades econômicas devem-se apenas às políticas internas. Se Washington insiste tanto nas sanções apesar de seu caráter anacrônico, apesar da oposição da imensa maioria da comunidade internacional, 187 países em 2009, apesar da oposição de uma maioria da opinião pública dos Estados Unidos, apesar da oposição do mundo dos negócios, deve ser por algum motivo, não?&lt;br /&gt;YS - Simplesmente porque Obama não é o ditador dos Estados Unidos e não pode eliminar as sanções.&lt;br /&gt;SL - Ele não pode eliminá-las totalmente porque não há um acordo no Congresso, mas pode aliviá-las consideravelmente, o que não fez até agora, já que, salvo a eliminação das sanções impostas por Bush em 2004, quase nada mudou.&lt;br /&gt;YS - Não, não é verdade, pois ele também permitiu que as empresas de telecomunicações norte-americanas fizessem transações com Cuba. Os prêmios internacionais, o blog e Barack Obama&lt;br /&gt;SL - A senhora terá de admitir que é bem pouco, quando se sabe que Obama prometeu um novo enfoque para Cuba. Voltemos a seu caso pessoal. Como explica esta avalanche de prêmios, assim como seu sucesso internacional?&lt;br /&gt;YS - Não tenho muito a dizer, a não ser expressar minha gratidão. Todo prêmio implica uma dose de subjetividade por parte do jurado. Todo prêmio é discutível. Por exemplo, muitos escritores latino-americanos mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel García Márquez.&lt;br /&gt;SL - A senhora afirma isso porque acredita que ele não tem tanto talento ou por sua posição favorável à Revolução cubana? A senhora não nega seu talento de escritor, ou nega?&lt;br /&gt;YS - É minha opinião, mas não direi que ele obteve o prêmio por esse motivo nem vou acusá-lo de ser um agente do governo sueco.&lt;br /&gt;SL - Ele obteve o prêmio por sua obra literária, enquanto a senhora foi recompensada por suas posições políticas contra o governo. É a impressão que temos.&lt;br /&gt;YS - Falemos do prêmio Ortega y Gasset, do jornal El País, que suscita mais polêmica. Venci na categoria "Internet". Alguns dizem que outros jornalistas não conseguiram, mas sou uma blogueira e sou pioneira neste campo. Considero-me uma personagem da internet. O júri do prêmio Ortega y Gasset é formado por personalidades extremamente prestigiadas e eu não diria que elas se prestaram a uma conspiração contra Cuba.&lt;br /&gt;SL - A senhora não pode negar que o jornal espanhol El País tem uma linha editorial totalmente hostil a Cuba. E alguns acham que o prêmio, de 15.000 euros, foi uma forma de recompensar seus escritos contra o governo.&lt;br /&gt;YS - As pessoas pensam o que querem. Acredito que meu trabalho foi recompensado. Meu blog tem 10 milhões de visitas por mês. É um furacão.&lt;br /&gt;SL - Como a senhora faz para pagar os gastos com a administração de semelhante tráfego?&lt;br /&gt;YS - Um amigo na Alemanha se encarregava disso, pois o site estava hospedado na Alemanha. Há mais de um ano está hospedado na Espanha, e consegui 18 meses gratuitos graças ao prêmio The Bob's.&lt;br /&gt;SL - E a tradução para 18 línguas?&lt;br /&gt;YS - São amigos e admiradores que o fazem voluntária e gratuitamente.&lt;br /&gt;SL - Muitas pessoas acham difícil acreditar nisso, pois nenhum outro site do mundo, nem mesmo os das mais importantes instituições internacionais, como as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE, a União Européia, dispõe de tantas versões de idioma. Nem o site do Departamento de Estado dos EUA, nem o da CIA conta com semelhante variedade.&lt;br /&gt;YS - Digo-lhe a verdade. &lt;br /&gt;SL - O presidente Obama inclusive respondeu a uma entrevista que a senhora fez. Como explica isso?&lt;br /&gt;YS - Em primeiro lugar, quero dizer que não eram perguntas complacentes.&lt;br /&gt;SL - Tampouco podemos afirmar que a senhora foi crítica, já que não pediu que ele suspendesse as sanções econômicas, sobre as quais a senhora diz que "são usadas como justificativa tanto para o descalabro produtivo quanto para reprimir os que pensam diferente". É exatamente o que diz Washington sobre o tema. O momento de maior atrevimento foi quando a senhora perguntou se ele pensava em invadir Cuba. Como a senhora explica que o presidente Obama tenha dedicado tempo a lhe responder apesar de sua agenda extremamente carregada, com uma crise econômica sem precedentes, a reforma do sistema de saúde, o Iraque, o Afeganistão, as bases militares na Colômbia, o golpe de Estado em Honduras e centenas de pedidos de entrevista dos mais importantes meios do mundo à espera?&lt;br /&gt;YS - Tenho sorte. Quero lhe dizer que também enviei perguntas ao presidente Raúl Castro e ele não me respondeu. Não perco a esperança. Além disso, ele agora tem a vantagem de contar com as respostas de Obama.&lt;br /&gt;SL - Como a senhora chegou até Obama?&lt;br /&gt;YS - Transmiti as perguntas a várias pessoas que vinham me visitar e poderiam ter um contato com ele.&lt;br /&gt;SL - Em sua opinião, Obama respondeu por que a senhora é uma blogueira cubana ou porque se opõe ao governo?&lt;br /&gt;YS - Não creio. Obama respondeu porque fala com os cidadãos.&lt;br /&gt;SL - Ele recebe milhões de solicitações a cada dia. Por que lhe respondeu, se a senhora é uma simples blogueira?&lt;br /&gt;YS - Obama é próximo de minha geração, de meu modo de pensar.&lt;br /&gt;SL - Mas por que a senhora? Existem milhões de blogueiros no mundo. Não acha que foi usada na guerra midiática de Washington contra Havana?&lt;br /&gt;YS - Em minha opinião, ele talvez quisesse responder a alguns pontos, como a invasão de Cuba. Talvez eu tenha lhe dado a oportunidade de se manifestar sobre um tema que ele queria abordar havia muito tempo. A propaganda política nos fala constantemente de uma possível invasão de Cuba.&lt;br /&gt;SL - Mas ocorreu uma, não?&lt;br /&gt;YS - Quando?&lt;br /&gt;SL - Em 1961. E, em 2003, Roger Noriega, subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos, disse que qualquer onda migratória cubana em direção aos Estados Unidos seria considerada uma ameaça à segurança nacional e exigiria uma resposta militar.&lt;br /&gt;YS - É outro assunto. Voltando ao tema da entrevista, creio que ela permitiu esclarecer alguns pontos. Tenho a impressão de que há uma intenção de ambos os lados de não normalizar as relações, de não se entender. Perguntei-lhe quando encontraríamos uma solução.&lt;br /&gt;SL - A seu ver, quem é responsável por este conflito entre os dois países?&lt;br /&gt;YS - É difícil apontar um culpado.&lt;br /&gt;SL - Neste caso específico, são os Estados Unidos que impõe sanções unilaterais a Cuba, e não o contrário.&lt;br /&gt;YS - Sim, mas Cuba confiscou propriedades dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;SL - Tenho a impressão de que a senhora faz o papel de advogada de Washington.&lt;br /&gt;YS - Os confiscos ocorreram.&lt;br /&gt;SL - É verdade, mas foram realizados conforme o direito internacional. Cuba também confiscou propriedades da França, Espanha, Itália, Bélgica, Reino Unido, e indenizou estas nações. O único país que recusou as indenizações foram os Estados Unidos.&lt;br /&gt;YS - Cuba também permitiu a instalação de bases militares em seu território e de mísseis de um império distante...&lt;br /&gt;SL - ...Como os Estados Unidos instalaram bases nucleares contra a URSS na Itália e na Turquia.&lt;br /&gt;YS - Os mísseis nucleares podiam alcançar os Estados Unidos.&lt;br /&gt;SL - Assim como os mísseis nucleares norte-americanos podiam alcançar Cuba ou a URSS.&lt;br /&gt;YS - É verdade, mas creio que houve uma escalada no confronto por parte de ambos os países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OS CINCO PRESOS POLÍTICOS CUBANOS E A DISSIDÊNCIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SL - Abordemos outro tema. Fala-se muito dos cinco presos políticos cubanos nos Estados Unidos, condenados à prisão perpétua por infiltrar grupelhos de extrema direita na Flórida envolvidos no terrorismo contra Cuba.&lt;br /&gt;YS - Não é um tema que interesse à população. É propaganda política.&lt;br /&gt;SL - Mas qual é seu ponto de vista a respeito?&lt;br /&gt;YS - Tentarei ser o mais neutra possível. São agentes do Ministério do Interior que se infiltraram nos Estados Unidos para coletar informações. O governo de Cuba disse que eles não desempenhavam atividades de espionagem, mas sim que haviam infiltrado grupos cubanos para evitar atos terroristas. Mas o governo cubano sempre afirmou que esses grupos estavam ligados a Washington.&lt;br /&gt;SL - Então os grupos radicais de exilados têm laços com o governo dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;YS - É o que diz a propaganda política.&lt;br /&gt;SL - Então não é verdade.&lt;br /&gt;YS - Se é verdade, significa que os cinco realizavam atividades de espionagem.&lt;br /&gt;SL - Neste caso, os Estados Unidos têm de reconhecer que os grupos violentos fazem parte do governo.&lt;br /&gt;YS - É verdade.&lt;br /&gt;SL - A senhora acha que os Cinco devem ser libertados ou merecem a punição?&lt;br /&gt;YS - Creio que valeria a pena revisar os casos, mas em um contexto político mais apaziguado. Não acho que o uso político deste caso seja bom para eles. O governo cubano midiatiza demais este assunto.&lt;br /&gt;SL - Talvez por ser um assunto totalmente censurado pela imprensa ocidental.&lt;br /&gt;YS - Creio que seria bom salvar essas pessoas, que são seres humanos, têm uma família, filhos. Por outro lado, contudo, também há vítimas.&lt;br /&gt;SL - Mas os cinco não cometeram crimes.&lt;br /&gt;YS - Não, mas forneceram informações que causaram a morte de várias pessoas.&lt;br /&gt;SL - A senhora se refere aos acontecimentos de 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões da organização radical Brothers to the Rescue foram derrubados depois de violar várias vezes o espaço aéreo cubano e lançar convocações à rebelião.&lt;br /&gt;YS - Sim.&lt;br /&gt;SL - No entanto, o promotor reconheceu que era impossível provar a culpa de Gerardo Hernández neste caso.&lt;br /&gt;YS - É verdade. Penso que, quando a política se intromete em assuntos de justiça, chegamos a isso.&lt;br /&gt;SL - A senhora acha que se trata de um caso político?&lt;br /&gt;YS - Para o governo cubano, é um caso político.&lt;br /&gt;SL - E para os Estados Unidos?&lt;br /&gt;YS - Penso que existe uma separação dos poderes no país, mas é possível que o ambiente político tenha influenciado os juízes e jurados. Não creio, no entanto, que se trate de um caso político dirigido por Washington. É difícil ter uma imagem clara deste caso, pois jamais obtivemos uma informação completa a respeito. Mas a prioridade para os cubanos é a libertação dos presos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O FINANCIAMENTO DOS DISSIDENTES CUBANOS PELOS ESTADOS UNIDOS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SL - Wayne S. Smith, último embaixador dos Estados Unidos em Cuba, declarou que era "ilegal e imprudente enviar dinheiro aos dissidentes cubanos". Acrescentou que "ninguém deveria dar dinheiro aos dissidentes, muito menos com o objetivo de derrubar o governo cubano". Ele explica: "Quando os Estados Unidos declaram que seu objetivo é derrubar o governo cubano e depois afirmam que um dos meios para conseguir isso é oferecer fundos aos dissidentes cubanos, estes se encontram de fato na posição de agentes pagos por uma potência estrangeira para derrubar seu próprio governo".&lt;br /&gt;YS - Creio que o financiamento da oposição pelos Estados Unidos tem sido apresentado como uma realidade, o que não é o caso. Conheço vários membros do grupo dos 75 dissidentes presos em 2003 e duvido muito dessa versão. Não tenho provas de que os 75 tenham sido presos por isso. Não acredito nas provas apresentadas nos tribunais cubanos.SL - Não creio que seja possível ignorar esta realidade.&lt;br /&gt;YS - Por quê?&lt;br /&gt;SL - O próprio governo dos Estados Unidos afirma que financia a oposição interna desde 1959. Basta consultar, além dos arquivos liberados ao público, a seção 1.705 da lei Torricelli, de 1992, a seção 109 da lei Helms-Burton, de 1996, e os dois informes da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre, de maio de 2004 e julho de 2006. Todos esses documentos revelam que o presidente dos Estados Unidos financia a oposição interna em Cuba com o objetivo de derrubar o governo de Havana.&lt;br /&gt;YS: Não sei, mas...&lt;br /&gt;SL - Se me permite, vou citar as leis em questão. A seção 1.705 da lei Torricelli estipula que "os Estados Unidos proporcionarão assistência às organizações não-governamentais adequadas para apoiar indivíduos e organizações que promovem uma mudança democrática não violenta em Cuba. "A seção 109 da lei Helms-Burton também é muito clara: "O presidente [dos Estados Unidos] está autorizado a proporcionar assistência e oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não-governamentais independentes para unir os esforços a fim de construir uma democracia em Cuba".O primeiro informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê a elaboração de um "sólido programa de apoio que favoreça a sociedade civil cubana". Entre as medidas previstas há um financiamento de 36 milhões de dólares para o "apoio à oposição democrática e ao fortalecimento da sociedade civil emergente".O segundo informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê um orçamento de 31 milhões de dólares para financiar ainda mais a oposição interna. Além disso, está previsto para os anos seguintes um financiamento anual de pelo menos 20 milhões de dólares, com o mesmo objetivo, "até que a ditadura deixe de existir".&lt;br /&gt;YS - Quem lhe disse que esse dinheiro chegou às mãos dos dissidentes?SL - A Seção de Interesses Norte-americanos afirmou em um comunicado: "A política norte-americana, faz muito tempo, é proporcionar assistência humanitária ao povo cubano, especificamente a famílias de presos políticos. Também permitimos que as organizações privadas o façam."&lt;br /&gt;YS - Bem...&lt;br /&gt;SL - Inclusive a Anistia Internacional, que lembra a existência de 58 presos políticos em Cuba, reconhece que eles estão detidos "por ter recebido fundos ou materiais do governo norte-americano para realizar atividades que as autoridades consideram subversivas e prejudiciais para Cuba".&lt;br /&gt;YS - Não sei se...&lt;br /&gt;SL - Por outro lado, os próprios dissidentes admitem receber dinheiro dos Estados Unidos. Laura Pollán, das Damas de Branco, declarou: "Aceitamos a ajuda, o apoio, da ultradireita à esquerda, sem condições". O opositor Vladimiro Roca também confessou que a dissidência cubana é subvencionada por Washington, alegando que a ajuda financeira recebida era "total e completamente lícita". Para o dissidente René Gómez, o apoio econômico por parte dos Estados Unidos "não é algo a esconder ou de que precisemos nos envergonhar". Inclusive a imprensa ocidental reconhece. A agência France Press informa que "os dissidentes, por sua parte, reivindicaram e assumiram essas ajudas econômicas". A agência espanhola EFE menciona os "opositores financiados pelos Estados Unidos". Quanto à agência de notícias britânica Reuters, "o governo norte-americano fornece abertamente um apoio financeiro federal às atividades dos dissidentes, o que Cuba considera um ato ilegal". E eu poderia multiplicar os exemplos.&lt;br /&gt;YS - Tudo isso é culpa do governo cubano, que impede a prosperidade econômica de seus cidadãos, que impõe um racionamento à população. É preciso fazer fila para conseguir produtos. É necessário julgar antes o governo cubano, que levou milhares de pessoas a aceitar a ajuda estrangeira.&lt;br /&gt;SL - O problema é que os dissidentes cometem um delito que a lei cubana e todos os códigos penais do mundo sancionam severamente. Ser financiado por uma potência estrangeira é um grave delito na Franca e no restante do mundo.&lt;br /&gt;YS - Podemos admitir que o financiamento de uma oposição seja uma prova de ingerência, mas...&lt;br /&gt;SL - Mas, neste caso, as pessoas que a senhora qualifica de presos políticos não são presos políticos, pois cometeram um delito ao aceitar dinheiro dos Estados Unidos, e a justiça cubana as condenou com base nisso.&lt;br /&gt;YS - Creio que este governo se intrometeu muitas vezes nos assuntos internos de outros países, financiando movimentos rebeldes e a guerrilha. Interveio em Angola e...&lt;br /&gt;SL - Sim, mas se tratava de ajudar os movimentos independentistas contra o colonialismo português e o regime segregacionista da África do Sul. Quando a África do Sul invadiu a Namíbia, Cuba interveio para defender a independência deste país. Nelson Mandela agradeceu publicamente a Cuba e esta foi à razão pela qual fez sua primeira viagem a Havana, e não a Washington ou Paris.&lt;br /&gt;YS - Mas muitos cubanos morreram por isso, longe de sua terra.&lt;br /&gt;SL - Sim, mas foi por uma causa nobre, seja em Angola, no Congo ou na Namíbia. A batalha de Cuito Cuanavale, em 1988, permitiu que se pusesse fim ao apartheid na África do Sul. É o que diz Mandela! Não se sente orgulhosa disso?&lt;br /&gt;YS - Concordo, mas, no fim das contas, incomoda-me mais a ingerência de meu país no exterior. O que faz falta é despenalizar a prosperidade.&lt;br /&gt;SL - Inclusive o fato de se receber dinheiro de uma potência estrangeira?&lt;br /&gt;YS - As pessoas têm de ser economicamente autônomas.&lt;br /&gt;SL - Se entendo bem, a senhora preconiza a privatização de certos setores da economia.&lt;br /&gt;YS - Não gosto do termo "privatizar", pois tem uma conotação pejorativa, mas colocar em mãos privadas, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONQUISTAS SOCIAIS EM CUBA?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SL - É uma questão semântica, então. Quais são, para a senhora, as conquistas sociais deste país?&lt;br /&gt;YS - Cada conquista teve um custo enorme. Todas as coisas que podem parecer positivas tiveram um custo em termos de liberdade. Meu filho recebe uma educação muito doutrinária e contam-lhe uma história de Cuba que em nada corresponde à realidade. Preferiria uma educação menos ideológica para meu filho. Por outro lado, ninguém quer ser professor neste país, pois os salários são muito baixos.&lt;br /&gt;SL - Concordo, mas isso não impede que Cuba seja o país com o maior número de professores por habitante do mundo, com salas de 20 alunos no máximo, o que não ocorre na França, por exemplo.&lt;br /&gt;YS - Sim, mas houve um custo, e por isso a educação e a saúde não são verdadeiras conquistas para mim.&lt;br /&gt;SL - Não podemos negar algo reconhecido por todas as instituições internacionais. Em relação à educação, o índice de analfabetismo é de 11,7% na América Latina e 0,2% em Cuba. O índice de escolaridade no ensino primário é de 92% na América Latina e 100% em Cuba, e no ensino secundário é de 52% e 99,7%, respectivamente. São cifras do Departamento de Educação da UNESCO.&lt;br /&gt;YS - Certo, mas, em 1959, embora Cuba vivesse em condições difíceis, a situação não era tão ruim. Havia uma vida intelectual florescente, um pensamento político vivo. Na verdade, a maioria das supostas conquistas atuais, apresentadas como resultados do sistema, eram inerentes a nossa idiossincrasia. Essas conquistas existiam antes.&lt;br /&gt;SL - Não é verdade. Vou citar uma fonte acima de qualquer suspeita: um informe do Banco Mundial. É uma citação bastante longa, mas vale a pena. "Cuba é internacionalmente reconhecida por seus êxitos no campo da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maior parte dos países em desenvolvimento e, em certos setores, comparável ao dos países desenvolvidos. Desde a Revolução cubana de 1959 e do estabelecimento de um governo comunista com partido único, o país criou um sistema de serviços sociais que garante o acesso universal à educação e à saúde, proporcionado pelo Estado. Este modelo permitiu que Cuba alcançasse uma alfabetização universal, a erradicação de certas enfermidades, o acesso geral à água potável e a salubridade pública de base, uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas da região e uma das maiores expectativas de vida. Uma revisão dos indicadores sociais de Cuba revela uma melhora quase contínua desde 1960 até 1980. Vários índices importantes, como a expectativa de vida e a taxa de mortalidade infantil, continuaram melhorando durante a crise econômica do país nos anos 90... Atualmente, o serviço social de Cuba é um dos melhores do mundo em desenvolvimento, como documentam numerosas fontes internacionais, entre elas a Organização Mundial de Saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e outras agências da ONU, e o Banco Mundial. Segundo os índices de desenvolvimento do mundo em 2002, Cuba supera amplamente a América Latina e o Caribe e outros países com renda média nos mais importantes indicadores de educação, saúde e salubridade pública."Além disso, os números comprovam. Em 1959, a taxa de mortalidade infantil era de 60 por mil. Em 2009, era de 4,8. Trata-se da taxa mais baixa do continente americano do Terceiro Mundo; inclusive mais baixa que a dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;YS - Bom, mas...&lt;br /&gt;SL - A expectativa de vida era de 58 anos antes da Revolução. Agora é de quase 80 anos, similar à de muitos países desenvolvidos. Cuba tem hoje 67.000 médicos frente aos 6.000 de 1959. Segundo o diário inglês The Guardian, Cuba tem duas vezes mais médicos que a Inglaterra para uma população quatro vezes menor.&lt;br /&gt;YS - Certo, mas, em termos de liberdade de expressão, houve um recuo em relação ao governo de Batista. O regime era uma ditadura, mas havia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de todas as tendências políticas.&lt;br /&gt;SL - Não é verdade. A censura da imprensa também existia. Entre dezembro de 1956 e janeiro de 1959, durante a guerra contra o regime de Batista, a censura foi imposta em 630 de 759 dias. E aos opositores reservava-se um triste destino.&lt;br /&gt;YS - É verdade que havia censura, intimidações e mortos ao final.&lt;br /&gt;SL - Então a senhora não pode dizer que a situação era melhor com Batista, já que os opositores eram assassinados. Já não é o caso hoje. A senhora acha que a data de 1º de janeiro é uma tragédia para a história de Cuba?&lt;br /&gt;YS - Não, de modo algum. Foi um processo que motivou muita esperança, mas traiu a maioria dos cubanos. Fui um momento luminosos para boa parte da população, mas puseram fim a uma ditadura e instauraram outra. Mas não sou tão negativa como alguns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LUIS POSADA CARRILES, A LEI DE AJUSTE CUBANO E A EMIGRAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SL - O que acha de Luis Posada Carriles, ex-agente da CIA responsável por numerosos crimes em Cuba e a quem os Estados Unidos recusam-se a julgar?&lt;br /&gt;YS - É um tema político que não interessa às pessoas. É uma cortina de fumaça.&lt;br /&gt;SL - Interessa, pelo menos, aos parentes das vítimas. Qual é seu ponto de vista a respeito?&lt;br /&gt;YS - Não gosto de ações violentas.&lt;br /&gt;SL - Condena seus atos terroristas?&lt;br /&gt;YS - Condeno todo ato de terrorismo, inclusive os cometidos atualmente no Iraque por uma suposta resistência iraquiana que mata os iraquianos.&lt;br /&gt;SL - Quem mata os iraquianos? Os ataques da resistência ou os bombardeios dos Estados Unidos?&lt;br /&gt;YS - Não sei.&lt;br /&gt;SL - Uma palavra sobre a lei de Ajuste Cubano, que determina que todo cubano que emigra legal o ilegalmente para os Estados Unidos obtém automaticamente o status de residente permanente.&lt;br /&gt;YS - É uma vantagem que os demais países não têm. Mas o fato de os cubanos emigrarem para os Estados Unidos deve-se à situação difícil aqui.&lt;br /&gt;SL - Além disso, os Estados Unidos são o país mais rico do mundo. Muitos europeus também emigram para lá. A senhora reconhece que a lei de Ajuste Cubano é uma formidável ferramenta de incitação à emigração legal e ilegal?&lt;br /&gt;YS - É, efetivamente, um fator de incitação.&lt;br /&gt;SL - A senhora não vê isso como uma ferramenta para desestabilizar a sociedade e o governo?&lt;br /&gt;YS - Neste caso, também podemos dizer que a concessão da cidadania espanhola aos descendentes de espanhóis nascidos em Cuba é um fator de desestabilização.&lt;br /&gt;SL - Não tem nada a ver, pois existem razões históricas e, além disso, a Espanha aplica esta lei a todos os países da América Latina e não só a Cuba, enquanto a lei de Ajuste Cubano é única no mundo.&lt;br /&gt;YS - Mas existem fortes relações. Joga-se beisebol em Cuba como nos Estados Unidos.&lt;br /&gt;SL - Na República Dominicana também, mas não existe uma lei de ajuste dominicano.&lt;br /&gt;YS - Existe, no entanto, uma tradição de aproximação.&lt;br /&gt;SL - Então por que esta lei não foi aprovada antes da Revolução?&lt;br /&gt;YS - Por que os cubanos não queriam deixar seu país. Na época, Cuba era um país de imigração, não de emigração.&lt;br /&gt;SL - É absolutamente falso, já que, nos anos 50, Cuba ocupava o segundo lugar entre os países americanos em termos de emigração rumo aos Estados Unidos, imediatamente atrás do México. Cuba mandava mais emigrantes para os Estados Unidos que toda a América Central e toda a América do Sul juntas, enquanto que atualmente Cuba só ocupa o décimo lugar apesar da lei de Ajuste Cubano e das sanções econômicas.&lt;br /&gt;YS - Talvez, mas não havia essa obsessão de abandonar o país.&lt;br /&gt;SL - As cifras demonstram o contrário. Atualmente, repito, Cuba só ocupa o décimo lugar no continente americano em termos de fluxo migratório para os Estados Unidos. Então a obsessão da qual você me fala é mais forte em nove países do continente pelo menos.&lt;br /&gt;YS- Sim, mas naquela época os cubanos iam e regressavam.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-5282943420510863368?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/5282943420510863368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/04/reporter-desmascara-blogueira-cubana_28.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/5282943420510863368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/5282943420510863368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/04/reporter-desmascara-blogueira-cubana_28.html' title='Repórter desmascara blogueira cubana Yoani Sánchez em entrevista'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-1217220407754127109</id><published>2010-04-26T10:35:00.000-07:00</published><updated>2010-04-26T10:37:44.174-07:00</updated><title type='text'>O GIGANTE ADORMECIDO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O mito do reinado absoluto do mercado através da globalização irreversível, trouxe com ela a chave de sua própria destruição. Uma das maiores forças potenciais que definiram a descoberta de que uma outra realidade possível, além da eterna divisão internacional do trabalho, levou o mundo a novas formas de pensamento econômico. O “gigante adormecido”, conhecido como o mundo em desenvolvimento, está acordando do longo torpor a que foi submetido. Aqueles que por tanto tempo aceitaram o papel da privação, da inferioridade, da subserviência, estão dizendo basta. Depois de terem aceitado a miséria e a fome como imposições do destino, os países em desenvolvimento estão enxergando cada vez mais que as características deste sistema global são inaceitáveis, e mais ainda, que pode e deve ser mudado. Quais são os entraves ideológicos para operar tal mudança?&lt;br /&gt;A história do mundo subdesenvolvido constituiu um conjunto de experiências homogêneas, tentativas fracassadas de desenvolvimento, dependências antigas e recentes, onde as desigualdades sociais se manifestavam em círculos modernos de alto consumo e amplos setores submersos na exclusão social. Os sonhos progressistas das décadas de 60 e 70, que se apresentavam como a esperança de um mundo mais justo, foi substituída por uma visão de origem monetarista, no qual, tais sonhos, apareciam como um pesadelo, um universo horroroso e sem saída, transbordando em corrupção e miséria. A imagem de um Terceiro Mundo revolucionário, exportador de saúde moral e humanismo foram transformados num subúrbio desordenado e caótico, reprodutor de uma incapacidade crônica. A imprensa conservadora e seus seguidores costumavam abusar desse tipo de imagem, apresentando seqüências de sociedades vistas como ineficazes, indolentes e irracionais. Divulgando notícias confusas sobre hordas de talibanes e guerreiros do Congo espalhando o caos e o terror, populações famintas, catástrofes ecológicas, governantes corruptos, massas ignorantes infestadas de patifes e indolentes. A solução do problema era realizada através de “experiências exemplares” de desenvolvimento. De que maneira?&lt;br /&gt;Nada melhor do que a entrada de investimentos estrangeiros, monitoramento do Banco Mundial e cópias quase perfeitas das técnicas ocidentais de gestão. Nessa configuração econômica, alguns países confiáveis foram contemplados, e outros, ao não desfrutar de “boas qualificações” passaram a ser criminalizados por sua “má conduta”, enquanto suas populações continuaram sofrendo as seqüelas do subdesenvolvimento. Tudo isso serviu para justificar a reprodução de uma velha ilusão do século XIX, que expressava o progresso indefinido e eterno do liberalismo econômico. O que quer que aconteça, além das tragédias e fracassos diários, diziam-nos os ideólogos neoliberais, o mundo se encaminha para o capitalismo integral, próspero, cheio de oportunidades para todos. Se os intelectuais ideologicamente independentes, cidadãos desse “gigante adormecido”, tentam demonstrar que a realidade parece desmentir tal crença, lá estão os gurus para explicar-lhes que suas leituras são falsas, demasiado apegadas às misérias cotidianas, e que ofuscam a visão de um futuro brilhante. Na superação desse “pacote  ideológico” neoliberal, os líderes políticos e culturais dos  países em desenvolvimento compreendem que para eles o melhor, em termos de realizações sociais, não consiste necessariamente em abandonar sua próprias raízes culturais, em favor de uma cultura estrangeira procedente das sociedades desenvolvidas do ocidente. Existe entre eles, como é o caso do Brasil e seus parceiros, uma insistência cada vez maior na adoção não só de uma nova ordem econômica internacional, mas também a utilização de caminhos alternativos de desenvolvimento. Tal iniciativa passa por um conjunto de necessidades humanas universais, que implica o tema da inclusão social como direito fundamental, tão profunda em suas implicações quanto o foi o conceito de democracia, dois séculos atrás.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-1217220407754127109?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/1217220407754127109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/04/o-gigante-adormecido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1217220407754127109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/1217220407754127109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/04/o-gigante-adormecido.html' title='O GIGANTE ADORMECIDO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-7944637006243911996</id><published>2010-04-07T06:35:00.000-07:00</published><updated>2010-04-07T06:36:55.897-07:00</updated><title type='text'>O OUTRO LADO DA OPULÊNCIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando a gente vive distante das vidas exauridas pelos infortúnios da pobreza, apenas temos uma visão subjetiva do que isso significa, e, para livrar-nos do desconforto de ter que conviver com tamanha tragédia, terminamos assumindo uma aceitação passiva perante o fenômeno. O que podemos fazer, perguntamo-nos?  A resposta termina-se perdendo no meio de infinidades de justificativas superficiais, centradas apenas na identificação daqueles que contribuem para manter e reproduzir tal situação. A falta de indignação pública também pode ser considerada um fator decisivo para tolerar o sofrimento de milhões de seres humanos. No entanto, a visão generalizada da pobreza não vai além do que imaginar que esta é resultado da escassez ou da incapacidade dos indivíduos em gerar renda.&lt;br /&gt;A humanidade sempre esteve sujeita a níveis elevados de desigualdade endêmica, potencializando e reproduzindo a discriminação social das formas mais diversas. A América Latina se destaca como uma região onde a enorme parcela de riqueza nacional está nas mãos dos muito ricos, colocando estatisticamente nosso continente sul-americano nos patamares da África em termos de distribuição de renda. Se observarmos o mundo na sua totalidade, a  desigualdade global entra no campo da criminalidade omissa. A renda dos 500 bilionários mais ricos do mundo supera a dos 416 milhões de pessoas mais pobres do planeta. A cada minuto, todos os dias, uma mulher morre no parto ou durante sua gravidez, e, ao mesmo tempo, 20 crianças falecem por causa de doenças que poderiam ser evitadas.&lt;br /&gt;Enquanto o mundo se globaliza economicamente, num vasto processo de integração através dos meios de comunicação e transportes cada dia mais eficientes, o preço político do aumento da desigualdade torna-se insuportável. O próprio Banco Mundial fez uma projeção com base em dados da distribuição de renda no mundo, mostrando que se os níveis de desigualdade global “pudesse ser reduzida pelo menos aos níveis registrados em Haiti, o número de pessoas que sobrevivem com menos de US$ 1 por dia cairia pela metade, para cerca de 490 milhões”. Mostra um dado ainda mais perturbador “Se a distribuição de renda observada num país médio como a Costa Rica” – fosse alcançada mundialmente – “o número dessas pessoas em situação de extrema pobreza, cairia para 190 milhões”.&lt;br /&gt;Por outro lado, falar de saúde deficiente por causa da pobreza, também implica estar incapacitado em consumir água limpa. Um contingente de 1,1 bilhão de pessoas ainda não possuem acesso à água tratada para consumo humano, sendo que 2,6 bilhões nem sequer tem acesso a qualquer tipo de saneamento básico. As doenças transmitidas pela água contaminada são a segunda maior causa de morte das 3.900 crianças em todo o mundo por dia. Nesse contexto de pobreza absoluta, mais de 880 milhões de pessoas estão desnutridas ou em estado de subnutrição, apesar de que há alimentos suficientes para mitigar tamanha tragédia. Ao mesmo tempo, tal situação se reverte como problema econômico, conforme o próprio Banco Mundial divulga: “para cada ano que a fome permanece nesses níveis, óbitos prematuros e deficiências acumuladas privam os países em desenvolvimento de cerca de US$ 500 bilhões em produtividade e receitas perdidas”.&lt;br /&gt;Falar de pobreza como retórica acadêmica não serve para nada. Tentar resolver as coisas a partir de uma ação solitária, também não. A opção mais viável continua sendo a combinação de direitos e de obrigações que vincula os indivíduos ao Estado. A participação ativa dos cidadãos em atividades políticas deve permitir, através deste, a realização de ações coletivas, de modo a operacionalizar políticas públicas que assegure um crescimento econômico inclusivo. A promessa neoliberal de um mundo desenvolvido para todos, transformou-se num profundo fracasso. O que é pior, idealizado através de um modelo sustentado pela especulação financeira como única meta para acumular riquezas, sem dor e sem remorso.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich&lt;br /&gt;Sociólogo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-7944637006243911996?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/7944637006243911996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/04/o-outro-lado-da-opulencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7944637006243911996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7944637006243911996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/04/o-outro-lado-da-opulencia.html' title='O OUTRO LADO DA OPULÊNCIA'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-4330981065885660526</id><published>2010-03-30T07:02:00.000-07:00</published><updated>2010-03-30T07:05:06.572-07:00</updated><title type='text'>O FANTASMA DO SOCIALISMO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Presidente norte-americano Barak Obama, após um ano de intensos debates, conseguiu que fosse aprovada a reforma do sistema de saúde na Câmara dos Representantes do governo dos Estados Unidos. Esta casa legislativa é o equivalente à Câmara dos Deputados brasileira. A proposta foi aprovada por 219 votos contra 212. Ou seja, apenas por uma diferença de seis votos. Isso significa que há pessoas, no país mais rico do mundo, que não querem que uma parte de sua população tenha acesso à saúde subsidiada pelo governo. Uma nação que consome até quatro vezes o que o planeta produz em recursos, que se apropria das riquezas alheias por meio de guerras imperiais, é incapaz de olhar para mais de 45 milhões de norte-americanos que carecem de qualquer tipo de cobertura médica. Nós, brasileiros, que sempre estamos reclamando da nossa saúde, devemos agradecer de viver num país que nos oferece, apesar de suas infinitas dificuldades, um sistema público, universal e gratuito.&lt;br /&gt;A lei que o herói Barack Obama deverá assinar não alcança ainda a cobertura universal da população, mas dimensiona o sistema de forma a incorporar 95 % desta. Grande parte destes cidadãos não dispõe de acesso a consultas, exames e tratamentos, que, dessa forma serão integrados na rede pública. A partir de 2014, o governo obrigará todos os adultos a ter um seguro de saúde subsidiado, ou através das apólices de grupo oferecidas pelos empregadores. As famílias que tenham rendimentos superiores ao limiar da pobreza, mas que não possuam recursos suficientes para suportar os custos dos seguros, terão acesso a subsídios governamentais. Mais ainda, as pequenas e médias empresas que cobrirem os seus funcionários serão recompensadas com créditos fiscais. Tudo isso significa um avanço extraordinário para a saúde daquele país, conquista que a maioria dos governos do mundo, é bom saber, já incorporaram no século passado através de políticas públicas. Não precisamos ir muito longe, é só olhar para Cuba.&lt;br /&gt;Apesar do conteúdo histórico da lei, os setores mais conservadores criticam a reforma por tornar a assistência médica “mais burocrática e cara”, além de que o projeto aumentaria o tamanho do estado, assim como seu controle sobre o sistema de saúde. Tais manifestações tem uma longa história retórica, que raiavam na histeria de imaginar que a saúde universal levaria à implantação de práticas socialistas. Medicina socializada, o que é isso? – exclamavam os congressistas republicanos – estão atacando nossa liberdade de escolha para atender a quem quisermos. Desesperados, questionavam que o país ia rumo ao comunismo. Semelhante ato falho disfarçava o interesse de ganhar muito dinheiro “escolhendo” aqueles que pudessem pagar. Não apenas isso, os lobbies das empresas de plano de saúde fizeram oposição ferrenha ao projeto, já que as mesmas, criadas durante o governo republicano de Richard Nixon, foram dimensionadas para lucrar com a saúde humana, e não para preveni-la. Com a nova lei, tais planos se verão obrigados a restringir suas práticas abusivas, como recusar a tratar pessoas com doenças pré-existentes, entre outras. O capitalismo norteamericano funciona como o vírus da AIDS, reproduzindo-se na sua própria doença. Vou explicar por que. Enquanto onze estados norte-americanos anunciavam que entrarão com recursos judiciais para contestar a constitucionalidade da reforma, as ações do setor de saúde faziam a festa na Bolsa de Valores através de seus operadores. Nesse mesmo dia, o índice Morgan Stanley das seguradoras de saúde, registrava alta de 1,9 %, superando o mercado geral, e as grandes seguradoras WellPoint Inc. e UnitedHealth Group subiam perto de 1 %. Não se assuste prezado leitor, o sistema funciona assim, basta entende-lo. Nada melhor do que a alegoria da lenda que conta a história daquele capitalista, que, enquanto estava sendo enforcado, negociava a venda da corda com seu verdugo, até o último suspiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Victor Alberto Danich&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sociólogo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-4330981065885660526?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/4330981065885660526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/03/o-fantasma-do-socialismo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4330981065885660526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/4330981065885660526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/03/o-fantasma-do-socialismo.html' title='O FANTASMA DO SOCIALISMO'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-7156433023660171271</id><published>2010-03-30T07:01:00.000-07:00</published><updated>2010-03-30T07:02:13.087-07:00</updated><title type='text'>A SOCIOLOGIA NA UNIVERSIDADE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que é a sociologia? A sociologia é o estudo das sociedades o dos fenômenos sociais. Esta resposta pode parecer, e com razão, vaga e tautológica. Todo intento de definir a sociologia para delimitar seu campo de atuação, apesar de sua capacidade de conciliar pontos de vista de alguns sociólogos, sempre estará sujeita as críticas ou a oposição de alguns outros. Esta dificuldade poderia desanimar o processo acadêmico, chegando a desqualificar esta disciplina aos olhos dos neófitos, delimitando-a. O importante é definir qual é sua função dentro da universidade, e, principalmente, consolidar a ideia de que a sociologia implica pluralismo de opiniões sobre ela. Qual é a explicação para tal condicionante?&lt;br /&gt;A vertente acadêmica da sociologia está direcionada a uma criação contínua, na qual sua definição se dá através das sucessivas confrontações entre as tendências que a alimentam. Esse é o motivo fundamental para dar à sociologia uma determinada direção. Em princípio, é necessário que os fenômenos sociais sejam desvinculados de uma concepção a - histórica. A justificativa desta prerrogativa está assentada na premissa de que só é possível entender o presente, e talvez o futuro, se conhecemos os fatos motivadores do passado.  Por outro lado, a sociologia contemporânea, devido à unificação do planeta num processo de ocidentalização, terminou incorporando a antropologia social no seu campo de atuação, deixando sua especificidade para o estudo exaustivo de unidades socioculturais determinadas. Tal modelação dá a sociologia uma nova caracterização na sociedade globalizada, que é entender e analisar o modo de produção predominante nesse contexto social, utilizando a observação crítica através do método dialético, que é revalidar a ideia de que os verdadeiros agentes da criação cultural são os grupos sociais, e não os indivíduos isolados. Tal conceito está fundamentado em que a obra cultural está relacionada homologamente com a realidade econômica e social da época em que foi produzida.&lt;br /&gt;Vamos analisar tal fato por meio de uma observação prática, muito importante para os acadêmicos que cursam a disciplina de sociologia. Há um interesse muito grande por parte da população em assistir novelas veiculadas pela televisão no horário nobre. Usando tal análise a partir da economia capitalista, pode-se perceber que as estruturas do mercado entranham o fenômeno do desaparecimento do qualitativo dos objetos, para ser substituída por uma relação com os valores de troca meramente quantitativos. Tal processo envolve uma transformação da consciência dos grupos em simples reflexo passivo do mundo da economia. Esta estrutura da consciência, reflexo do econômico, é homóloga à estrutura da novela. Os atores, que, em seus comportamentos e valores, vivem o qualitativo (equivalente ao valor de uso) não podem expressar estes valores autênticos num mundo no qual se impõe a relação quantitativa (valor de troca). A novela é fruto do compromisso entre o mundo artístico e as estruturas da sociedade, num determinado momento histórico. Tal análise não está direcionada a avaliar o modo de interpretação artística (notadamente cultural) senão de examinar o método, que pode ser resumido da seguinte maneira: a novela, forma literária que permite a descrição do trivial, vivido cotidianamente, constrói um modelo de infraestrutura econômica do tipo de sociedade no qual domina a forma literária novelesca, e descobre seu homólogo estrutural.&lt;br /&gt;A partir desta homologia, configura-se a existência de uma relação complexa e causal entre o econômico e o cultural, havendo uma retroação do cultural sobre o econômico, através de sua ação sobre a consciência coletiva na vida do cotidiano. O papel da sociologia na construção do pensamento acadêmico tem como finalidade fazer um estudo crítico da realidade social; em captar-la no só do ponto de vista do “modelo”, senão também sob o aspecto da prática e dinamismo da própria sociedade.&lt;br /&gt;Victor Alberto Danich -  Sociólogo  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8370999732828472672-7156433023660171271?l=pensamentoedialetica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/feeds/7156433023660171271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/03/sociologia-na-universidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7156433023660171271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8370999732828472672/posts/default/7156433023660171271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentoedialetica.blogspot.com/2010/03/sociologia-na-universidade.html' title='A SOCIOLOGIA NA UNIVERSIDADE'/><author><name>PENSAMENTO E DIALÉTICA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17285815487291739273</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_NS_gkanLbvU/SGFMWNvw1tI/AAAAAAAAAAk/la2-qBBe9og/S220/victor.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8370999732828472672.post-8670405230992026033</id><published>2010-03-17T07:26:00.000-07:00</published><updated>2010-03-17T07:27:52.453-07:00</updated><title type='text'>OS FARISEUS E A DIGNIDADE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que sabem os leitores dos diários brasileiros sobre Cuba? O que sabem os telespectadores brasileiros sobre Cuba? O que sabem os ouvintes de rádio brasileiros sobre Cuba? 
